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Presidente de rival do Palmeiras na Libertadores exalta Leila, se diz 'sem medo e limites' e lista desafios de uma mulher no futebol sul-americano

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Presidente do Independiente Petrolero admite disparidade financeira com Palmeiras, mas avisa: 'Em campo, são 11 contra 11' (1:16)

Jenny Montaño foi uma das responsáveis por alçar clube boliviano da segunda divisão até o título nacional (1:16)

ESPN.com.br conversou com exclusividade com Jenny Montaño, mandatária do time boliviano que encara o atual bicampeão da Libertadores nesta terça-feira (12)


Bicampeão da Conmebol Libertadores, o Palmeiras, enfim, poderá reencontrar seu torcedor no Allianz Parque em uma partida do torneio continental. Nesta terça-feira (12), o time de Abel Ferreira receberá, às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+, o Independiente Petrolero, da Bolívia, e que também tem como presidente uma mulher.

Trata-se de Jenny Montaño, enquanto no clube paulista o comando é da já conhecida Leila Pereira. A peculiaridade ajuda, de certa forma, a mostrar como aos poucos (bem aos poucos) o futebol sul-americano, há muitas décadas comandado majoritariamente por homens, vai lidando com mudanças e tendo mais presença feminina em cargos de importância.

O ESPN.com.br conversou com exclusividade com Montaño, de 37 anos e que toca a equipe atual campeã boliviana e que fez sua estreia na principal disputa continental este ano. Farmacêutica de profissão, a dirigente iniciou a carreira no clube na tesouraria, passou a secretária-geral e alcançou à presidência em 2019. Na entrevista, ela defendeu que não deve haver limites para as mulheres.

Sob o comando de Jenny Montaño, o Petrolero conseguiu o acesso à Série A do Campeonato Boliviano em 2020, algo que não acontecia há 17 temporadas. No ano seguinte, a equipe garantiu um feito ainda mais expressivo ao conquistar a competição no final de 2021.

Mesmo ainda se tratando de um time modesto e de pouca notoriedade na América do Sul, os bolivianos prometem muita vontade e vão se esforçar para conseguirem um resultado histórico no Allianz Parque. Para Montaño, apesar da disparidade financeira entre os clubes, o Petrolero tem totais condições de atrapalhar a vida do Verdão em São Paulo. “Nós podemos falar sobre River Plate, Palmeiras, mas nós somos pequenos financeiramente perto dos demais. Somos totalmente humildes, com uma economia nada parecida com o que têm os demais times da América do Sul. Quando eu assumi, o clube estava em uma situação deplorável, em um cenário muito complicado, difícil. Mas pudemos fazer um trabalho muito bom, precisamos de três anos para subir à primeira divisão e conseguimos o título da divisão principal logo no ano seguinte”, afirmou a mandatária.

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'Limites não existem': presidente do Independiente Petrolero abre o jogo sobre os desafios das mulheres no futebol sul-americano

Jenny Montaño foi uma das responsáveis pro alçar clube boliviano da segunda divisão até o título nacional

“Temos muita vontade, os atletas deixam tudo em campo e foi desta forma que nos sagramos campeões por aqui. Vamos ter que ver no campo. Palmeiras e Independiente são 11 contra 11. São os atletas que decidem. Temos que seguir buscando coisas importantes para o nosso clube”, seguiu a presidente, deixando claro que com a bola rolando não teme o poderoso rival brasileiro.

Ela, aliás, fez questão de mandar um recado para Leila Pereira e aguarda uma visita da mandatária palmeirense em Sucre, na Bolívia, quando os dois times se enfrentarem na volta da fase de grupos. Para a presidente do time boliviano, a ideia do Petrolero é se espelhar no próprio rival alviverde para poder crescer aos poucos na América do Sul.

“É realmente uma equipe grande, me sinto orgulhosa de poder falar sobre esta equipe. Precisamos mirar nessas equipes grandes. Quero mandar meus cumprimentos a presidente Leila Pereira e vamos estar esperando ela aqui em Sucre de coração aberto. Precisamos aprender com as coisas boas que o Palmeiras tem. Mirar neles para podermos crescer. Estão onde estão porque souberam administrar o clube”, disse Montaño.

