<
>

Haverá mais jogos para times brasileiros em 2025, o que me faz sugerir ainda mais Super Estaduais

Jogadores do Botafogo e Artur Jorge levantam a taça de campeão da CONMEBOL Libertadores Vitor Silva/Botafogo

O tema é repetitivo e já deixei minhas humildes sugestões várias vezes em textos em jornal e na internet ou em entrevistas por aí.

Estadual é o que faz, basicamente, a diferença no número de jogos de clubes brasileiros ao longo de uma temporada se compararmos com times europeus.

O Botafogo, campeão da CONMEBOL Libertadores e do Brasileiro, fez no ano passado um total de 75 partidas oficiais, mesmo não chegando à fase decisiva do Carioca nem avançando na Copa Intercontinental, o Mundial de Clubes mais simples da Fifa.

Neste ano, o Glorioso fará pelo menos três jogos na fase de grupos do tal “Super Mundial” nos Estados Unidos. Imagine que ele avance à final do Estadual e vá longe também na Copa do Brasil, coisa que não fez em 2024.

Vai passar facilmente de 80 jogos neste ano de 2025 que está apenas começando com clubes grandes do país viajando para fazer pré-temporada com amistosos na América do Norte e adiando já por isso partidas de seu Estadual (caso do São Paulo, por exemplo, que irá à Flórida).

Vou passar no final deste texto uma lista grande de clubes e do número de seus jogos em 2024 para você ter uma ideia melhor de como os europeus jogam menos, mesmo os que chegam longe em vários torneios, casos de Real Madrid, mais uma vez campeão europeu e mundial, com 57 partidas, e do Manchester City, multicampeão na Inglaterra que também fez 57 jogos no ano passado.

O primeiro Super Mundial da Fifa (Super é um apelido utilizado por enquanto apenas no Brasil) segue o modelo simples da Copa do Mundo de seleções entre 1998 e 2022, com 32 equipes divididas em oito grupos e um mata-mata em jogo único a partir das oitavas de final.

Torneio simples e bacana (pena que aumentaram o número de seleções na Copa). Para ser campeão desse novo torneio interclubes da Fifa, um time precisará realizar sete partidas. Isso vai certamente aumentar o número de jogos dos europeus em relação a anos anteriores, até porque é quase uma certeza que as equipes do Velho Continente serão as que chegarão longe no Super Mundial.

Eu recomendo que os nossos Estaduais virem Super Estaduais. Significa que eles terão mais peso e menos jogos? Sim! Pegue o Campeonato Paulista com os 32 melhores times do Estado e faça esse modelo simples de disputa.

Um clube de primeira, segunda, terceira e quarta divisões do Brasileiro (são as únicas que temos hoje, deveria ter bem mais) faria apenas sete partidas, no máximo, no Estadual.

Não teria tanto problema de desgaste na temporada (normalmente, o campeão paulista tem feito 16 jogos, o que significa dizer que nesse Super Paulista o número cairia para menos da metade). A disputa seria bem mais curta e ainda mais interessante, com todo jogo praticamente valendo classificação.

Se algum grande quiser colocar ainda time alternativo, tudo bem. Lembro que em 2002 fizeram alguns Super Estaduais, mas ali foi para comportar no calendário torneios regionais, como o Rio-São Paulo e a Copa do Nordeste (que ainda existe, é bacana, tem um formato simples e mudou a cara dos Estaduais da região, agora mais competitiva).

Eu sempre ofereci mais como sugestão que os Estaduais fossem disputados nos moldes da Copa da Liga Inglesa, o quarto torneio em importância para os clubes grandes da pátria-mãe do futebol.

Um mata-mata quase sempre com jogos únicos que pode ou não ser levado a sério pelos times mais importantes (mesmo usando reservas nas fases iniciais, quase sempre chegam os “tubarões” na reta final).

A Inglaterra tem esse calendário puxado para os padrões europeus por ter duas copas nacionais valorizadas (a FA Cup, a Copa da Inglaterra mais tradicional e importante, e a Copa da Liga, organizada pelos clubes como uma liga bem vendida comercialmente).

Ou seja, daria para as federações estaduais manterem aqui seu brinquedinho anual mesmo com ele mais enxuto. Talvez os Estaduais ganhassem até mais prestígio em relação aos últimos anos, pois, já dizia algum sábio, menos é mais (quanto menos partidas, mais valor para elas).

