Com as mudanças dos regulamentos da Fórmula 1 para a temporada de 2026, a principal consequência é a administração de energia elétrica do carro. Isso faz com que, em determinados momentos da volta, os pilotos tenham que reduzir drasticamente a velocidade para poder recarregar a bateria.
Existem algumas alternativas para isso, mas a mais eficaz, curiosamente, é a que mais desagrada os pilotos. O "super clipping" permite aos pilotos recarregar a bateria mesmo com o pé no acelerador no final das retas.
O super clipping acontece quando a bateria do carro começa a recarregar enquanto o piloto ainda está pisando fundo no acelarador no final de uma reta. Quando ativado, a unidade de potência passa a priorizar a recuperação de energia elétrica. Assim, o motor deixa de entregar sua potência máxima, provocando uma queda brusca na aceleração e na velocidade do carro.
O efeito poderá ser ainda mais notável em circuitos com retas longas e menos zonas de frenagem forte, como Spa-Francorchamps, Monza ou Las Vegas.
Acidente assustador no Japão
O GP de Suzuka, vencido por Kimi Antonelli, da Mercedes, foi marcado por uma imagem assustadora. Na 22ª volta, Oliver Bearman, da Haas, sofreu uma forte batida tentando desviar de Franco Colapinto, piloto da Alpine que estava em desacelaração por causa do super clipping.
Na curva 13, o argentino desacelerou com o super clipping para recarregar sua bateria. Com a Alpine lenta em relação à Haas, o inglês precisou desviar para não ocasionar uma batida na traseira. No entanto, Bearman saiu da pista, perdeu o controle do carro e bateu forte. Segundo a telemetria registrada pela própria F1, a diferença entre os carros estava em quase 100 km/h: 262 km/h de Bearman contra 174 km/h de Colapinto.
Bearman saiu do carro mancando, mas nenhuma fratura foi diagnosticada pela equipe médica da Fórmula 1. Após liberação médica, o piloto da Haas comentou seu ponto de vista do acidente.
"Houve um excesso de velocidade enorme - cerca de 50 km/h -, o que faz parte dessas novas regras, e precisamos nos acostumar com isso, mas também senti que (Colapinto) não me deram muito espaço, considerando o enorme excesso de velocidade em que eu estava”, disse.
Colapinto falou sobre o problema do super clipping com Bearman e reafirmou que isso pode ser perigoso.
"É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida. É uma curva que a gente faz a toda velocidade e ele estava mais de 50 km/h mais rápido do que eu", explicou. "Em alguns momentos é realmente perigoso. Fico feliz que ele esteja bem".
Lewis Hamilton, da Ferrari, também se mostrou descontente com o super clipping durante o fim de semana em Suzuka.
"Definitivamente, não é algo bom. Em alguns pontos, você chega praticamente sem potência. Assim, acaba apenas deixando o carro 'rolar'", disse.
O super clipping foi um problema durante todo o fim de semana no Japão. No TL1, por exemplo, uma câmera onboard de Max Verstappen mostrou o piloto da Red Bull atingindo 320 km/h na aproximação da 130R. Porém, ao ativar o super clipping, a velocidade caiu quase 50 km/h ao longo da curva até a chicane final. Com a polêmica, a Fórmula 1 evitou mostrar o onboarding dos carros durante a 130R nos dias seguintes.
