Um dos fundadores da organização, Jaime Padua detalha como foi o processo para colocar a FURIA no topo do CBLoL 2022, a quase despedida da organização no campeonato e como tem sido "renascer"
Nas palavras de Jaime Padua, Co-CEO da FURIA, reestruturar toda uma estratégia “não é algo fácil. A gente tinha um desafio muito grande dado os resultados que tivemos nas últimas temporadas”. Colecionando boas atuações nas diversas modalidades de esports que atua nos dias atuais, que vão desde CS:GO até Rocket League, os últimos anos dentro do League of Legends para os Panteras não foram tão gloriosos assim… mas 2022 chegou para mudar tudo.
Competindo majoritariamente na parte inferior da tabela e disputando as últimas colocações, ser um torcedor da FURIA dentro do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) durante os primeiros anos da equipe no torneio não era lá a melhor das opções. Visando mudar a visão do cenário e também os resultados apresentados, a organização decidiu entrar para a nova temporada competitiva pronta para a guerra.
A primeira mudança foi trazer uma peça experiente e que tivesse o conhecimento necessário para montar dentro da organização um elenco que disputaria títulos. Foi então que Maestro entrou em cena para os Panteras.
“Começamos trazendo o Maestro, que é um cara fantástico. Fui pego de surpresa quando ele ficou Free Agent, é um cara que eu já admirava pelo trabalho e que já ouvi muitas coisas boas. Assim que ele anunciou eu mandei mensagem pra ele assim: Maestro, bora escrever nossa história juntos aqui ou não? Acabou que o santo bateu, ele é um cara muito inteligente, muito completo como treinador, sabe cuidar do lado humano e do lado técnico”, elogia Jaime Padua em entrevista ao ESPN Esports Brasil.
Mas, como trazer jogadores de peso do cenário para uma organização que antes não havia conquistado nenhum resultado satisfatório em meio a uma reestruturação? O diretor executivo conta que o primeiro passo - e o mais importante - foi mudar a cabeça e a visão dos jogadores profissionais quando o assunto era representar a FURIA dentro do LoL, para que a organização se tornasse a primeira opção.
“Fomos criando uma base para tornar a FURIA um time mais atrativo para novos jogadores, para que os atletas do CBLoL começassem a desejar jogar pela FURIA. Então foi trabalho de formiga, conversamos com um, com outro, explicamos nosso plano. A imprensa inclusive teve um papel muito importante para ajudar a divulgar nossas ideias e, de repente, parece que as águas mudaram a nosso favor”, revela sobre o trabalho da equipe.
“Os jogadores começaram a me procurar. Foi um trabalho muito legal, mas de várias etapas e cansativo. A gente não foi campeão, ainda temos muita coisa pra fazer, mas conseguimos ver o resultado daquele esforço de seis meses atrás que estamos começando a colher agora”, continua o Co-CEO.
DO ADEUS AO TOPO DO CENÁRIO
Hoje ocupando o topo da tabela - lugar no qual esteve desde o início do campeonato -, Jaime conta que antes mesmo do processo de reestruturação se iniciar, os executivos que tomam conta da organização chegaram a se questionar se continuar no CBLoL realmente valia a pena.
“Em uma discussão interna… na verdade nem teve discussão, só houve a seguinte pergunta, ‘Vale a pena continuarmos no CBLoL desse jeito? Porque se for pra continuar, a gente precisa ir pra guerra’. A resposta pra mim e pros meus sócios era muito óbvia: vamos pra guerra. Queremos de fato fazer algo diferente, impactar o cenário de dentro pra fora, não só com metodologias, mas com novas práticas, cultura, infraestrutura e tudo mais”, conta Jaime.
“Não podíamos ser mais um time, de verdade. Apanhamos muito nos nossos dois primeiros anos e a gente precisava mudar o jogo, entender que a FURIA precisava ser bem representada. A torcida da FURIA olha pra gente e espera mais, não espera mais um, espera que seja um time de competição, de topo de tabela. Não posso garantir que vamos ser campeões ou não, mas que vamos brigar sempre, vamos”, adiciona.