Defendia sempre que os Estaduais fossem jogados ao longo de toda a temporada, assim como a Copa da Liga da Inglaterra, mas eles podem ser definidos totalmente em um mês também, em uma época de pré-temporada aqui no Brasil ou no meio do ano, como será o Super Mundial dos Estados Unidos.

São sete datas “apenas”, afinal. Os clubes pequenos vão morrer nesse cenário? Ao contrário, deveriam ganhar um campeonato-base de turno e returno que durasse boa parte da temporada para ficarem ativos. Seriam grandes qualificatórios para as divisões nacionais. E apenas os melhores pequenos de cada Estado teriam esse bônus de disputar o Super Estadual.

Uma série de clubes tradicionais de médio e pequeno porte ganharia uma nova vida com este novo calendário.

Neste meu mundo ideal para o futebol brasileiro (tentei sem sucesso me candidatar à presidência da CBF em 2011 e desejo boa sorte a Ronaldo Fenômeno agora), todos os times do país jogariam a Copa do Brasil. Não haveria chance de um Santos ficar fora da disputa, como aconteceu em 2024.

Os Estaduais ou os Super Estaduais não deveriam servir como torneios classificatórios para a Copa do Brasil. Essa competição de caráter tão democrático deveria abrir portas para os clubes de qualquer tamanho e região, assim como acontece nas principais copas nacionais europeias.

Sei que aqui no Brasil essa distribuição de vagas atende às vezes aos interesses de algumas federações e de conchavos políticos, mas isso precisa acabar. Joga todo mundo a Copa do Brasil e pronto. Se 800 times entrarem na disputa, 400 são eliminados em um mata-mata único (batatinha frita um dois três, já que Round 6 voltou a ficar na moda), não afeta praticamente em nada o calendário dos grandes clubes, que entram só nas fases mais agudas.

Eu defendi durante anos a volta da Supercopa do Brasil, em jogo único e em campo neutro, e festejei o retorno dessa disputa tradicional que tem espaço ainda na Europa e que tem seu charme, sua atratividade e seu valor.

Gosto de vários torneios e disputas, torcedor em geral curte, eu apenas defendo que encaixemos tudo em um calendário que seja parecido com o da Europa. Se eles podem ter duas copas nacionais com todo mundo jogando, podem ter suas Supercopas e podem jogar os Mundiais, por que não podemos aqui?

Dito isso tudo (e acho que, infelizmente, não será o último ano em que tratarei deste post de sugestão para o nosso caótico calendário), vou passar agora abaixo a lista de jogos dos principais clubes do mundo, levantamento que foi feito pelo “Sofascore” e que postei em minhas mídias sociais perto da Virada do Ano.

Aproveito para desejar a todos um diferenciado 2025!

  • Botafogo - 75 partidas

  • Athletico - 73 partidas

  • Atlético-MG -73 partidas

  • Flamengo - 73 partidas

  • Fortaleza - 73 partidas

  • Corinthians - 72 partidas

  • Bragantino - 70 partidas

  • Bahia - 69 partidas

  • Cuiabá - 68 partidas

  • São Paulo - 68 partidas

  • Fluminense - 67 partidas

  • Grêmio - 67 partidas

  • Palmeiras - 67 partidas

  • Cruzeiro - 64 partidas

  • Internacional - 64 partidas

  • Juventude - 62 partidas

  • Atlético-GO - 61 partidas

  • Vasco- 61 partidas

  • Vitória - 61 partidas

  • PAOK (GRE) - 61 partidas

  • Criciúma - 60 partidas

  • América (MEX) - 59 partidas

  • Union SG (BEL) - 59 partidas

  • Atalanta (ITA) - 58 partidas

  • Boca Juniors (ARG) - 58 partidas

  • Brugge (BEL) - 58 partidas

  • Gent (BEL) - 58 partidas

  • Fiorentina (ITA) - 57 partidas

  • Liverpool (ING) - 57 partidas

  • Man City (ING) - 57 partidas

  • Panathinaikos (GRE) - 57 partidas

  • Real Madrid (ESP)- 57 partidas

  • River Plate (ARG)- 57 partidas

  • Al Ahly (EGI) - 56 partidas

  • Atlético (ESP) - 56 partidas

  • Chelsea (ING) - 56 partidas

  • Olympiacos (GRE) - 56 partidas

  • Racing (ARG) - 56 partidas

  • Rangers (ESC) - 56 partidas

  • Sporting (POR) - 56 partidas