<
>

Análise: Fifa 22 acerta em animações e destaca Pro Clubs, mas requer ajustes

play
Corinthians de volta ao Fifa 22! VEJA a simulação de como seria o Derby contra o Palmeiras (2:30)

Time alvinegro paulista retorna ao jogo por participar da Copa Sul-Americana | CLIQUE AQUI e assista ao melhor do futebol AO VIVO pela ESPN no Star+ (2:30)

Lá vamos nós, para mais uma volta em nosso círculo vicioso. Fifa 22 está entre nós, com pontos fortes e fracos vistos nos últimos anos, além de novidades e mudanças ruins que fazem de mais uma temporada da franquia. É hora de recriar nosso time de Ultimate Team, tentar mais uma vez ser vitorioso no modo Carreira, recriar grandes clássicos, passar raiva com a jogabilidade e ficar animado com um jogo novo.

Como escrevi na análise de Fifa 20 (e Fifa 19...), o game deste ano não precisava ser um produto novo. Bastava uma atualização que teríamos “algo novo”. Mas a EA insiste que tem um algo nas mão que pode ser comercializado como um jogo independente, então seguimos.

A grande novidade de Fifa 22 é a doção do HyperMotion, tecnologia responsável por animações e movimentação do game. Ela foi feita a partir da captura de dados uma partida real entre 22 jogadores reais. O objetivo foi abastecer os criadores do game com informações a fim de obter mais fluidez no que vemos no campo real. Implementado somente na atual geração, reúne mais de 4 mil animações, a maior atualização da história da franquia. Está relacionada diretamente a passes, chutes, comemorações, cabeceios, dribles e muito mais.

A Hypermotion manda bem, já que a maior quantidade de movimentos faz do game mais vistoso. Quando estiver no jogo, dê uma olhada nos atletas que não estão próximos da bola. Pode parecer bobo, mas presenciar o lateral olhando para trás com receio que o ponta do outro jogue em suas costas faz toda a diferença. Mais realismo é bem-vindo.

MODOS DE JOGO

Nada melhor de “viajar” por um Fifa do que analisar seus modos de jogo. Há opções para todos os gostos. Quer disputar uma partida avulsa? Pode. Uma Copa? Claro. Há licenças variadas para recriamos grandes clássicos do futebol mundial, desde que você não queira incluir os clubes brasileiros. O futebol aqui, infelizmente, segue com nó difícil de desatar.

Partindo para as opções mais complexas, comecemos pelo Modo Carreira, que segue como uma das opções mais legais do game. Seja como um jogador ou uma equipe, buscamos prestígio para se destacar no cenário mundial. Para deixarmos de ser simples revelações e dominar os grandes clubes, evoluímos nosso avatar por meio da nova árvore de habilidades.

Para liberar recursos dentro desta árvore, temos que acumular pontos de habilidades, conseguidos principalmente em treinamentos e na conclusão de objetivos nas partidas. No começo, ao mesmo tempo que a conclusão de objetivos pode fazer com você evolua mais rápido, também oferece uma distração em campo, já que seu avatar é ruim nos primeiros anos da carreira e nem sempre é fácil fazer o que o game pede.

Foque nos objetivos mais simples ou que estão mais relacionados de sua função em campo, como marcar gols em um atacante ou trocar passes para um meia, e tente fazer o melhor em campo. É mais importante do que executar coisas que estão além sua habilidade.

Uma vez acumulados, você gasta os pontos com as habilidades para aumenta seus atributos e libera perfis, que dão ainda mais vantagens para seu atleta em desenvolvimento.

Após o hype inicial, quando todos curtiram a volta do futebol urbano à franquia, Volta perde fôlego. Ainda é um método eficiente para se aprender a marcar e fazer dribles, além de oferecer uma boa gama de opções de personalização, só o modo tem um prazo de validade cada vez menor. Mesmo com a chegada dos mini games ao modo, interessante nas primeira vezes que em jogamos, perdi a vontade de jogar rapidamente.

Já o Ultimate Team segue bastante valorizado, já que se trata do principal e mais popular modo do jogo - e uma fonte de dinheiro para a EA sem igual. Menus remodelados buscam facilitar o acesso a opções, mas ainda requer mais uns ajustes, como quando aplicamos filtros no mercado de transferências para opções mais específicas.

A personalização de estádios e acesso ao elenco ganharam bastante agilidade e dá para notar que ficou mais fácil buscar uma posição específica de jogador, mas ainda temos que apertar botões extras para procurar um atacante. Está quase lá, EA.

O Division Round recebeu alterações para se tornar mais acessível, como menor número de vitórias para quem curte subir no ranking mundial. Para quem não participava do evento, ficou mais atrativo, já que mesmo uma derrota faz com que você evolua. O mesmo se aplica ao FUT Champions, que busca mais jogadores a fim de aumentar o número de participantes no cenário competitivo e, por consequência, turbinar os esportes eletrônicos de Fifa 22.