Com Maestro orquestrando os planos e ditando ao lado de Jaime o ritmo da sinfonia que seria tocada pela equipe, havia chegado a hora de colocar a mão na massa e escolher os nomes que iriam vestir o uniforme dos Panteras para o ano de 2022 e, para o fundador da FURIA, essa é a parte mais divertida do processo: “Costumo dizer que é nessa hora que gosto de trabalhar, a hora do planejamento, de colocar o plano em prática”.
“Meu papel, quando falamos de League of Legends é mais de provocar. Provocar em termos de cultura, de valores, jogadores que encaixam na nossa filosofia, então eu trouxe alguns nomes para o Maestro, ele trouxe outras. Em alguns momentos eu cedi e em outros ele cedeu”, lembra Jaime ao contar sobre o processo de escolha de jogadores.
Resultado a parte, fica a sensação de que mesmo quando as coisas não acontecem a nosso favor, o time ainda tem condições de buscar a vitória em qualquer partida.
— Jaime Padua (@jaimepadua) March 6, 2022
Mesmo assim, temos muito a evoluir. Serve de aprendizado para quando mais importar - nos Playoffs.
Valeu a torcida!
“A partir disso fomos encontrando um time que fosse a cara da FURIA: jogadores que tivessem um nível técnico muito bom, que fossem grandes pessoas além de grandes atletas e que nos dessem condições de, não só brigar imediatamente por um resultado melhor - que é algo que precisávamos de uma resposta mais rápida -, mas também para criar as bases para o processo de um time em evolução e com grande desempenho no futuro. É muito mais pelo processo do que pelo primeiro CBLoL”, conta confiante de que fez o trabalho certo.
fNb, Ranger, Envy, Netuno e RedBert: Três campeões e um finalista de CBLoL, aliados a uma jovem promessa finalista do Academy. Foi assim que foi montado o quinteto que viria a ser apelidado pela comunidade como “Super FURIA” e, para quem acompanha a organização, sabe que a escolha dos nomes é um passo diferente do que eles estão acostumados a dar.
Normalmente apostando em nomes menos notórios para desenvolvê-los ao longo dos anos, os Panteras optaram por chegar com uma mescla entre experiência e talento puro para sua nova era no campeonato.
“O mercado, a torcida, os investidores e todo mundo que se envolve com FURIA tem uma expectativa muito grande e, pra quebrar um pouco do estigma de que a gente não era um time atrativo de se jogar, a gente tinha que dar uma chacoalhada. Precisava dar uma resposta e falar: ‘Não, a FURIA é sim de fato um time para se jogar, para disputar campeonatos, onde a galera tem que querer estar com a gente’”, diz o dirigente.
“Precisávamos fazer uma mudança mais radical a partir disso. Acredito que com o elenco que temos conseguimos trazer um pouco de juventude com alguns atletas, mas também trazer mais experiência com outros para podermos competir contra os grandes times do CBLoL”.
COMEÇANDO COM O PÉ DIREITO
Expectativa, ansiedade e o medo de ver a história se repetindo foram alguns dos sentimentos carregados pelos torcedores da FURIA ao longo das primeiras semanas da equipe dentro do CBLoL. Ao fim do primeiro turno, o resultado já era visível: a organização ocupava o primeiro lugar da tabela - empatada com outros quatro times - e colecionava uma sequência de sete vitórias consecutivas antes de entrar na quinta semana.
Comparado com os splits anteriores, a equipe vive seu melhor momento no torneio e para Jaime não há muito segredo para o sucesso: “Acredito que é a soma de tudo. Primeiro temos material humano de alta qualidade, estamos falando de cinco jogadores que são muito bons em suas posições e sabem o que estão fazendo, eles não estão na FURIA à toa. Todas as funções do jogo temos jogadores de elite”.
