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Do medo à gratidão: Sole Jaimes lembra o que sentiu ao engravidar e exalta apoio no meio do futebol

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Sole Jaimes exalta importância do apoio do Flamengo quando descobriu gravidez: 'Maravilhoso comigo' (0:54)

Sole Jaimes concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre como concilia a maternidade com o esporte (0:54)

Conciliar a maternidade com o esporte não é uma tarefa fácil. Neste Dia das Mães, Sole Jaimes, argentina e jogadora do Internacional, revelou à ESPN que tinha medo de engravidar.

“No futebol feminino é bem difícil, porque no masculino, o cara pode ter filho e continuar com a carreira. De fato, na minha gravidez, eu treinei até os sete meses com o grupo. Então, eu quase parei um pouquinho o tempo”.

A jogadora treinou por alto nível até os sete meses da gravidez e revelou que o apoio do Flamengo, quando a filha Aurora nasceu, no começo de 2024, fez toda a diferença. A atleta ressalta que as companheiras do elenco fizeram diferença neste processo.

“Era algo novo para uma atleta ficar grávida. A gente decidiu contar depois dos três meses e, na verdade, o Flamengo foi maravilhoso. Eu não tenho palavras de agradecimento pela forma que me trataram, cuidaram muito de mim, tiveram toda a atenção que eu podia”.

“Fiz uma reunião e contei para todo mundo. E da forma que elas me abraçaram, da forma que as meninas... todo mundo gritava, todo mundo feliz, foi maravilhoso. Desde o primeiro, até que foi a gravidez, o trato e o cuidado que elas tiveram comigo, eu não tenho palavras. Sou muito grata a Deus pela forma que o Flamengo e as meninas cuidaram de mim”, completa.

Sole revela que, depois que virou mãe, a preocupação mudou e passou a ter mais medo pós-gestação. “Desde que a Aurora chegou, eu não tinha medo de subir no avião, não tinha medo de nada, não tinha medo se eu não voltava para casa, porque eu falava, é a causa de Deus permitir. E depois da Aurora, eu vivo com medo, de viajar, de tudo, porque tem alguém que vai depender de mim para toda a vida, e eu fico com medo de tudo, é uma coisa que é absurda como a cabeça muda depois que você é mãe”.

A jogadora explica como concilia a maternidade com a vida agitada no futebol. A esposa de Sole, Kelly Chiavaro, também é jogadora e atua como goleira no Internacional. “A gente é atleta de alto nível, nós jogamos no mesmo time, a gente consegue lidar com essa situação, sabe? Porque desde o dia que a gente decidiu ser mãe, a gente sabia que não seria fácil e que não precisávamos ser mães perfeitas. Na verdade, está sendo maravilhoso”.

Sole comentou sobre a importância da lei criada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). A entidade custeia as viagens de atletas que amamentam e seus filhos, além de ter tornado obrigatória a assinatura de contratos profissionais para todas as jogadoras no país. Na prática, mães em período de amamentação podem levar seus filhos em viagens oficiais, com todas as despesas pagas pela CBF, em competições nacionais.

“Paga babá, hotel, comida, passagem da Aurora. Eu posso leva-la em todos os jogos, se eu quiser. Mas a gente é muito de rotina e a gente tenta manter essa rotina. Se uma não viaja para jogar, a Aurora fica, a Aurora vai para a escola, e a gente mantém essa rotina que não seja desgastante para ela, para que ela durma cedo, que ela coma bem. A gente tem isso. Às vezes tem vontade de levar todos os jogos, mas a gente pensa muito nela. Primeiro ela e depois nós”, completa.