À ESPN, Ciana Ramos, mãe do goleiro Cássio, relembrou o 'dia interminável' quando seu filho conquistou a inédita taça da Conmebol Libertadores pelo Corinthians
04 de julho de 2012. Foi exatamente neste dia, há uma década, que o Corinthians conquistou a Glória Eterna. O título inédito da Conmebol Libertadores daquele ano marcou os torcedores alvinegros, que se recordam com detalhes de onde estavam e o que faziam naquele dia.
Mas o feito diante de quase 38 mil pessoas no Estádio do Pacaembu segue vivo na memória de pessoas que acompanharam o jogo de gente que com um sentimento dobrado: pelo título e por aqueles que estavam em campo.
Esse é o caso de Ciana, mãe do goleiro Cássio, ídolo do clube e um dos grandes responsáveis por pintar a América com as cores do Timão pela primeira vez.
A família tinha a tradição de se reunir na pequena casa em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul, para torcer pelo então camisa 24. As superstições não paravam por aí: falando à ESPN, Ciana contou que todos tinham seu próprio lugar definido para sentar e acompanhar as partidas. E isso se seguiu até a última partida.
“A minha casa era pequena para a gente assistir futebol. Toda quarta-feira tinha Libertadores. Nessa sala aqui não tinha lutar para sentar, mas cada um tinha o seu lugar específico. Minha mãe, amigos, todos nos reunidos aqui em casa para ver os jogos”, lembrou a mãe do goleiro.
“Quando tinha um gol, a casa vinha abaixo. A gente nem se importava com vizinhos, não estávamos nem aí com nada. Eu já tinha assistido aos jogos na Holanda, né? Mas aqui foram jogos caseiros, uma coisa bem emocionante junto com a família, sempre unidos”.
No entanto, naquele 4 de julho o clima era diferente. O empate em 1 a 1 com o Boca Juniors na primeira partida da final, em La Bombonera, deixou a decisão para o Pacaembu ainda mais emocionante.
Em Porto Alegre, a família do goleiro já se apertava na sala para assistir ao jogo. Mas o ritual começou muito antes para a mãe de Cássio.
“Aquele dia eu jamais vou me esquecer: coloquei água na boca para escovar os dentes e até acabar o jogo eu jejuei. Assisti ao jogo sem colocar nada na boca”, contou.
“Naquele dia nós ficamos aqui em casa, eu e minha irmã. Deixei a porta aberta, sentei no meu lugar e ela no dela. E aí começou a chegar gente. Foi um jogo muito emocionante, eu chorei bastante. Orei, rezei, tudo o que tinha direito eu fiz”.
Após o filho ter sido fundamental para a conquista do Corinthians, que terminou com vitória por 2 a 0 diante do Boca Juniors, a festa demorou para acabar.
“Naquele dia, depois que terminou o jogo, eu não tive mais sossego até a tarde. Era repórter, televisão, gente chegando, muitas ligações. As gurias diziam: ‘Vem aqui, o Cássio está dando entrevista’. Nós fizemos uma passeata. Eu não sabia se olhava a televisão, se atendia o telefone, não sabia o que eu fazia. Assim, bem fora da casinha. Eu estava muito alegre, chorei bastante e foi tudo maravilhoso”.
O título da Conmebol Libertadores foi o primeiro de Cássio com a camisa do Corinthians. Dez anos depois, o goleiro tem seu nome escrito na história do clube e vê crescer dia após dia os debates sobre estar entre os melhores jogadores de todos os tempos no Parque São Jorge.
Com 598 jogos defendendo a camisa alvinegra (quarto lugar no ranking dos que mais entraram em campo pelo Timão), o camisa 12 tem nove títulos conquistados: além da própria Libertadores, faturou ainda um Mundial de Clubes da Fifa (2012), uma Recopa Sul-Americana (2013), dois títulos do Campeonato Brasileiro (2015 e 2017) e quatro do Campeonato Paulista (2013, 2017, 2018 e 2019), estando a uma taça de ser o jogador mais vezes campeão na história alvinegra.
