O 'rolé aleatório' mais grave da carreira de Ronaldinho Gaúcho completa três anos. Foi no dia 24 de agosto de 2020 que o craque brasileiro e seu irmão Assis deixaram o Paraguai após ficarem quase seis meses detidos por entrarem com documentos falsos no país.
Após um mês na penitenciária Associación Especializada de Assunção, onde ficou em prisão preventiva, a dupla foi autorizada pela Justiça do Paraguai a cumprir a pena em regime domiciliar.
Mediante ao pagamento de US$ 1,6 milhão - US$ 800 mil cada -, o que correspondia a R$ 9,2 milhões na época, Ronaldinho e Assis se mudaram para o luxuoso Hotel Palmaroga, localizado em Assunção.
No centro da cidade, o hotel, que possui donos espanhóis, tem estilo neoclássico e oferece aos hóspedes uma mistura de tradição, cultura, vanguarda e conforto.
Três anos depois, o ESPN.com.br esteve no local para descobrir como era a rotina do pomposo hotel no período de quatro meses em que os irmãos ficaram por lá.
Da prisão ao luxo
Se na prisão no Paraguai Ronaldinho e Assis dividiam uma cela de seis metros de comprimento por três de largura, com duas camas de solteiro, uma geladeira e uma televisão, que o craque mandou comprar, a ida para o hotel trouxe uma realidade bem distinta.
Ao todo, o Hotel Palmaroga conta com 107 quartos, divididos em oito modelos. Ronaldinho e Assis ficaram nos mais luxuosos, se hospedando nas suítes presidenciais número 104 e 105. Atualmente, as habitações passam por reformas, e as diárias estão avaliadas em US$ 395 (R$ 1951).
O quarto do ex-meia de Barcelona, Milan, Paris Saint-Germain, Grêmio, Flamengo e Atlético-MG comportava, além de serviços comuns de hotéis, como lavanderia, café da manhã e serviço de quarto, uma cama king size, duas TV's 4K, sendo uma de 45' e a outra de 55', banheira com hidromassagem, roupão, pantufas, cozinha e banheiro social, simulando um apartamento com sala e cozinha.
O jogador também tinha à disposição academia e piscina. No entanto, a circulação e a rotina de Ronaldinho no Hotel Palmaroga são, até hoje, alvo de muito mistério.
História guardada a sete chaves
O ESPN.com.br teve acesso somente ao andar em que os quartos de Ronaldinho e Assis se localizavam. O gerente da recepção, que não quis se identificar, não autorizou a reportagem fazer imagens do local, somente deu os detalhes - em poucas palavras - do que os dois tinham à disposição nas habitações.
E o período em que os dois irmãos estiveram no empreendimento situado na emblemática Rua Palma, no centro de Assunção, é guardado a sete chaves.
Após a pandemia, o hotel passou por uma longa reforma. E não foi somente na infraestrutura do prédio que quem comanda internamente resolveu mexer. Praticamente toda a equipe de funcionários foi trocada.
Os novos nomes pouco ou sequer conheciam o 'rolé aleatório' de Ronaldinho no Paraguai. Já os remanescentes tratavam a história com muito mistério e se recusavam a dar mais detalhes.
'Não muda nada ele ter ficado aqui'
Alfredo - como quis se identificar - é um empresário uruguaio que estava a negócios no Paraguai. Torcedor do Peñarol, ele afirmou que é fã da carreira de Ronaldinho Gaúcho, mas o fato do craque ter ficado no hotel não foi um dos motivos de sua escolha e muito menos enche os seus olhos.
“Para mim não muda nada ele ter ficado aqui. Conheço a história do Ronaldinho, sei que foi um grande jogador, mas, a realidade é que estar em um hotel que ele esteve, para mim, não me toca de nenhuma maneira. Não tem nada aqui que identifique ele, então não é algo que eu me preocupo”, disparou.
O caso Ronaldinho
Ronaldinho Gaúcho e Assis foram presos no Paraguai no dia 6 de março de 2020, dois dias após ingressarem no país utilizando documentos falsos. Os registros foram entregues pelo empresário Wilmondes Souza Lira.
Lira era o intermediário entre os irmãos e a empresária Dalia Lopez, que teria convidado Ronaldinho para participar de um evento social de uma suposta ONG em Assunção.
O 'Bruxo' e Assis seriam liberados após pagamento de multa. No entanto, por um pedido do Ministério Público do Paraguai, para investigar possíveis crimes envolvidos, a prisão preventiva foi decretada. O fim da investigação resultou em diversas prisões de agentes públicos paraguaios envolvidos em esquemas de fraudes de documentos e evasão de divisas.
Um mês depois de ficarem detidos na penitenciária Associación Especializada de Assunção, quartel da Polícia Nacional do Paraguai transformada em cadeia de segurança máxima, na quarta tentativa da defesa, tiveram o pedido aceito pelo juiz paraguaio Gustavo Amarilla para converter a pena em regime domiciliar, que se iniciou no dia 7 de abril.
Depois de 171 dias presos no Paraguai, a dupla chegou a um acordo com a Justiça para retornar ao Brasil. Em pedido feito pelo Ministério Público do Paraguai e aceito pela defesa dos irmãos, foi paga uma multa de R$ 1,1 milhão e aceita pelo juiz Amarilla para encerrar o caso.
