Rafael Ramos nega injúria racial contra Edenilson e diz que está 'de consciência e cabeça limpas'

Rafael Ramos, do Corinthians, falou sobre as acusações de injúria racial contra Edenilson, do Internacional


Após ser liberado por pagar fiança de R$ 10 mil reais, o lateral-direito do Corinthians Rafael Ramos falou sobre as acusações de ter cometido injúria racial contra Edenilson, no empate em 2 a 2 contra o Internacional, neste sábado. O português garante não ter proferido a palavra macaco e que foi um "mal entendido" entre as partes.

"Estou aqui com a consciência e cabeça limpa para explicar o que aconteceu. Foi puramente um mal entendido entre mim e o Edenilson. No fim do jogo estive com ele e tivemos uma conversa tranquila, onde expliquei o que tinha acontecido. Ele explicou o que realmente entendeu, que não é verdade. Eu expliquei a verdade daquilo que eu tinha dito. Foi isso que aconteceu. Tivemos uma conversa tranquila. Ele mostrou um receio de se passar por mentiroso, e aí eu falei que ele não é um mentiroso, apenas entendeu as palavras erradas. Apertamos a mão e desejei ele boa sorte", afirmou Rafael em entrevista coletiva antes de deixar o Beira-Rio na madrugada deste domingo.

O caso

Após lance disputado aos 30 minutos do segundo tempo, o volante do Inter reclamou ao árbitro Bráulio da Silva Machado que o adversário o teria chamado de ‘macaco’. Edenilson não falou do assunto ao fim do jogo e foi representado pelos dirigentes colorados, em nota oficial e também entrevista coletiva.

Os policiais civis foram ao estádio para ouvir depoimento do jogador do Inter, que manteve as acusações, e também falaram com o lateral-direito português, que ficou retido enquanto a delegação alvinegra deixava o estádio em Porto Alegre. Também falaram com a equipe de arbitragem, que relatou o que ouviu em campo na súmula.

O diretor de futebol Roberto de Andrade e o técnico Vítor Pereira falaram sobre o assunto e prestaram apoio a Rafael Ramos, dizendo que o português foi mal compreendido por Edenilson e que não proferiu ofensas racistas ao adversário.

Em entrevista após a partida, o atacante Jô também falou sobre o assunto, mas sem ter a certeza do que o companheiro teria dito ao adversário. "Ele (Edenílson) acusou o Rafa de racismo. O Rafa falou que não disse. Disse outra palavra no português de Portugal, que é diferente, não sei pronunciar e qual foi”.

“Mas ele disse que não teve ofensa racista. Ficou todo mundo confuso, mas agora vamos ver o que aconteceu realmente. Ele falou que parecia (com a palavra macaco), mas não podemos acusar alguém sem ter certeza", disse ao Premiere. Mais tarde, o diretor Roberto de Andrade seguiu o mesmo discurso de Jô.

Edenílson e os jogadores do Internacional não falaram na saída do gramado. Horas após o jogo, o volante foi às redes sociais e manteve a versão de que ouviu a palavra "macaco". O Inter soltou uma nota oficial apoiando o camisa 8.

"Depois da partida, o jogador colorado prestou depoimento e registrou o incidente junto à Polícia Civil. O Sport Club Internacional acompanha o caso de perto, oferecendo todo o suporte ao atleta e auxiliando na averiguação dos fatos", informou o Inter, em nota oficial.

Após ser liberado, Rafael Ramos deu sua versão dos fatos.

"Estou aqui com a consciência e cabeça limpa para explicar o que aconteceu. Foi puramente um mal entendido entre mim e o Edenilson. No fim do jogo estive com ele e tivemos uma conversa tranquila, onde expliquei o que tinha acontecido. Ele explicou o que realmente entendeu, que não é verdade. Eu expliquei a verdade daquilo que eu tinha dito. Foi isso que aconteceu. Tivemos uma conversa tranquila. Ele mostrou um receio de se passar por mentiroso, e aí eu falei que ele não é um mentiroso, apenas entendeu as palavras erradas. Apertamos a mão e desejei ele boa sorte", afirmou Rafael em entrevista coletiva antes de deixar o Beira-Rio na madrugada deste domingo.

Em nota oficial, o Corinthians também se manifestou e disse repudiar toda e qualquer forma de racismo.

"O Corinthians reafirma que, coerente com seus 111 anos de história, repudia e não compactua com o racismo. O atleta Rafael Ramos foi ouvido pelo clube e deu versão diferente do incidente no Beira-Rio, durante a partida contra o Internacional pelo Brasileirão 2022", diz a nota.

"O pagamento de fiança não implica admissão de culpa, permitindo ao atleta que se defenda em liberdade no inquérito. Clube e atleta continuarão a colaborar com as autoridades, certos de que tudo será esclarecido o mais rapidamente possível", finaliza o documento.

Pelas redes sociais, Rafael Ramos voltou a falar do caso.