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Opinião: A EA planeja um Fifa 23 'cross-play', mas o ideal é um jogo 'free-to-play'

Fifa 23 será “cross-play”, mas um caminho interessante para franquia é a gratuidade do game para trazer ainda mais jogadores ao seu sistema.


Segundo reportagem do Xfire dessa segunda-feira (28), site especializado em videogames e outras formas de entretenimento, o próximo jogo da franquia Fifa será “cross-play”, ou seja, jogadores de diferentes plataformas/consoles poderão se enfrentar. É um antigo sonho da comunidade: um jogador de PlayStation encarar alguém jogando em um Xbox, por exemplo. As versões masculina e feminina da Copa do Mundo e melhorias técnicas também são promessas da Electronic Arts para “Fifa 23” segundo o site.

Fifa 23 (ainda não há definição do seu nome) está envolto de uma grande polêmica entre a EA e a entidade máxima do futebol, a Fifa. A empresa responsável pelo game acusa a Fifa de ser um empecilho para o desenvolvimento da franquia. Já a entidade pretende ser mais dominante quanto à série de futebol, além de querer mais dinheiro por emprestar seu nome (e licenças).

GANÂNCIA?

O cross-play é algo importante, mas o que Fifa 23 deve realmente ser um produto gratuito. Passou da hora de não termos que desembolsar para jogá-lo – e há vários fatores que a EA lucra a mais sobre a comunidade. Para começar, o lançamento anual não é compreensível, já que há muito se reclama que jogamos o mesmo game ano após ano. Trata-se de uma atualização vendido a “preço cheio”.

Segundo ponto: nosso time no Ultimate Team “vai pelo ralo” todo final de temporada, independentemente do valor investido.

Terceiro, e mais importante, é o lucro da EA com o Ultimate Team: são bilhões gastos pelos jogadores, anualmente, para ter as melhores cartinhas no modo de jogo (e que “vão pelo ralo”).

FIFA 23 FREE-TO-PLAY

A EA já “pratica o free-to-play”, mas sem o “Free”. Free-to-play é uma modalidade no mundo dos games, geralmente vista em jogos mobile, no qual a entrada no jogo é gratuita, mas o acesso a determinados elementos, não. Você não tem custo para baixar, instalar, se inscrever ou jogar, mas desembolsa para ter benefícios ou acesso determinados conteúdos.

Free Fire funciona desta forma, assim como Fortnite e diversos títulos mobile. Fifa 22, por exemplo, só não é assim pois você paga para comprar o game. Uma vez dentro do jogo da EA, temos acesso a quase tudo, exceto os melhores cards do FUT. Tudo bem, se você se esforçar bastante ganhará um card do Cristiano Ronaldo, mas terá de gastar muitas horas para tal.

A EA, como qualquer empresa, imagina que liberar o acesso a Fifa seja um corte em seus lucros, mas imagine como seria o ecossistema da franquia se o acesso for liberado?

OS BENEFÍCIOS

O cross-play é o primeiro passo para uma massificação ainda maior de um título já popular. Só que nada se compararia à gratuidade de Fifa.

Para começar, o mais óbvio: não gastar para ser um jogador de Fifa.

Um Fifa 23 liberado colocaria ainda mais jogadores na comunidade da franquia. Para um jogo free-to-play dar certo, além da galera gastando (algo que os jogadores de Fifa fazem), sua base precisa muito daqueles que não gastam. Trata-se da maior parte de jogadores, que estão ali para se divertir, encarar os demais mesmo sem gastar dinheiro. É o grupo de deixa o game “vivo” (já pensou um game com só meia dúzia de gastadores?).

Todos querem uma base ativa, com jogadores que gastam (e sustentam a brincadeira) e aqueles que estão ali pelo game, sem tirar um do bolso, mas que fazem o jogo evoluir.

Outro ponto a se discutir com o free-to-play e seu aumento de jogadores é a popularização ainda maior da veia competitiva de Fifa. A EA luta pela popularização dos esports de sua franquia e o “efeito free-to-play” nada mais é do que a entrada de milhares de novos jogadores ao ecossistema. Mais gente jogando, mais gente competindo.

A CONCORRÊNCIA JÁ SE MEXE

Tudo o que foi citado acima não é a descoberta da roda: a concorrência da EA já se movimenta neste sentido para encarar Fifa.

A Konami planejou este cenário, mas deu um “tiro no próprio pé” ao apresentar um game do nível do último eFootball – com direito a pedido de desculpas. Ela ainda pretende uma reviravolta, mas ela só deve vir com o eFootball da temporada de 2023.

Outro concorrente que se avizinha é UFL, com direito a participação de CR7 e outra grandes marcas do futebol. UFL será free-to-play e terá alguns elementos vistos em Fifa, como sua versão para o Ultimate Team.

Fora da bolha do futebol, basta ver o sucesso de Fortnite e Free Fire, que lucram com a grande quantidade de jogadores que gastam com cosméticos e passes de batalha.

Veremos no futuro o quanto a fatia do bolo referente a venda anual de Fifa é importante para a EA. A influência da concorrência ou mesmo a insatisfação da comunidade de Fifa podem ser fatais para sua franquia de futebol. Por outro lado, ao “abrir” as portas, podem aumentar ainda mais sua importância.