A diversas opções de personalização estão com tudo no FUT. Da camisa do jogador ao hino que sua torcida canta a cada gol podem ser alterados. Vejo como uma boa forma de aplicarmos nosso perfil ao modo de jogo. É uma maneira legal de mostrarmos um pouco de nossa marca ao time, indo muito além da estratégia escolhida ou cards postos em campo. Não passa de perfumaria, mas em um modo em que há muita gente jogando, trata-se de uma forma legal de nos expressarmos por meio de nossa escolhas.

Como citado acima, o FUT segue como uma forma de renda grande para a EA, portanto os loot boxes seguem firme no game. Sendo assim, temos mais uma temporada para quem gasta no game com enorme vantagem para quem não investe no jogo – e só aproveitará os melhores cards no final da temporada de Fifa 22. O preview de pacotes foi mantido, mas bastante limitado neste ano.

Um detalhe deste ano é diminuição da animação de abertura de pacotes. Com menor duração, tira um pouco da expectativa de abrir um (caro) pacote de cards. Você pode até dizer que “pulava” a animação, mas o que temos hoje é algo tão ruim quanto uma animação grande como no passado. Quando você começa a ter a expectativa, o game já mostra na tela sem titubear um card de rating 75 de que não precisamos.

Acrescente a essa angústia o fato que a revelação de nacionalidade e clube dos cards serem tão rápidas que que as “pegadinhas” são ainda mais irritantes. O que teremos de jogadores frustrados ao ver a bandeira da Argentina e o escudo do Paris Saint-Germain render um Ángel Di María no lugar de um Lionel Messi não dará para contabilizar. O mesmo vale para a bandeira de Portugal e o escudo do Manchester United. Bruno Fernandes no lugar de Cristiano Ronaldo? Não é ruim, mas...

Por incrível que pareça, finalmente a EA criou algum hype para seu modo mais subutilizado. “Patinho feio” nos últimos anos, o Pro Clubs de Fifa 22 parece ter recebido mais atenção por parte da EA. Pela primeira vez, por exemplo, podemos criar uma jogadora para participar do modo, um bela (e bem atrasada) novidade para o modo.

A área de evolução do avatar também recebeu uma atenção especiais, oferecendo uma forma interessante de evolução ao jogador criado dentro do modo que reúne até 22 jogadores em uma mesma partida. Está mais simples disputar uma partida de forma descompromissa, mas quem leva a sério o modo pode criar ou participar de um clube.

JOGABILIADE

No campo da jogabilidade, devo dizer que Fifa 22 começou bem a temporada. Está mais cadenciado que anos anteriores e priorizando os passes. Bem, não curto (nem de longe) a interminável troca de passes feitas em partidas do circuito competitivo, mas o foco no criação da jogada tem que existir e isso Fifa 22 tem.

Neste início de temporada, alguns elementos da Inteligência chamam a atenção, como a necessidade dos jogadores controlados pelo game de congestionar a entrada da grande área na hora de se defender. O tumulto chega a ser engraçado em alguns momentos, já que a IA abdica de contra-ataques.

Houve uma tentativa de uma sintonia fina no goleiro, ao ajudar seu posicionamento e raciocínio. Só que ela precisa ser corrigida o mais rápido possível, já que os goleiros estão tomando muitos gols de fora da área e por cobertura, mas em bolas defensáveis. Para quem conhece a máxima de “braços de Tiranossauro Rex”, no qual os arqueiros parecem não esforçar para fazer as defesas.

Há outro elementos que a EA precisa corrigir é a jogada de linha de fundo feito pela IA. Em diversos jogos, fiz a marcação enquanto o ponta do outro time ia de um lado para outro, sem objetividade. Parecia que ele não sabia o que fazer (passar para trás, me driblar, etc.).

Neste primeiro momento, antes de atualizações maiores, o jogo parece bom de se jogar, mas nada que já não tenhamos visto antes.

QUE COMECEM OS JOGOS

Fifa 22 é um legítimo capítulo de sua franquia: não deveria ser anual, mas nos deixa animados pelo início de mais um ano. Vamos ficar bravos com os problemas e gritar a cada gol. Temos os pro players para acompanhar no Global Series e a falta da licença dos times brasileiros. Mesmo sendo um game tão popular, Fifa precisa evoluir e ser corrigido, já que a concorrência de eFootball e UFL podem incomodar. Nos altos e baixos de Fifa, começa mais uma temporada. Lá vamos nós.

Fifa 22 traz versões para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, PC e Stadia. Para saber tudo sobre Fifa 22, acesse nossa página especial.