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Cannavaro diz qual o maior problema que afeta a seleção da Itália e impede Azzurra de 'reviver' 2006: 'É mais difícil...'

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Cannavaro fala sobre problemas na seleção italiana e alerta sobre o 'medo' de possível ausência em mais uma Copa do Mundo (5:20)

VEJA o especial '20 anos do Tetra Azzuro' no Disney Plus! (5:20)

A Itália, que não disputou as duas últimas Copas do Mundo, ainda não tem presença garantida na edição de 2026, que acontecerá entre junho e julho deste ano, nos Estados Unidos, México e Canadá. A Azzurra vai jogar a semifinal da repescagem europeia contra a Irlanda do Norte às 16h45 (de Brasília) desta quinta-feira (26), em casa, com transmissão pelo plano premium do Disney+.

O ex-zagueiro Fabio Cannavaro, capitão da Itália no título da Copa de 2006, analisou a seleção italiana atual em uma conversa descontraída com a ESPN. O papo deu origem ao especial Parla Cannavaro, que celebrou os 20 anos do tetracampeonato mundial dos italianos e está disponível na íntegra para assinantes do plano premium do Disney+.

Para o ex-defensor, o risco de ficar fora de mais uma Copa, depois das ausências em 2018 e 2022, também tem a ver perda de identidade, excesso de estrangeiros no futebol local e até "medo".

"A nossa história conta de sermos organizados na defesa e sempre trabalharmos melhor que os outros a defesa. Para fazer gol na Itália, primeiro era necessário suar. Se você pensar que nas últimas partidas tomamos três gols da Noruega e quatro de Israel... Significa que estamos longe da nossa cultura futebolística", analisou.

"É um problema que hoje em dia tenta-se copiar aquilo que é a escola espanhola, a escola holandesa, que eu certamente respeito. Eu, como treinador agora, gosto de ver um time que, quando tem a posse, tem um conceito, tem ideias, não fica só dando esses lançamentos longos. Porém, exageramos nisso agora. Principalmente quando você é treinador e gasta muito tempo trabalhando a fase ofensiva e talvez te falte tempo para trabalhar a fase defensiva. Eu sempre digo que com os atacantes você vende ingressos para assistir aos jogos; com os defensores, você ganha o campeonato", acrescentou.

A Itália terminou a primeira fase das eliminatórias em segundo lugar do grupo I, com 18 pontos, seis a menos que a Noruega. A seleção italiana teve seis vitórias e duas derrotas em oito jogos. Os dois reveses foram justamente contra os noruegueses.

"Agora acho que também entrou um pouco o medo. Porque se pensarmos que, antes da última partida contra a Noruega, a Itália tinha perdido só um jogo, e mesmo assim já se falava que corria risco de ficar fora, que era difícil. Então, a partida contra a Noruega perdemos há um ano e meio. Então, sabe... Entrou essa insegurança, com certeza", avaliou.

O ex-zagueiro, no entanto, pontuou que, caso a Itália se classifique para a Copa do Mundo, vai impor respeito nos adversários.

"É uma equipe que de uma forma ou outra... Não são muitos que têm um Donnarumma, não são muitos que têm um Tonali, não são muitos que têm Bastoni, Calafiori, Retegui, e existem mais... Esposito agora, jogadores jovens que estão surgindo, Dimarco... Não são muitas seleções que têm esses jogadores", disse.

Estrangeiros

Cannavaro avaliou que a quantidade de estrangeiros no futebol italiano é um dos problemas da seleção, que passa a ter menos opções para o técnico Gennaro Gattuso, algo diferente que Marcello Lippi tinha em 2006.

"O nosso campeonato, comparado com alguns anos atrás, tem muitos mais estrangeiros, então para um treinador é bem mais complicado. Considere que Marcello Lippi (campeão em 2006) podia escolher entre 70% italianos e 30% estrangeiros. Hoje, no campeonato italiano, 70% são estrangeiros e 30% são italianos. Então é mais difícil", afirmou.

"Na Itália, se você contrata um jogador estrangeiro, paga menos impostos, então compensa mais investir dinheiro em um jogador estrangeiro do que em um italiano. E isso é errado, porque devemos tentar dar as mesmas oportunidades aos jovens italianos que fazem sacrifícios para jogar futebol, que amam o futebol. Quando os treinadores vão para as categorias de base, antes eram 'instrutores', hoje são 'treinadores'. Antes o instrutor fazia o jovem crescer; o treinador quer crescer ele próprio. Porém, repito, apesar de tudo, eu sou otimista, porque os jogadores surgem, eles existem. Vergara é um deles, Esposito é outro. Os jogadores que temos, como Calafiori, na minha opinião, são bons", finalizou.

>h2>Onde assistir a Itália x Irlanda do Norte

Você assiste ao duelo da Itália contra a Irlanda do Norte nesta quinta-feira (26), às 16h45 (de Brasília), com transmissão ao vivo no plano premium do Disney+.