Ser mãe não é uma tarefa fácil, ainda mais quando é necessário conciliar a maternidade com a rotina de treinos de esporte de alto nível.
Neste Dia das Mães, a ESPN conversou e reuniu depoimentos de atletas que vivenciam a jornada dupla.
Suzane Pires
Jogadora do Santos e mãe do Gauther, de cinco anos, contou que não teve apoio do Marítimo, clube de Portugal, quando descobriu a gravidez. Na época, a atleta estava voltando de uma lesão de LCA. “Não tive apoio do clube. Basicamente um rompimento de contrato. Meu marido jogava na época e eu fiquei desempregada. Do clube, não tive nenhum suporte, nem em relação ao salário, e nem para continuar treinando”.
Suzane Pires concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre como concilia a maternidade com o esporte
O retorno aos gramados não foi fácil. Antes de retornar para o Santos em 2024, a jogadora passou três anos na Ferroviária. “Eu não achava que ia voltar mais. Quando eu voltei a jogar, o começo foi difícil, o corpo mudou muito. No meu primeiro treino, fui dar um trote no campo, a panturrilha abriu e tive que fazer fisioterapia”.
A jogadora relatou que achava que não seria capaz de voltar atuar nos gramados novamente e responde que quer deixar um legado para o filho. "Quero que ele saiba que é capaz de qualquer coisa. Nunca deixe ninguém te dizer que você não é capaz".
Tati Weston-Webb
A surfista foi mãe recentemente, mas revelou à ESPN que já voltou a treinar, porém de forma moderada. Questionada sobre competir ainda este ano, Tati espera estar presente na etapa de Saquarema, da WSL.
"Se Deus quiser posso ter uma oportunidade lá, mas não sei ainda. Gostaria muito de competir esse ano, especialmente porque muito tempo fora da lycra não é tão bom. É bom pegar o ritmo de novo, competir, sentir aquela adrenalina antes de entrar na água. Mas também não iria colocar o mesmo tipo de pressão em mim. Eu iria ver o campeonato como só um dia diferente, que eu consiga competir como mãe. E estou esperando o convite de Saquarema, mas com certeza vou competir ainda no ano, mas não sei qual".
A atleta ressalta que chega para as Olimpíadas de 2028 com a energia renovada após a gestação. "Nunca pensei que fosse chegar nas Olimpíadas de 2028 com esse tipo de energia renovada. acho que estarei muito renovada para ir atrás desse sonho: competir nas Olimpíadas de 2028 como mãe e mostrar para a minha filha que tudo é possível se você tem dedicação para ir atrás dos seus sonhos".
"Esse é o meu objetivo, mas não vou colocar o mesmo tipo de pressão que coloquei em mim em 2024.Obviamente foi um ano diferente, não era mãe, estava muito focada, dedicada aos treinos, mas será diferente com uma filha", completa.
Sole Jaimes
Jogadora do Internacional e mãe da Aurora, a jogadora exaltou o apoio que teve do Flamengo, clube que a atleta defendia, quando descobriu a gravidez. "Então, era algo novo para uma atleta ficar grávida, né? A gente decidiu contar depois dos três meses e, na verdade, o Flamengo foi maravilhoso. Eu não tenho palavras de agradecimento pela forma que me trataram, cuidaram muito de mim".
Sole teve a filha Aurora com a goleira do Inter, Kelly Chiavaro, e explica como é conciliar a rotina dos treinos e viagens com a criação da filha.
"A gente consegue lidar com essa situação, sabe? Porque desde o dia que a gente decidiu ser mãe, que a gente queria ter a nossa filha, a gente sabia que não era fácil, e que não ia ser fácil, e que não precisávamos ser mães perfeitas, que vamos ter obstáculos, que a gente vai saber passar por isso, porque a gente está aprendendo, é a nossa primeira filha. Mas, na verdade, está sendo maravilhoso".
Sole Jaimes concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre como concilia a maternidade com o esporte
"Em casa a gente se ajuda muito. Chegamos do treino, a nossa vida não é como antes, que a gente chegava, descansava, cozinhávamos alguma coisa. Agora, a gente tenta dormir cedo, tenta manter uma rotina com a Aurora, mas a gente se ajuda muito. Não tenho explicação. Posso dizer, às vezes, na noite mal dormida, ou na casa bagunçada, mas é maravilhoso, não tem dia ruim com ela", explicou.
Pri Heldes
A levantadora do Fluminense revelou à ESPN que, após a gravidez, teve medo de não conseguir performar como antes.
"O medo é o físico, era de não voltar. Foi o que mais me impactou na gestação. Eu não me reconhecia. O pós, ver que meu corpo mudou tanto, tinha receio de não conseguir performar, mesmo tendo jogado grávida".
A atleta quer construir memórias com o pequeno Emanuel. "Quero que ele tenha memórias minhas jogando. Que ele veja o trabalho da mãe e entenda o quanto o esporte é importante. Daqui a pouco, vou mostrar os vídeos dele na minha barriga, em quadra, e dizer o quanto foi especial viver aquilo com ele".
Pri Heldes concedeu entrevista exclusiva à ESPN e falou sobre como concilia a maternidade com o esporte
