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A história de Chelo: Jogador conta como foi a honra de representar a camisa do MIBR

Em 2021 Chelo alcançou seu grande sonho: representar a MIBR dentro dos servidores MIBR

O segundo capítulo da história de Chelo trouxe as primeiras aventuras do jogador representando uma organização de CS:GO em uma região internacional através das equipes paiN Gaming, Luminosity e INTZ. Após muito tentar alcançar grandes conquistas nos servidores norte-americanos, o jogador rumou de volta para casa para dominar o Brasil de forma explosiva.

Mas a passagem por aqui não durou muito, afinal de contas, qual o sentido de manter uma equipe tão forte quanto a Boom foi em 2020 em uma região que não permite que os talentos sejam mostrados ao mundo todo?

LEIA A HISTÓRIA DE CHELO

CAPÍTULO 3: REPRESENTANDO O MAIOR TIME DO BRASIL

Antes de falar sobre o presente, é extremamente importante observar o passado - principalmente se for o último ano de Chelo. Saindo de terras internacionais para voltar à sua zona de conforto no Brasil e voltar a competir no mais alto nível do cenário, sua chegada trouxe não só Marcelo de volta à cidade na qual nasceu mas também trouxe talvez os melhores momentos de sua carreira quando olhamos para resultados.

Após dois meses inteiros buscando sobreviver no Canadá com o coletivo ex-INTZ fazendo revezamento de compras no mercado, a hora de voltar para casa se aproximou lentamente. Aliás, foram dois meses tão angustiantes que os jogadores chegaram a cogitar cada um ir para um lado caso não encontrassem uma nova casa que abraçasse todos.

“Faltando poucos dias para a gente voltar do Canadá, falamos ‘se a gente não arranjar uma organização, vai cada um para um lado e a gente vê o que faz no Brasil’. A Boom apareceu e todos ficaram muito felizes”, relembra sobre a quase separação do grupo.

Chelo, shz, yel, boltz, felps e Apoka.

Chegaram no Brasil já sem as mesmas preocupações que tinham há algumas semanas atrás. Viram xand se separar da equipe para mais tarde se juntar à argentina 9z Team e, com o reforço de felps que chegou da MIBR como um empréstimo, passaram a vestir o uniforme da organização indonésia Boom. E a chegada dos lobos (animal que estampa o logo da equipe) acompanhado de perto pelo treinador Apoka foi realmente uma explosão no cenário brasileiro.

Primeira vez investindo no cenário brasileiro, se você é fã de CS:GO já sabe a campanha que a equipe fez no último ano. É simplesmente impossível falar da caminhada da equipe sem dizer que eles dominaram totalmente o cenário: em seu primeiro campeonato alcançaram o segundo lugar no qualificatório sul-americano do Americas Minor Rio 2020 e depois agarraram o título nos dez campeonatos que competiram no decorrer do ano. Simples assim.

Saíram dos momentos ruins nos Estados Unidos e voltaram para o Brasil para derrubar qualquer um que entrasse em seu caminho.

A discrepância entre o nível da equipe quando comparado com outros times brasileiros era tão grande na época que deu tempo até de relaxar mais do que gostariam. “Se eu eu falar que dos 3, 4 últimos campeonatos, a gente quase não treinava, dá para acreditar? O último torneio que treinamos foi o Tribo To Major. Nos outros a gente não treinava, pois o nível de treino no Brasil é fraco. A gente preferia jogar deathmatch que era muito mais legal do que se estressar em treino e não evoluir nada”.

Era um elenco com grande potencial, mas que estava escondido no Brasil, como gosta de falar o jornalista Rodrigo Guerra. Para a felicidade dos mesmos, sem planos de se manter no cenário brasileiro com a organização que representaram para chegar no topo do mesmo, logo foram encontrados pela lendária tag que no passado encheu os olhos de Chelo de brilho e esperanças de que um dia poderia viver do que tanto ama.

15 de janeiro foi o dia em que vestiu o uniforme da organização que tanto sonhou em representar para jogar novamente em uma região que não a brasileira. Era hora da MIBR revelar os novos talentos ao resto do mundo.

