Pelé teve COVID-19 e outras duas alterações importantes nos dias anteriores à sua internação, às pressas, no Hospital Albert Einstein
Pelé teve COVID-19, apresentava ronco pulmonar e tinha frequência cardíaca abaixo do normal antes de ser internado, apurou a ESPN. Tudo isto mais o quadro de anasarca (inchaço generalizado) fizeram com que o Rei do Futebol, de 82 anos, fosse levado às pressas para o Hospital Albert Einstein, na zona Sul de São Paulo, na noite da última terça-feira (29).
Até então, ele seguia sob tratamento contra o câncer já metastático em sua casa no Guarujá, litoral paulista – a doença foi oficialmente diagnosticada no cólon (intestino) em setembro de 2021 e depois, como revelou com exclusividade a ESPN em janeiro deste ano, chegou a outros órgãos, como fígado e pulmão.
Importante: é o tumor no pulmão, inclusive, que não apresentou regressão com a quimioterapia.
Nos detalhes dos dias anteriores à internação que a reportagem pôde saber, o ronco pulmonar já era um sintoma do que foi constatado nos exames realizados na quarta-feira (30), no Einstein: Pelé tem uma broncopneumonia, que é uma inflamação em estruturas pulmonares como brônquios e alvéolos. A mesma está sendo tratada com antibióticos.
A ESPN adiantou o diagnóstico na quinta (1º), o que o boletim médico divulgado na sexta (2) confirmou. E também já tinha informado na quarta (30) os motivos da internação, não programada, e que a quimioterapia realizada nos últimos meses não apresenta mais respostas.
Já a COVID-19 foi confirmada um pouco antes, no dia 17 de novembro, após o teste ao qual o Rei foi submetido ter dado positivo. Naquele período, tomou remédios específicos para controlar dor e febre.
Por fim, a baixa frequência cardíaca. Tecnicamente chamada de bradiarritmia ou bradicardia, é quando o coração trabalha em um ritmo abaixo do considerado normal, ou seja, mais lento do que deveria. Foi o que se deu com o de Pelé pelo menos nos últimos quatro dias antes de ele ser internado.
Quando os batimentos por minuto (bpm) estão abaixo de 60, considera-se o quadro acima, e o coração do Rei chegou a ficar entre 40 e 45 bpm.
Ainda que muito debilitado, o Atleta do Século 20 e único jogador três vezes campeão de Copa do Mundo (1958, 1962 e 1970) sempre esteve nestes últimos dias pré-internação com os sinais vitais controlados – pulso, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura. O mesmo se dava para a parte hemodinâmica - pressão e circulação sanguíneas em níveis normais, sem a necessidade de intervenção medicamentosa ou mecânica.
Rei segue internado
Neste domingo (4), sexto dia de internação de Pelé, o Hospital Albert Einstein não divulgou um novo boletim médico - o último é de sábado (3), veja mais abaixo o que ele diz.
Também no sábado, a Folha de S. Paulo informou que o Rei está sob cuidados paliativos exclusivos. Por conta disso, ele permanece em um quarto comum e não vai para a unidade de terapia intensiva (UTI), dada a fragilidade em que se encontra.
Familiares do Rei afirmam que sua internação é de rotina.
Veja, abaixo, o último boletim médico na íntegra
Edson Arantes do Nascimento foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein na última terça-feira (29) para uma reavaliação da terapia quimioterápica do tumor de colón, identificado em setembro de 2021. Ele segue em tratamento e o estado de saúde continua estável. Tem tido boa resposta também aos cuidados na infecção respiratória, não apresentando nenhuma piora no quadro nas últimas 24h.
Dr. Fabio Nasri, geriatra e endocrinologista no Hospital Israelita Albert Einstein
Dr. Rene Gansl, oncologista no Hospital Israelita Albert Einstein
Dr. Miguel Cendoroglo Neto, Diretor-Superintendente Médico e Serviços Hospitalares do Hospital Israelita Albert Einstein