“Temos uma comissão técnica muito forte comandada pela Maestro e várias pessoas, analistas, scouting, que fazem um trabalho muito legal nos bastidores. Acho que é essa soma de força, a FURIA em termos de cultura, de filosofia de trabalho, acesso a mais recursos - ter a possibilidade de fazer um bootcamp internacional -, você estar em conjunto de profissionais como psicólogos, médicos, performance coach, nutricionistas, preparadores físicos”, acrescenta.
Após dois longos anos para que finalmente as coisas começassem a dar certo para os Panteras dentro do League of Legends, a equipe começa a fazer jus ao apelido de “Super FURIA” e faltando apenas duas semanas para o término da fase regular já está quase garantida nos playoffs. Jaime comenta sobre o sentimento de finalmente ver as coisas dando certo para a organização dentro da modalidade.
“É gratificante. O LoL era sempre o patinho feio da organização, era sempre: ‘Pô, ta tudo indo bem na FURIA, as modalidades tão indo bem, projetos de streaming tão bem, patrocinadores e tal, mas o LoL ta fod#, né?’. Sempre rolava aquele clima meio chato e resolvemos quebrar essa visão. Deu muito trabalho, não vou mentir”, revela o CEO.
“Reuniões, conversas, planejamentos, me envolvi muito nesse processo de execução e hoje tiro um pouco o pé porque o time já toca sozinho, o Maestro comanda muito bem. Foi muito cansativo mas gratificante, você vê aquelas horas de reuniões, aquelas noites sem dormir e hoje vemos que estamos no eixo, independente de não ter conquistado um título relevante. Vejo que estamos no caminho, estamos disputando e brigando”, adiciona.
É PELA TORCIDA
Prezando por uma comunicação aberta com sua base de fãs, hoje a FURIA tem a capacidade de entregar àqueles que sempre estiveram a seu lado o que tanto esperavam: uma equipe competitiva e que pode brigar pelo título dentro do CBLoL. Para o dirigente da organização, não existe sentimento melhor do que colocar um sorriso no rosto desses fãs.
“Mesmo quando não tínhamos uma performance muito alta, nosso índice de audiência era grande. Então mesmo assim a galera apoiava. Não tenho nada a reclamar em relação à torcida e agora é muito gratificante ver eles felizes. É muito prazeroso ver a reação da galera torcendo”, comemora.
Esses momentos do meu trabalho sao um das partes que mais gosto. Saber que decisões ousadas que tomamos lá atras estão movimentando não só a @FURIA mas todo um cenário do #CBLOL é uma satisfação incrível.
— Jaime Padua (@jaimepadua) March 5, 2022
Obrigado a todos pelo carinho e torcida.
É Super @FURIA! 💙
“Hoje tenho histórias de às vezes estar na rua e converso com alguém que descobre que sou da FURIA e ai fala de LoL e a pessoa já vem: ‘A Super FURIA?’. Então você vê que todo aquele esforço, aquele trabalho está sendo reconhecido, pela imprensa, pela torcida, até por torcedores de outras equipes”.
Mais do que ganhar uma etapa ou outra e sagrar-se campeã brasileira, o objetivo principal da FURIA com seu novo plantel do MOBA da Riot Games vai além. Claro, ganhar o CBLoL é um dos objetivos e faria muito bem para a organização, mas o foco é realmente diminuir o nível de jogo entre Brasil e as outras regiões internacionais.
“A galera respeita o que estamos fazendo porque estamos de fato subindo a barra do cenário. Sabemos que existe um gap internacional muito grande em relação ao LoL brasileiro, mas estamos fazendo nossa parte para impulsionar e quem sabe diminuir esse gap”, crava Jaime para finalizar.
A FURIA continua sua caminhada até os playoffs do CBLoL nos próximos dois fins de semanas. Neste, a equipe enfrenta a líder RED Canids e também a quinta colocada Liberty, enquanto no próximo encara KaBuM Esports e Netshoes Miners. Os confrontos do CBLoL começam a partir das 13h (horário de Brasília) todo sábado e domingo nos canais oficiais da Riot Games.
