Em entrevista à ESPN, Eduardo Carlezzo, advogado contratado pelo Chile, disse ter provas suficientes que comprovam irregularidades na escalação de Byron Castillo, lateral-direito da seleção do Equador
O Comitê Disciplinar da Fifa deu por encerrado, nesta sexta-feira (10), o processo aberto pela Federação Chilena de Futebol contra a Federação Equatoriana de Futebol e decidiu manter o Equador na Copa do Mundo de 2022.
Os chilenos, no entanto, vão recorrer da decisão. Eles alegam que Byron Castillo, lateral-direito da seleção equatoriana, atuou com documentações irregulares em partidas das eliminatórias. Isto poderia causar a perda de oito pontos da equipe, que ficaria sem a vaga para o Mundial.
Contratado pela Federação Chilena, Eduardo Carlezzo, advogado brasileiro, falou com exclusividade à ESPN e disse que a própria Copa do Mundo, com início em 21 novembro, é o ‘’maior inimigo’’ dos chilenos no processo, visto que faltam pouco mais de cinco meses para o evento.
''O grande inimigo da nossa reclamação não é a posição equatoriana. Na realidade no Equador nunca foi explicado qual é o passado do atleta, como ele nasceu, em qual hospital ele nasceu, onde foi batizado, não há uma vírgula de comentário. Essa ausência de justificativa por parte do Equador é suspeita’’, disse o advogado.
''O nosso grande inimigo é o próprio Mundial, que já está sorteado, com uma organização em andamento, com grupos e partidas definidas, entradas sendo vendidas. Essa questão com certeza tem peso na resolução do assunto’’, disse Carlezzo.
O brasileiro, no entanto, ainda confia que a seleção conseguirá o que é necessário para ir à Copa no final do ano, uma vez que tem provas suficientes que comprovam tais irregularidades nas documentações de Castillo.
''Nós fizemos uma investigação profunda com relação ao histórico do jogador e ao seu passado. Foi possível identificar de uma maneira muito clara que ele nasceu na cidade de Tumaco. Nós conseguimos sua certidão de nascimento, de batismo, além da certidão de nascimento da mãe, que é de Tumaco, a certidão de matrimônio dos pais.... Nós sabemos que a mãe e filha ainda vivem em Tumaco, na Colômbia’’, disse antes de concluir:
''Por outro lado, com relação a certidão de nascimento equatoriana do atleta, nós temos provas vindas do Equador, um informe jurídico da Direção Nacional de Registros do Equador que declarou que o documento era falso, bem como o parecer de uma investigação da Federação Equatoriana de Futebol, que também declarou que o jogador é colombiano. Portanto, nós vamos seguir com o recurso porque temos muitas provas, tanto em qualidade quanto em quantidade’’ encerrou o advogado.
Entenda o caso
Tudo começou no dia 5 de maio, quando a Federação de Futebol do Chile enviou uma denúncia à Comissão de Disciplina da Fifa contra o lateral-direito Byron Castillo e a Federação Equatoriana. Os chilenos alegam que a data de nascimento, a idade e a nacionalidade por parte do atleta são falsos.
O Chile quer a perda de oito pontos da seleção do Equador em partidas que Castillo tenha atuado e que sejam repassados aos times enfrentados, o que daria três pontos ao próprio Chile. Com essa combinação, o país garantiria sua classificação ao menos para a repescagem da Copa do Qatar.
O Equador encerrou as eliminatórias sul-americanas na 4ª colocação com 26 pontos. Por outro lado, o Chile, eliminado, fez 19 pontos em 18 partidas. Da América do Sul, Brasil, Argentina, Uruguai, Equador e Peru, este na repescagem, garantiram suas classificações.
De acordo ainda com os próprios chilenos, uma comissão de investigação da própria federação equatoriana soube que o jogador era de fato colombiano após ter acesso aos documentos sobre os registros de atletas do Equador. Após uma incerteza com a documentação de Castillo, a Justiça local enviou os pareceres comprovando a identidade do atleta.
No dia 6 de junho foram apresentados documentos que comprovariam a nacionalidade colombiana do lateral que atua no Barcelona. Advogados chilenos mostraram a certidão de nascimento e batismo do jogador registradas em Tumaco, na Colômbia, em 1995. Acontece que, oficialmente, os documentos do atleta mostram que ele nasceu em 1998, em General Villamil, no Equador.
Nesta sexta-feira (10), o Comitê Disciplinar da Fifa encerrou o processo e decidiu manter o Equador na Copa do Mundo do Qatar.
“Depois de analisar as alegações de todas as partes interessadas e considerar todos os elementos apresentados, o Comitê Disciplinar da Fifa decidiu encerrar o processo instaurado contra a FEF”, escreveu a entidade máxima do futebol mundial em comunicado oficial.
A decisão, no entanto, ainda não é definitiva. O Chile vai recorrer ao Comitê de Apelação da Fifa. em busca da vaga no Mundial do Qatar.
A expectativa, segundo o advogado contratado, é que uma nova decisão seja tomada pela entidade em torno de 20 dias após a apresentação do recurso, que deve acontecer até o fim da próxima semana.
