<
>

Tudo (menos futebol) com Samuel Xavier, do Flu - O segredo para ganhar no Tazo e uma aula de NBA: 'Harden não pode fazer panela'

Neste sábado (5), o Fluminense recebe o Palmeiras, no Maracanã, às 21h (de Brasília), pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Para vencer o Verdão no "duelo de seis pontos" pela Série A, o Tricolor aposta em mais uma boa partida do lateral-direito Samuel Xavier, que inclusive foi o herói do empate com o Argentinos Juniors, na última terça-feira (1º), pela CONMEBOL Libertadores, marcando um golaço nos minutos finais da partida.

Conhecido como um dos "reis da resenha" do futebol nacional, Samuel é o convidado da vez do Tudo (menos futebol), programa de entrevistas da ESPN em que os jogadores falam sobre tudo (menos futebol).

Em uma conversa muito divertida, ele contou diversas histórias de sua vida, desde as brincadeiras da infância até a adolescência marcada por um trabalho que rendeu altas confusões, e contou os bastidores mais engraçados do Flu.

Fanático por basquete, ele ainda deu aula de NBA e deu um conselho ao craque James Harden, do Philadelphia 76ers.

O segredo para ganhar no Tazo

Nascido em São Paulo, Samuel Xavier Brito morou na infância com seu pai, sua mãe e um irmão sete anos mais velho, que é até hoje um de seus maiores "parças".

Quando moleque, ele gostava de aprontar, mas foi aos poucos entrando na linha.

"Eu era um moleque bem atentado quando novinho. Minha mãe sempre me falava: 'Quantas poucas e boas a gente viveu...' (risos). Depois eu cresci e fiquei mais bonzinho, eles ficaram aliviados", divertiu-se.

Criança agitava, Samuel amava brincar na rua. Era craque na bolinha de gude e no pega-pega, e ficou conhecido como o "rei do Tazo" (para os mais jovens, eram pequenos brinquedos colecionáveis que vinham dentro de embalagens de salgadinhos e foram uma sensação no Brasil nos anos 90).

Sem cerimônia, ele revela que tinha um segredo imbatível para ganhar os Tazos dos amigos nas disputas.

"Era só dar uma lambidinha do lado do Tazo que ele grudava no outro e virava na hora de jogar. Não falhava nunca! Ganhei muitos Tazos assim (risos)", gargalhou.

Samuel também costumava ser o primeiro escolhido na hora do tradicional futebol de rua, que costumava terminar em briga quando a bola passava por cima dos chinelos que serviam como "traves".

"Quando isso acontecia, a gente tinha que chamar o VAR, que era quem estava de fora. Aí eles falavam se tinha passado mais por cima do chinelo ou mais por fora", brincou.

A namorada e as lições

Como ocorre com a maior parte das crianças, ir para a escola era um tormento para o jovem Samuel Xavier.

"Eu odiava acordar cedo, detestava mesmo. Mas meus pais sempre falaram que era muito importante estudar, então eu ia...", ressaltou.

Mas foi na escola que ele acabou conhecendo sua esposa, Karina, que era sua companheira de sala - e inclusive foi decisiva em sua formação.

"Eu conheci a Karina bem cedo na escola e logo começamos a namorar. Graças a Deus, ela fazia as lições pra mim. Foi assim que me formei 'à força' (risos)", contou.

A história de Samuel e Karina, aliás, foi brevemente interrompida depois que ele passou num teste do Paulista de Jundiaí e se mudou de São Paulo.

No entanto, estava escrito nas estrelas que eles seriam um casal cheio de amor.

"Quando eu consegui me estabilizar, comprei um carrinho e aí eu ia para São Paulo para vê-la. Voltamos a namorar, casamos e hoje temos dois filhos!", exaltou.

As incríveis histórias dos limpadores de carpete

Antes de se enveredar pelo futebol, Samuel trabalhou em empregos mais "mundanos" para ganhar um dinheiro quando jovem.

"Meu primeiro emprego foi fazendo aqueles cartazes de supermercado, junto com meu irmão. Sabe aqueles assim: 'Banana R$ 10 o quilo'? Eu que fazia e desenhava!", recordou.

