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Ednaldo é eleito presidente da CBF até 2026, mas disputa política segue na Justiça e pode parar no Superior Tribunal

Mandato de Ednaldo Rodrigues vai até 23 de março de 2026, mas, como eleição estava suspensa judicialmente, oposição continuará disputa pelo poder nos tribunais


Apesar de suspensa na Justiça, a eleição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ratificou nesta quarta-feira (23) a vitória de Ednaldo Rodrigues para um mandato definitivo de quatro anos, até 23 de março de 2026.

Candidato único ao pleito, após desistência do vice-presidente Gustavo Feijó, o dirigente baiano foi aclamado em assembleia na sede da CBF, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em eleição que contou com a presença dos principais cartolas do futebol brasileiro e também uma cena constrangedora.

Foram 137 votos a favor de Ednaldo: 26 de Federações (valor triplicado), 20 de clubes da Série A do Brasileiro (valor duplicado) e mais 19 de times da Série B (peso um). Só não votaram a Federação Alagoana e a Ponte Preta.

A eleição de Ednaldo, porém, será motivo de disputa nos bastidores. Isso porque, na véspera da votação, o Tribunal de Justiça de Alagoas, na figura do juiz Henrique Gomes de Barros Teixeira, da 1ª Vara Cível de Maceió, conseguiu a suspensão do pleito. A ESPN teve acesso aos documentos.

"[...] Defiro a medida de urgência requerida, no sentido de determinar que a Confederação Brasileira de Futebol suspenda a eleição convocada para 23/03/2022, e, ainda, abstenha-se de anular as deliberações da Assembleia Geral Extraordinária datada de 23/03/2017, bem como a eleição ocorrida em 17/04/2018, ficando, ainda, impedida de afastar o autor, Gustavo Dantas Feijó, do cargo de vice-presidente da CBF até ulterior determinação deste juízo", diz trecho da decisão.

A CBF, no entanto, manteve a votação normalmente, mesmo com a multa de R$ 50 mil prevista pela Justiça. A ideia da entidade era, após confirmar a vitória de Ednaldo Rodrigues, discutir a situação paralelamente na Justiça.

Na visão da organização, não há mérito da 1ª Vara Cível de Maceió para julgar casos da CBF, já que o Estatuto da entidade diz que casos jurídicos envolvendo a Confederação devem ser julgados na 3ª Vara Cível do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. É esse um dos fatores que deixa a CBF mais tranquila em relação ao caso.

O plano da CBF é recorrer à segunda instância do Tribunal de Justiça de Alagoas. Caso não consiga derrubar a liminar no TJ-AL, a entidade promete ir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Grupo político

Caso consiga iniciar seu mandato após vitória nas urnas e nos bastidores, Ednaldo terá a seu lado um grupo de oito vice-presidentes.

Antônio Aquino, Fernando Sarney, Francisco Novelleto e Marcus Vicente estão na chapa de Ednaldo para mais um quadriênio nas cadeiras, enquanto Hélio Cury, Reinaldo Carneiro Bastos, Roberto Góes e Rubens Lopes se juntam a eles no poder.

A composição do grupo de vice-presidentes simboliza a volta das duas principais federações do país ao poder: São Paulo e Rio de Janeiro. Após anos de relações estremecidas com Rogério Caboclo e momentos de instabilidade na crise instaurada nos últimos meses na CBF, Reinaldo Carneiro Bastos e Rubens Lopes recuperaram o capital político em importantes negociações recentes.

O primeiro, que chegou a articular para ser nomeado como interventor em meio à crise, juntou apoio dos clubes de São Paulo para a Assembleia que definiu o peso dos votos na eleição do dia 23. Já o segundo foi importante na paz estabelecida entre a gestão Ednaldo e os clubes do Rio, especialmente o Flamengo.

Com o reforço de Reinaldo e Rubinho, apoio de 26 das 27 federações (apenas Alagoas não o apoiou) e promessa de votos dos clubes da Série A, Ednaldo teve apoio em massa na elite. Na Série B, Grêmio, CSA e CRB não assinaram o documento de promessa de votar em Ednaldo.