Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o atacante Rafael Moura lembrou da eliminação do Corinthians para o River Plate, nas oitavas de final da Conmebol Libertadores de 2006
O dia 4 de maio de 2006 ficou marcado na carreira de Rafael Moura. Recém-chegado ao Corinthians, que à época era o atual campeão brasileiro, o atacante viveu momentos de tensão no Pacaembu, após a eliminação para o River Plate, nas oitavas de final da Conmebol Libertadores daquele ano, após derrota em casa para os argentinos por 3 a 1.
Na ocasião, o Corinthians abriu o placar com Nilmar no fim do primeiro tempo, o que, àquela altura, classificava os paulistas, que perderam por 3 a 2 no Monumental de Núñez (à época a Libertadores ainda tinha o critério do gol qualificado). Na segunda etapa, porém, os argentinos viraram a partida com dois gols de Gonzalo Higuaín, além de gol contra de Coelho, que sacramentaram a classificação dos Millonarios às quartas, deixando os brasileiros para trás na competição continental.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o atacante, que hoje está prestes a completar 39 anos e ainda não se aposentou oficialmente, foi categórico ao afirmar que aquele dia foi 'o mais perigoso da vida' enquanto profissional. Por conta de uma tentativa de invasão da torcida ao gramado do estádio após a eliminação, ele precisou deixar o Pacaembu de camburão e escoltado pela Polícia Militar.
"Quando você é jovem, você não entende nada, você não está nem aí para nada. Graças a Deus que os policiais salvaram a gente, mas você não tem responsabilidade assim, sabe? É muito do jovem, você não atenta à dimensão do problema. Aquele dia, realmente, foi o dia mais perigoso da minha vida enquanto atleta. Se realmente invadem ali, e eu já estava no jogo, sei lá, se tirasse o goleiro do River (Plate), eu era o primeiro atleta do Corinthians, porque estávamos atacando ali para o portão, se fosse para pegar, eu seria o primeiro a ser pego", começou por dizer.
"A gente ficou amedontrado. Realmente, dentro do campo a gente acha que é protegido porque tem a segurança, tem alambrado, essas coisas todas, e nunca teve invasão com briga de torcedores batendo em jogadores, pelo menos não temos tanta história disso. Tem entre brigas de torcedores, que infelizmente adentraram o gramado, mas não com atletas. A gente vai para o vestiário, e eu lembro que a gente saiu 5, 6 horas da manhã, como eu e Nilmar morávamos no mesmo prédio, a gente saiu junto, num camburão, alia atrás mesmo, escondidos, porque senão não iriam deixar a gente sair", complementou.
A história, porém, não para por aí. Após os momentos de tensão no Pacaembu envolvendo a sua torcida, o Corinthians tomou a decisão de treinar durante 30 dias em Curitiba, mudando toda a sua base de treinamento para a capital do Paraná. Durante o período, o Timão só voltava à capital para disputar os seus jogos como mandante.
"Mostra a força da torcida, o quão nós, jogadores e diretoria, respeitávamos a torcida, porque dali eles falam que a gente não teria mais paz, sossego, e a gente vai 30 dias para treinar em Curitiba. A gente muda toda a base de treinamento para Curitiba, tanto é que jogávamos em São Paulo e voltávamos para Curitiba, jogávamos em outro lugar e voltávamos para lá. Ficamos alguns bons dias lá, bem amedontrados, mas que serve de muito aprendizado. Eu, jovem, não tinha a dimensão de tudo o que causava, mas hoje eu entendo muito bem", finalizou.