No entanto, o trabalho que rendeu histórias impagáveis foi como limpador de carpetes, quando ele e sua equipe de amigos se especializaram em fazer serviços na casa de várias celebridades, como atores, atletas e empresários de sucesso.

"Eu trabalhava numa empresa de um amigo meu, chamado Gilberto, e íamos para as regiões mais nobres da cidade, como Jardins. Fiquei um ano trabalhando nisso e eu era bom de serviço. A gente ia bastante na casa dos famosos", relatou.

"Lembro que fomos na casa do (ator) Fábio Assunção e do Freddy Rincón [ex-jogador de Corinthians, Palmeiras, Santos e seleção colombiana]. Rapaz, mas já cheguei a entrar em alguns apartamentos que a sala era do tamanho de um campo de futebol, gigante mesmo (risos)", brincou.

"Eram cheios de enfeites feras, aquelas vasos dourados, parecia coisa de novela! Eu ficava bobo (risos)", gargalhou.

Bem-humorado, Samuel diz que tem milhares de histórias engraçadas dos tempos de limpador de carpetes. Às vezes ele mal consegue conter as risadas ao lembrar episódios cômicos que viveu em meio ao luxo da capital paulista.

"Teve uma casa que eu fui que era gigantesca, tinha uma piscina com o nome da família no meio. Lembro que eles tinham um cachorro bonito, três carros e uns seguranças gigantes, mas os donos da casa nunca estavam, só víamos os funcionários", recordou.

"Daí veio esse cachorro grandão, lindo mesmo, passei a mão nele e comecei a brincar, ele era bonzinho. Nisso chega meu amigo Lucas correndo falar comigo, desesperado. 'Para de brincar com esse cachorro, cara!', ele gritou, e eu perguntei: 'Por que, ele morde?'. Aí ele, com aquela cara de assustado: 'Não, velho, o segurança me contou que o dono comprou o bicho na Suíça e pagou mais de US$ 20 mil' (risos)", sorriu.

"Aí lógico que eu saí de perto na hora (risos). Pensei: 'Deixa eu sair fora, porque se acontece alguma coisa com esse cachorro eu vou ter que trabalhar de graça pelo resto da vida pra esse cara (risos)", divertiu-se.

Xavier também teve problemas com outros tipos de animais.

"Teve uma resenha boa quando fomos fazer um serviço na casa de um dos donos das 'Lojas Americanas'. Eu nem lembro o que fiz, mas sei que dei um susto e quase matamos um tucano que ele tinha em casa (risos)", relembrou.

Outro episódio que ele chora de rir ao contar foi o do dia em que levou um choque e acabou virando motivo de piada entre os outros funcionários da firma.

"Uma vez queimei uma máquina de limpar carpetes. A gente limpava uma escola americana no Morumbi, gigantesca e cheia de gringos. Fomos limpar a biblioteca e eu estava mexendo no líquido que a gente usa no balde, aí minha mão ficou toda molhada. Então o Gilberto falou: 'Samuel, liga a máquina lá na tomada e vamos começar'. Eu até dei uma enxugada, mas quando liguei na tomada ainda estava molhado e deu aquele estouro. Levei um p*** choque e caí pra trás", lembrou.

"Saiu uma fumaceira, um monte de faísca e queimei a máquina dos caras (risos). Ainda bem que não pegou no carpete, senão imagina o prejuízo. O trabalho acabou e tivemos que ir embora sem ganhar um centavo. Eu levei um susto, o choque foi muito forte, fiquei tremendo até. Aí quando olhei pra trás a rapaziada que me ajudava estava toda rindo de mim. São meus amigos, mas são traíras demais (risos)", disparou.

Filme? Difícil é ficar acordado...

Quando não está suando a camisa pelo Fluminense em campo, Samuel adora passar tempo com sua família, formada pela esposa e pelos filhos.

"Nós somos muito grudados. Brincamos muito aqui no nosso condomínio. Não consigo ficar longe deles", confessa.

O lateral, porém, leva frequentes broncas de sua filha porque sempre dorme na hora que todos se reúnem para assistir filmes ou séries na TV.

"Eu não aguento mais que 20 minutos. Quando acaba a pipoca, pra mim já era (risos)", revelou.