Desafios e dificuldade de uma mulher no futebol sul-americano

Mesmo tendo sucesso recente à frente do Independiente Petrolero, Jenny Montaño admite que não é fácil para uma mulher estar inserida no futebol sul-americano, ambiente majoritariamente dominado por homens há décadas. A mandatária explica que por mais desafiador que o momento atual seja, os "limites não existem". Ela também acredita que novas mulheres devem, em breve, assumir postos importantes em clubes do continente.

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Presidente do Independiente Petrolero rasga elogios ao Palmeiras e manda recado para Leila Pereira

Jenny Montaño foi uma das responsáveis por alçar clube boliviano da segunda divisão até o título nacional

“Não é nada fácil estar no futebol. É um ambiente que sempre foi dominado por homens, mas estamos mostrando que podemos fazer um bom trabalho. A mulher pode ser a cabeça de um projeto e a responsável por tomar todas as decisões. Lidar com os atletas não é fácil, mas lidando com jeito, com respeito, as coisas funcionam”, disse.

Hoje presidente do clube, ela cresceu inserida ao futebol da Bolívia. Seu pai, Abelardo Montaño, fez parte da Associação de Futebol de Sucre por 35 anos. A mandatária é casada ainda com Manuel Grass, irmão de Juan Pablo Grass, que vestiu a camisa de equipes como Independiente Petrolero, Real Potosí e Stormers. “Eu estive com dirigentes da Conmebol, com os barões do futebol, e todos foram muito respeitosos, muito educados. Tenho grande relação com eles e costumo lidar melhor com eles do que com as outras mulheres em alguns momentos. Acredito que os homens também estão abertos e podem nos ajudar”, relatou.

“Mas acredito que o cenário esteja mudado. Temos uma mulher à frente de um time campeão de Libertadores, uma mulher no comando de um time campeão boliviano, queremos seguir crescendo, sabemos o que podemos fazer e não podemos colocar limite em nada até por que eles não existem. Nós, mulheres, temos que nos preparar para o que vier”, afirmou uma categórica Jenny.

Inspiração para mulheres bolivianas e "cabeça erguida sempre"

A vida das mulheres bolivianas está longe de ser fácil. Nos últimos anos, o aumento de casos de feminicídio e violência contra mulheres no país tem sido notável. Em 2020, o governo federal chegou a declarar um alerta nacional contra os crimes contra mulheres. No ano passado, a Bolívia foi o país com a maior taxa de feminicídios em toda a América do Sul: ao todo, foram 108 casos registrados.

A onda de crimes levou as mulheres bolivianas às ruas. A ‘Marcha das mulheres contra a violência sexista e contra a corrupção da Justiça’ atravessou o país e terminou no Tribunal Departamental de Justiça, em La Paz, capital boliviana. Os protestos aconteceram após a Justiça do país libertar diversos homens acusados de estupros, feminicídio e casos de violência contra mulheres.

É em meio a este cenário que Jenny Montaño tenta se transformar em um símbolo de referência às meninas e mulheres da Bolívia e servir como inspiração para que outras pessoas sigam o seu caminho.

“Eu recebo muitos contatos de mulheres que dizem que querem seguir meus passos. A vida é feita por desafios e eles jamais devem nos gerar medo. Quanto mais desafios você tem na vida, melhor para seguir crescendo. Nós temos que nos motivar e acreditar que podemos fazer tudo. Não tem um homem que seja superior do que uma mulher. Nós temos a possibilidade de sermos melhores em todos os sentidos”, afirmou.

“Nós somos mães, esposas, filhas, então, estamos por todos os lados para podermos ser as melhores para nossas famílias. Agradeço às mulheres bolivianas. Nunca abaixem a cabeça, temos que ser fortes, temos que saber lutar pelos nossos objetivos, mas sempre de cabeça erguida. Claro que às vezes podemos errar, somos seres-humanos. Na vida, todos têm direitos, mas vamos seguir com o tempo, sempre com a força de Deus, seguindo em frente para aprender com os erros e não os cometer mais. Com a cabeça erguida e dando o exemplo para os nossos filhos e para outras mulheres”, finalizou.