Thomas Tuchel e Antonio Conte protagonizaram discussão quente após empate entre Chelsea e Tottenham pela Premier League
A acalorada discussão entre Thomas Tuchel e Antonio Conte no clássico entre Chelsea e Tottenham, no domingo (14), rodou o mundo do futebol e chocou muita gente por não ser uma cena tão corriqueira no esporte.
Mas, se o italiano e o alemão ficaram muito perto de se agredirem no gramado de Stamford Bridge, essa está longe de ser a primeira vez que acontece um bate-boca mais rígido entre treinadores nas principais ligas do futebol mundial.
O rol de brigas entre professores, aliás, costuma ter muita gente importante. José Mourinho, em fase mais zen desde que chegou à Roma, já foi protegonista direto de várias imagens constrangedoras na beira do campo.
Talvez a maior tenha sido em 17 de agosto de 2011, quando o Special One aproveitou um dos muitos entreveros entre jogadores de Barcelona e Real Madrid e, sem nenhum pudor, enfiou o dedo em um dos olhos de Tito Vilanova, na época assistente de Pep Guardiola. Pelo ato, o português foi suspenso por dois jogos e pagou uma multa de 600 euros, o equivalente a R$ 1,5 mil naquele ano.
"O que fiz não deveria ter feito. Óbvio que não. Mas não sou idiota que faz as coisas sem haver uma história por trás que tenha me deixado perder o controle", disse Mourinho, um ano após o acontecido.
Na Inglaterra, Mourinho também se envolveu em confusões, a ponto de tirar alguém normalmente calmo do sério. Em 2014, o então treinador do Arsenal Arsène Wenger empurrou o rival e causou certo tumulto durante vitória por 2 a 0 do Chelsea. Os dois trocaram farpas por anos.
"Não me arrependo disso. Do que tenho de estar arrependido, afinal? Queria ir do ponto A ao ponto B e alguém surgiu no meu caminho e impediu que eu chegasse onde eu planejava", esbravejou Wenger.
Conte também brigou com Mourinho, em 2017, durante um clássico entre o Chelsea, dirigido pelo italiano, e o Manchester United. O ápice da treta foi quando o português reclamou, em clara referência ao desafeto, que alguns técnicos na Inglaterra agiam "feito palhaços". Os dois se encararam na beira do campo, durante um clássico, e tiveram que ser separados.
A Premier League viu outras brigas relevantes que quase acabaram em agressão. A última delas antes de Tuchel x Conte foi na temporada passada, em Anfield, durante clássico entre Liverpool e Arsenal, em novembro de 2021.
Mikel Arteta ficou enfurecido com uma entrada dura de Sadio Mané em seu jogador e partiu para cima do quarto-árbitro. Jürgen Klopp entrou no bate-boca e fez com que o clima só esquentasse. No fim, a discussão apenas incendiou o ambiente em Anfield e ajudou o Liverpool a enfiar 4 a 0 no Arsenal.
Jorge Jesus x Lopetegui
Em Portugal, quem não escapou de um embate físico foi Jorge Jesus. Muito antes de conquistar a torcida do Flamengo no Brasil, o Mister teve um entrevero inusitado com Julen Lopetegui em um clássico entre Porto e Benfica em 2015.
Lopetegui, que mais tarde dirigiria rapidamente o Real Madrid, ficou irritadíssimo por Jesus ter errado seu nome e foi cobrá-lo disso ao fim do jogo. O Mister, que no início pareceu não entender o motivo da queixa, depois respondeu o gesto com indignação até a chegada da turma do "deixa disso".
"O treinador do Benfica fala muito sobre todos. Quando joguei tinha respeito por todos os colegas, mas por ele já perdi o respeito. É mais fácil falar quanto estás debaixo do manto protetor. No dia em que deixar esse manto protetor conhecerá a realidade", reclamou Lopetegui.
"Para mim, ele subiu de cotação. Lopetegui é um homem corajoso. Um líder como homem. A qualidade como treinador é outra coisa", rebateu Jesus.
Agressão na Itália
Além de todas as citadas, já houve agressão de fato no Campeonato Italiano. Na primeira rodada da temporada 2007/08, o Parma recebia o Catania em sua casa, em partida que terminaria empatada em 2 a 2. Nada muito relevante a ser lembrado, a não ser pela desavença entre os dois treinadores.
Silvio Baldini, do Catania, acertou um chute nas nádegas de Mimmo di Carlo, do Parma, alegando ter sido provocado pelo adversário momentos antes. A confusão parou aí porque, antes de qualquer reação do agredido, vários entraram no meio para impedir. O fato rendeu uma suspensão de cinco jogos a Baldini, além de um pedido de desculpas.