“A gente já tinha a ideia de não renovar com a Boom. O Apoka que negociou tudo, foi coisa de uma semana, então ninguém do time sabia. A gente soube um dia antes que éramos da MIBR e no dia seguinte já estávamos gravando para eles. Não é o que a galera fala de ‘Ah, eles já tinham outra line no gatilho’”, conta sobre como aconteceu a ida para a organização. “Não, foi algo muito rápido. Foi realmente bizarro, quando a gente chegou lá e já tinha camisa com o nome, eu disse ‘o que está acontecendo aqui?’. Fiquei muito feliz e meus pais também ficaram muito felizes. Eles sabiam que desde criança era meu sonho. Seus pais vendo você realizar um sonho é satisfatório demais”.

No entanto, a revelação do grupo ao exterior não foi como muitos esperavam. Mas ao mesmo tempo já era algo esperado, afinal o nível brasileiro não se compara ao internacional. Hoje, quase seis meses depois de passar a representar a organização dentro dos servidores, a equipe que uma vez dominou o Brasil vem mostrando dificuldades para encontrar o mesmo sucesso no resto do mundo.

De todos os campeonatos que participaram até o momento, saíram com um bom resultado (no caso o primeiro lugar) apenas quando voltaram para o Brasil para disputar a primeira temporada da CBCS Elite, evento RMR. O que pode parecer um sinal de alerta para muitos, na verdade trouxe um aspecto positivo para a equipe: tirou o coletivo do pedestal que haviam se colocado após meses batendo em equipes nacionais a torto e direito.

“A gente teve um baque, porque não éramos aquilo que pensávamos. O que fizemos no Brasil nenhum time fez e a gente se achava muito superior por motivos óbvios. Não é por diminuir ninguém, éramos superiores. Então a gente chegou na Europa achando que seria a mesma coisa e quebramos a cara. Eu gosto muito de desafio e foi um alívio saber que não estava no meu melhor nível. Foi muito bom”, fala sobre como foi perceber a diferença de nível no cenário europeu.

Assim como steelega leva a vida na Movistar Riders de forma tranquila e vendo os pontos positivos de cada acontecimento, Chelo faz o mesmo dentro da MIBR. Encara de cabeça erguida esse período de dificuldade para o time e acredita ser o momento de sua carreira no qual mais evoluiu como jogador. Já apanhou muito da vida em todos os aspectos e tomar um “pau” dentro dos servidores só serve para deixá-lo ainda mais disposto a melhorar para contornar a situação.

Um dos grandes destaques da MIBR nos dias de hoje, Chelo segue a vida sem a necessidade de ser a estrela do time e disposto a fazer de tudo para alavancar aqueles que estão ao seu lado na correria para alcançar o topo. “Se precisar que eu faça 0/30 para que os demais façam 30/0, eu sou esse cara. Agradeço ao meu time, graças a eles que tenho esse desempenho contínuo, mesmo nas derrotas. Eles estão sempre me apoiando e vice-versa”.

A longa caminhada para melhorar em meio às melhores equipes do mundo é árduo, mas Chelo sabe que nada é impossível. Falando por todos do time crava que o maior objetivo neste ano é chegar ao Major de Estocolmo no final do ano - um passo já foi dado em direção a esse com o título na CBCS - e colocar o nome da MIBR no Top 10.

“Quando perco, tenho a necessidade e a disciplina que devo treinar mais. Se eu treinar 12 horas e der tudo errado, vou treinar 14/15 horas. Não estou nem aí, durante semanas dormi apenas 4 horas por dia para jogar mais Counter-Strike. Aconselho isso? Não. Só quero jogar CS porque eu amo”, finaliza.

Faz tudo pelo amor. Pelo amor ao jogo, pelo amor por sua avó que o deixou a cinco anos atrás mas que continua viva em seu coração e segue olhando cada passo que dá em direção ao topo e também amor por sua família, razão de sua luta diária para dar uma condição melhor aos mesmos.

Hoje realiza seu sonho em uma das organizações mais respeitadas e com uma das comunidades mais apaixonadas do Counter-Strike brasileiro. Hoje possui o apoio que precisa. O desafio está em sua frente e não irá desistir até colocar seu nome, junto de seus companheiros, no topo.