"Minha filha me cobra: 'Pô, pai, vê se aguenta ver pelo menos a metade!', e eu respondo: 'Filha, o papai tá cansado, tive que correr atrás do ponta driblador dos caras hoje (risos)'", gargalhou.

As roupas de Keno e Nino

Nos bastidores, Samuel é conhecido por esbanjar estilo.

Uma de suas marcas registradas é sua barba impecável, que ele costuma arrumar bem sempre antes de entrar em campo.

"Cuido muito da barba. Deixo sempre 'na régua' antes dos jogos. O cabelo infelizmente não tenho muito, mas a barba está nos trinques!", garantiu.

Na hora de se vestir, ele conta que gosta de acompanhar as tendências da moda, mas prefere apostar em opções mais discretas.

"Sou o mais estiloso do Fluminense. Faço o arroz-com-feijão bem feito e arrebento a concorrência (risos)", sorriu.

Situação muito diferente vivem alguns de seus companheiros nas Laranjeiras, com ele revela.

"O pior de se vestir é o Keno. Pelo amor de Deus... Ele usa umas roupas coloridas que... Não sei nem o que dizer (risos). Eu falo pra ele: 'Você já é craque, já aparece bastante, não precisa meter essa roupa'", brincou.

"Tem o Nino também. Rapaz, outro dia ele foi com uma roupa que a única coisa que eu consegui falar: 'Meu amigo, um zagueiro de seleção brasileira se vestir assim não dá!'", exclamou.

Na hora da música, o golpel é seu som preferido. No entanto, segundo Samuel, o Fluminense vive uma verdadeira "crise" no quesito "DJs dos vestiários".

"O Cano era o DJ, mas ele largou... Depois, o André tentou emplacar, mas tudo que ele escolhia era horrível! Foi demitido também (risos). Como DJ, ele é um ótimo volante", disparou.

Bom de garfo, o lateral adora comida japonesa e churrasco. Inclusive, virou um especialista nas carnes nos tempos em que atuou no Ceará.

"Meu churrasco era ruim, mas tive um colega de Ceará, o Ricardinho, que me ensinou os segredos para caprichar na carne. Agora sou craque!", assegurou.

Conselho para James Harden

Samuel Xavier adora ver esportes pela TV, como tênis e Fórmula 1. No entanto, seu favorito é o basquete da NBA.

Fã de Stephen Curry, Klay Thompson, LeBron James e James Harden (inclusive por causa da barba parecida), ele deu um conselho ao astro do Philadelphia 76ers, que vem há anos montando "supertimes" para tentar ser campeão, mas sem sucesso.

"O 'Barba' está fazendo muita panela! Ele tem que montar um time mais humilde e ser a estrela. Aí ele vai conseguir o anel de campeão que ele tanto quer", ensinou.

O jogador do Fluminense acompanhou com afinco as últimas finais, vencidas pelo Denver Nuggets, e contou que ficou impressionado com a frieza do sérvio Nikola Jokic ao comemorar o título.

"Cada um comemora ao seu jeito, né? Ele é mais sério, praticamente nem sorriu. Já eu sou muito diferente (risos). Extravaso bastante, até demais!", divertiu-se.

Dono de cafeteria?

Aos 33 anos, Samuel diz ainda ter muita lenha para queimar no futebol profissional.

Depois que pendurar as chuteiras, porém, ele já sabe o que quer fazer.

"Tenho muita vontade de abrir uma cafeteria! Faz tempo que estou pensando nisso. Acho que vou me dar bem no ramo", contou.

Mas ele ainda não sabe se isso será em São Paulo, sua cidade-natal, ou no Rio, lugar que aprendeu a amar.

"Ainda estou decidindo... Falo muito com minha família sobre isso. Gostamos do Rio, mas também curtimos muito São Paulo, por causa das nossas famílias e das muitas amizades que ainda temos", observou.

Amigos na capital paulista, aliás, é o que não falta!

"Toda vez que vou jogar em São Paulo, parece que tem a 'torcida organizada Samuel Xavier' (risos). Tenho que separar uns 30 ingressos para a turma, senão eles brigam comigo (risos)", encerrou.

Próximos jogos do Fluminense