Anderson Talisca divide a vida entre duas grandes paixões: futebol e música. Enquanto balança as redes com a camisa do Al Nassr, time de Cristiano Ronaldo, de um lado do mundo; do outro, investe cada dia mais na carreira de trapper, se apresentando como Spark.
"A minha história com a música vem muito lá de trás. Eu para estudar no colégio onde eu morei, na Fazenda do Menor (em Feira de Santana, Bahia), eu tive que praticar música. Então foi a primeira forma que encontrei de trilhar caminhos com muito sucesso e ajudar a família foi com a arte. Depois veio o futebol e toda a trajetória”, disse Talisca, em entrevista à ESPN.
No futebol, o brasileiro construiu uma trajetória marcada por gols e belas jogadas. No entanto, a música ainda é um começo para Anderson Talisca, ou Spark, que revelou as suas principais referências e detalhou o seu gênero musical: o trap.
"Eu comecei escutando muito axé, pelo fato de eu ser baiano. Depois eu passei a escutar muito o Chris Brown e foi lá quando ele estourou, ali em 2008 e tal. Eu escutava muito Justin (Bieber), ele estava muito estourado. As mulheres, as meninas, todo mundo, Justin, Chris Brown para lá. Então isso me marcou muito."
"O trap é hip hop e engloba muita coisa. De gente que vem da periferia, gente que muda a vida de pessoas, ajuda essas pessoas. A gente busca tentar trazer o que a gente passou com nossas letras, com nossas músicas, nossas batidas, misturar elementos. É um gênero que é muito forte e muito unido, todo mundo está curtindo muito."
Na Arábia Saudita, a música continua presente na rotina de Talisca. O produtor do atacante mora por lá, e os seus companheiros de time, incluindo CR7, curtem bastante os beats do brasileiro, que também explicou a origem do nome artístico Spark.
"Todo mundo escuta as músicas, todo mundo curte as músicas. Todo mundo respeita muito. O meu produtor mora comigo lá, tem estúdio lá também. Cara, quando eu não estou treinando, fico em casa, no estúdio, estou produzindo. É bem tranquilo."
"(Sobre o nome artístico) Foi algo assim, bem engraçado. Eu estava em casa e meus amigos estavam assistindo um filme. Só lembro que ficou na minha mente o nome Spark, foi o que me chamou a atenção, porque tinha um personagem que, tipo, o nome dele era Spark alguma coisa, não lembro agora. E aí eu falei ‘Cara, esse nome é muito legal’. Quando eu lançar meu projeto, vou colocar esse nome", explicou Spark (ou Talisca).
Em suas músicas, como "Felina", "Sou Eu" e "Brisa", Spark coloca tudo aquilo que vive fora dos gramados, especialmente os relacionamentos amorosos. No mês de junho, Talisca lançou a música "Medusa", que já conta com milhares de ouvintes.
"Eu ainda estou no processo de construir o sucesso, buscar novas bases de fãs, buscar novos ouvintes para a minha música. Só que tem músicas que a galera já conhece algumas letras, não é sucesso. Como Felina, Sou Eu, é que a galera escuta, conhece. Tem uma música agora Medusa que a galera está ouvindo bastante."
Crítica aprova Spark?
João Marcello Bôscoli, crítico e produtor musical, se surpreendeu com o desempenho de Talisca na indústria musical e acredita em um futuro promissor do jogador brasileiro no trap.
"Quando eu vi o Spark eu ouvi por esta razão: é um atleta fazendo música. Aí falei ‘Que interessante’. Fui ouvir e falei 'Caramba, ele está exatamente no olho do furacão'. Ele realmente sabe o que está fazendo, não é alguém que parece um forasteiro. Belo som, está dentro da linguagem completamente. Quando eu fui entendendo quem era ele, eu falei 'Caramba, ele realmente gosta'. Para ele se dedicar e para ele ter essa sonoridade, ele realmente gosta e tem talento", analisou Bôscoli, em entrevista à ESPN.
Para alguém já acostumado a emocionar tanta gente com gols e belas jogadas, o próximo passo é fazer isso também nos palcos. No final de junho, Spark se apresentou em Florianópolis, Santa Catarina, na turnê Trap All Black ao lado de artistas renomados do gênero, como KayBlack e TZ da Coronel.
"Os meus maiores sonhos na música é realmente fazer muito sucesso, continuar transformando famílias e pessoas com ela, não só com futebol, mas com a música também. Sonhar, criar, conquistar, ajudar e realmente ter projetos na rua junto com a música. Porque a música é isso, a música é felicidade", finalizou Anderson Talisca (ou Spark).
