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Após 'não' ao Liverpool, André segue na mira da Premier League, que o vê como 'sucessor natural' de Casemiro

Dos torcedores do Fluminense que viajaram do Rio de Janeiro a Jeddah, na Arábia Saudita, para o Mundial de Clubes da Fifa, a maioria veste a camisa com o nome André estampado nas costas. O volante de 22 anos é a estrela da equipe, mas o torneio da Arábia Saudita também pode ser sua última atuação pelo clube brasileiro.

Tendo ficado para ajudar a vencer a CONMEBOL Libertadores - e assim se classificar para o Mundial de Clubes - ele está pronto para seguir os passos de muitos dos melhores jovens jogadores do Brasil e se mudar para a Europa. Isso pode acontecer ainda nesta janela de transferências de janeiro de 2024.

A torcida do Fluminense está determinada a aproveitá-lo enquanto pode, e a vitória por 2 a 0 sobre o Al Ahly, significa que André jogará pelo menos mais uma partida pelo clube ao qual ingressou, aos 12 anos, quando enfrentar o Manchester City na decisão do Mundial.

Não há nenhum ressentimento por parte do clube ou de seus torcedores – longe disso – e há uma sensação de que André já fez mais do que a sua parte pelo Fluminense. Os primeiros rumores de uma mudança para a Europa começaram a circular há um ano. Mas, mesmo nessa altura, André falava em permanecer para tentar ganhar a Libertadores.

Não era como se aquele torneio representasse uma certeza - o Fluminense não era apontado como favorito - mas André quis tentar mesmo assim. No verão europeu, o Liverpool tentou uma aproximação enquanto o técnico Jurgen Klopp tentava reconstruir seu meio-campo sem Jordan Henderson e Fabinho, mas novamente André disse não.

Em público, o Fluminense disse estar encantado. Mas, nos bastidores, muitos funcionários o procuraram para perguntar se ele tinha certeza de que foi a decisão certa. “Uma coisa é dizer não aos clubes de Portugal ou da Rússia, mas foram a Premier League e o Liverpool”, disse uma fonte à ESPN. No final, valeu a pena quando, em novembro, o Fluminense venceu o Boca Juniors por 2 a 1 após prorrogação e conquistou a Libertadores pela primeira vez em sua história.

Já um herói que passou pela academia para chegar ao time titular, André consolidou seu legado e, quando chegar a hora, será considerado uma lenda do clube.

Seja em janeiro ou no meio de 2024, a visão do Fluminense é que eventualmente ele terá que sair. O clube está numa posição financeira muito mais estável do que há um ano, mas a potencial taxa de transferência de 35 milhões de euros (R$ 187 milhões) ainda é necessária para ajudar a equilibrar as contas.

O interesse do Liverpool diminuiu desde as contratações de Alexis Mac Allister, Dominik Szoboszlai, Ryan Gravenberch e Wataru Endo, mas Arsenal, Manchester United e Fulham estão entre os outros clubes vinculados.

O Fluminense ainda não recebeu nenhuma oferta antes da janela de janeiro e há uma sugestão de que eles poderiam esperar até o verão – quando os clubes europeus costumam fazer a maior parte de seus negócios de transferências – para maximizar seus lucros.

A preferência de André é mudar-se para Inglaterra, mas o Fluminense tem-se mantido firme na exigência de uma verba próxima dos R$ 187 milhões. O Fulham, em particular, poderá busca-lo caso o Bayern de Munique volte a negociar pela compra de João Palhinha.

Tão confortável jogando no centro da defesa quanto na base do meio-campo, a equipe do Fluminense acredita que o físico e a habilidade técnica de André com a bola o tornariam uma escolha perfeita para a Premier League, mas nem sempre foi assim.

Nascido no interior do Brasil, onde seu pai trabalhava em uma fazenda de cacau, André chegou ao Fluminense há dez anos como atacante. Não sendo um jogador que ganhou as manchetes na adolescência como Neymar ou Endrick, André teve que comprar um telefone para sua família para manter contato durante seus primeiros dias no clube.

Apesar da grande visibilidade, André é titular do time titular do Fluminense há apenas três temporadas e, antes de estrear, em setembro de 2020, estava prestes a sair por empréstimo.

No entanto, as lesões no plantel obrigaram-no a permanecer e, desde o início da campanha de 2021, disputou 153 jogos. Ele fez sua estreia pela seleção em junho e tem feito questão de seguir os conselhos de Casemiro, capitão do Brasil. A conexão faz sentido. Ele é visto como o sucessor natural do meio-campista do Manchester United.

Casemiro, que completará 32 anos em fevereiro, faz parte de uma geração de atletas, que também inclui Thiago Silva, de 39 anos, e Marcelo, de 35 anos, crias de Xerém, que retornou ao clube após se tornar um dos maiores nomes da história do Real Madrid.

Tanto Thiago Silva quanto Marcelo deixaram o Brasil para se tornarem estrelas na Europa, e André é o próximo na fila para fazer a mudança. O primeiro, porém, é a final do Mundial de Clubes, onde ele terá a oportunidade de melhorar ainda mais a sua reputação.