Apesar de suspensas após decisão da 1ª Vara Cível de Maceió, eleições na CBF acontecem normalmente como programado pela entidade nesta quarta-feira
Quem esteve na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta quarta-feira (23) presenciou uma cena constrangedora. Gustavo Feijó, um dos vice-presidentes, sentou literalmente na cadeira reservada ao presidente Ednaldo Rodrigues, na mesa montada no palco do auditório para assembleia nesta quarta-feira (23).
A promessa de Feijó era apenas se levantar quando o Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (TJ-AL) tomasse uma decisão definitiva sobre as eleições da CBF, que estão suspensas judicialmente, mas acontecem normalmente nesta quarta. No entanto, após pedidos de clubes, federações e comissão eleitoral, o cartola desistiu da ideia e se levantou. Em seguida, deixou o auditório.
A cena chamou atenção na sede da entidade, no Rio de Janeiro. O ato de protesto de Feijó visava diretamente Ednaldo Rodrigues, presidente interino e candidato único à eleição, que foi suspensa na terça (22), após decisão do juiz Henrique Gomes de Barros Teixeira, da 1ª Vara Cível de Maceió.
No entanto, apesar da ação judicial, a CBF manteve os trâmites. A primeira convocação para os eleitores aconteceu às 10h30 desta quarta, enquanto a segunda chamada é logo na sequência, às 11h30. A ideia da CBF é realizar normalmente a votação, que elegerá Ednaldo como candidato único, e arcar com multa de R$ 50 mil imposta pela Justiça.
Em seguida, a Confederação discutirá paralelamente na Justiça o mérito da 1ª Vara Cível de Maceió para julgar casos envolvendo a entidade.
A organização, inclusive, acredita que há jurisprudência para o caso, já que o Estatuto da entidade diz que casos jurídicos envolvendo a Confederação devem ser julgados na 3ª Vara Cível do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. É esse um dos fatores que deixa a CBF mais tranquila em relação ao caso.
A decisão proferida pelo TJ-AL foi após pedido feito pelo próprio Gustavo Feijó, vice da CBF e que corria o risco de ser afastado do cargo pela entidade. O processo foi realizado pelo advogado do dirigente, Hugo Veloso, que esteve na sede da entidade que comanda o futebol brasileiro para notificar presencialmente a decisão.
"[...] Defiro a medida de urgência requerida, no sentido de determinar que a Confederação Brasileira de Futebol suspenda a eleição convocada para 23/03/2022, e, ainda, abstenha-se de anular as deliberações da Assembleia Geral Extraordinária datada de 23/03/2017, bem como a eleição ocorrida em 17/04/2018, ficando, ainda, impedida de afastar o autor, Gustavo Dantas Feijó, do cargo de vice-presidente da CBF até ulterior determinação deste juízo", diz trecho da decisão.
Na madrugada desta quarta, Gustavo Feijó entrou com um pedido de urgência solicitando que a multa imposta aumente para R$ 1 milhão, segundo apurou a ESPN.
"Tal circustância somente será afastado caso Vossa Excelência venha, com a máxima urgência, majorar e até impor novas medidas coercitivas, compatíveis com os altos rendimentos e patrimônio dos envolvidos", diz o documento ao qual a ESPN teve acesso.
"Diante do exposto, com o objetivo de assegurar o cumprimento da decisão proferida por Vossa Excelência, requer-se a majoração das astreintes fixada para um milhão de reais por dia, inclusive sob responsabilidade pessoal do Sr. Ednaldo Rodrigues Gomes, bem como que seja fixada multa diária específica para os mebmros da Comissão Eleitoral, no importe de cem mil reais para cada um, quais sejam".
