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Opinião: Konami aposta no 'fator Free Fire' para o sucesso de eFootball

Lionel Messi e Neymar, embaixadores de eFootball Divulgação/Konami

Na quarta-feira (21), a Konami começou a revelar sua estratégia para retomar os tempos de glória de Winning Eleven/Pro Evolution Soccer/eFootball PES. Programado para setembro deste ano, eFootball sinalizou de forma enfática que pode sim confrontar Fifa 22.

Um dia após mais um daqueles vídeos anuais da EA que mostra “novidades” de Fifa 22, a Konami revelou que eFootball será cross plataforma, gratuito e que mais novidades serão mostradas em breve. Nas entrelinhas, porém, seu plano é ousado: se tornar uma opção viável para quem curte futebol virtual sem gastar anualmente com um game basicamente igual ao seu antecessor.

FATOR FREE FIRE

Pro Evolution Soccer, ou eFootball PES, está em uma situação delicada há anos. Tem como concorrente um dos jogos mais populares e vendidos do globo, carregado de licenças e torneios oficiais. No passado, PES é sinônimo de jogo de futebol, em especial em solo brasileiro, já que Master League e Option Files faziam a alegria da galera.

O poder financeiro da EA capturou as grandes licenças, mas a Konami também tem a sua culpa. PES ficou estagnado tecnicamente e a empresa também praticou a venda anual de simuladores esportivos repetitivos, mas vendidos como grandes “novidades” (“alô, EA?”).

Com dois anos de preparação (ou mais), a Konami mudou o foco de seu jogo de futebol e o aproximou de uma fórmula que vem dando certo, principalmente em jogos para dispositivos móveis: free to play.

O formato “free to play” é formado por um conjunto de ideias quanto a maneira de comercializar e atingir o maior número possível de usuários. Para começar, eFootball não terá custo para ser acessado. Não só é a melhor forma de apresentar algo “novo” para o mercado, como o caminho para aumentar rapidamente sua base de jogo.

Quem paga todo ano para jogar PES, ficará feliz em não ter que desembolsar R$ 300 (a versão Ultimate de Fifa 22 chegar aos R$ 500). Quem gosta da franquia, mas esteve longe dela nos últimos anos, vai dar uma chance para retomar sua trajetória na Master League, por exemplo. Quem não não tinha interesse por futebol virtual, pode até dar uma chance, já que a aposta não tem preço.

Como a Konami vai lucrar então? Com compras dentro do jogo, geralmente relacionadas a itens cosméticos ou conteúdos futuros, como torneios, times especiais e modos de jogos extras. Quer jogar com o Palmeiras da década de 90? Que tal o Flamengo de Zico? A Seleção Brasileira de 2002? O investimento em licenças pode ser abastecido pela arrecadação vinda das negociações dentro do jogo. O mesmo vale para torneios. Quem sabe algum grande evento não possa voltar para a franquia no futuro?

Tem a publicidade que pode ser inserida no game assim como os chamados “Passes de Temporada”, que liberam recompensas para aqueles que pagam uma espécie de ingresso. Fica a tarefa para a Konami de não “forçar a mão da ganância” para não espantar quem não gaste. Um game nesses moldes precisa tanto de quem gasta dinheiro, quanto aqueles que não abrem a carteira. Um jogo sem gastadores não é viável. Um jogo sem aqueles que não investem é um jogo sem uma base ampla de usuários.

Estes elementos convergem na possível estratégia da Konami: a massificação. EFootball terá versões para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One e PC em seu lançamento. No futuro, dispositivos móveis (tablets e celulares) que trabalham com iOS e Android também farão parte do ecossistema, desde que trabalhando junto com controles acoplados.

Assim como Fortnite, PUBG e, principalmente, Free Fire, a Konami quer atingir o maior número de jogadores possível. Quer que seu jogo de futebol se torne acessível ao maior público possível. Ao tirar o valor de entrada em seu sistema e aproximar os jogadores de celular aos de consoles, a empresa pretende abocanhar um público de menor poder financeiro.

Você pode ler esse texto e pensar “como assim, os jogadores de consoles não bastam?” ou “como a pessoa não tem dinheiro para comprar um videogame”. Não, muita gente não tem. Muitas parte do globo, especialmente o Brasil, passam por dificuldades financeiras, colocando a diversão bem abaixo na lista de prioridades. Quando conseguir carne ou gás já é um desafio, jogar fica para depois.

Agora, quando você abre possibilidades para mais pessoas com dificuldades ao menos terem a possibilidade de jogar, de graça e no celular, pode atingir uma número maior de jogadores, como o grande sucesso de Free Fire e sua acessibilidade.

A Konami quer que voltemos (ou entremos) de cabeça para PES/eFootball. Quanto mais gente, melhor. Do usuário de PC ao mais simples smartphone (dentro do mínimo exigido) podem fazer parte. O sucesso de Free Fire e games similares mostrou o caminho, que pode ser a chave para encarar (e talvez derrotar) o poderio das licenças de Fifa 22.