O quatro vezes medalhista de ouro paralímpico e ex-piloto de Fórmula 1 Alex Zanardi morreu aos 59 anos neste sábado (2).
Nascido em Bolonha, Zanardi competiu na categoria por cinco temporadas e teve como melhor resultado um sexto lugar no Grande Prêmio do Brasil de 1993, antes de um grave acidente em 2001 resultar na amputação de ambas as suas pernas.
Zanardi se recuperou da cirurgia que mudou sua vida para se tornar campeão paralímpico, competindo inicialmente nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, onde conquistou duas medalhas de ouro no paraciclismo, seguidas por mais duas no Jogos Paralímpicos do Rio 2016.
Múltiplo vencedor no Campeonato Mundial de Paraciclismo de Estrada da UCI — mais recentemente em 2019, em Emmen — outro grave acidente um ano depois resultou em mais um longo período afastado.
A morte de Zanardi provocou uma enxurrada de homenagens.
“A FIA está entristecida ao saber do falecimento de Alex Zanardi, ex-piloto de Fórmula 1 e bicampeão da CART, cuja jornada de um acidente que mudou sua vida até se tornar medalhista paralímpico de ouro o transformou em um dos competidores mais admirados do esporte e um símbolo duradouro de coragem e determinação”, disse um comunicado da FIA.
Antes de competir na Fórmula Indy, Zanardi correu na F1 por equipes como Jordan Grand Prix, Minardi e Team Lotus.
A mudança para foi bem-sucedida, com dois títulos consecutivos pela Chip Ganassi Racing, antes de um breve retorno à F1 com a Williams.
O acidente de Zanardi em 2001 mudou o rumo de sua carreira e de sua vida, mas o sucesso continuou em abundância.
O presidente da F1, Stefano Domenicali, afirmou: “Estou profundamente triste com a morte do meu querido amigo Alex Zanardi. Ele foi verdadeiramente uma pessoa inspiradora, como ser humano e como atleta. Sempre levarei comigo sua força extraordinária. Ele enfrentou desafios que fariam qualquer um parar, mas continuou olhando para frente, sempre com um sorriso e uma determinação obstinada que inspirava a todos nós. Embora sua perda seja profundamente sentida, seu legado permanece forte. Neste momento, meus pensamentos e minhas mais sinceras condolências estão com sua esposa Daniela, seu filho Niccolò, o restante da família e todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.”
Depois de conseguir voltar a dirigir, inicialmente com o auxílio de freio e acelerador manuais, um carro foi adaptado para permitir o uso de próteses nos pés no Campeonato Europeu de Carros de Turismo de 2003, em Autódromo de Monza.
Ele chegou até a voltar a pilotar um carro de F1 em testes, mas rapidamente mudou o foco para o próximo grande objetivo e, após completar diversas maratonas, encontrou no handbike uma forma de retornar ao pódio.
A primeira medalha de ouro paralímpica veio na prova de contrarrelógio de estrada masculina H4 em Londres 2012, antes de conquistar também a prova de estrada individual H4 dias depois.
Nos Jogos seguintes, no Rio de Janeiro, vieram mais duas vitórias, desta vez no contrarrelógio masculino H5 e no revezamento misto por equipes, consolidando ainda mais o nome de Zanardi na história.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o descreveu como um símbolo da “força de nunca desistir” diante da adversidade.
“A Itália perde um grande campeão e um homem extraordinário, capaz de transformar cada prova da vida em uma lição de coragem, força e dignidade”, escreveu Meloni no Instagram.
“Alex Zanardi soube recomeçar todas as vezes, enfrentando até os desafios mais difíceis com determinação, lucidez e uma força de vontade fora do comum. Com suas conquistas esportivas, com seu exemplo e com sua humanidade, ele nos deu muito mais do que vitórias: ele nos deu esperança, orgulho e a força para nunca desistir.”
