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A história de Chelo: Cinco brasileiros passando perrengue nos EUA

Durante sua passagem pela INTZ, Chelo não alcançou grandes conquistas Igor Bezborodov

No último capítulo, o início de toda a trajetória de Chelo dentro do cenário de CS:GO foi apresentada desde sua infância. Passando por dificuldades financeiras, encarando perdas traumáticas e indo contra grande parte de sua família, o jogador paulistano de cabeça erguida pôde se provar ao cenário brasileiro.

Após deixar de lado uma rixa entre o mesmo e alguns dos ex-jogadores da Big Gods de 2016, e formar um dos quintetos independentes mais dominantes do cenário na época, a oportunidade de representar a tradicional paiN Gaming bateu à sua porta e levou o coletivo a uma nova região: a América do Norte!

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CAPÍTULO 2: CINCO BRASILEIROS PASSANDO PERRENGUE NOS EUA

A época era perfeita para estar na “gringa”. Foi naquele ano em que a SK Gaming dava continuidade a seus tempos de ouro e aterrorizava o cenário internacional com o plantel verde e amarelo, abrindo espaço para que cada vez mais jogadores e equipes brasileiras ganhassem notoriedade ao redor do mundo.

O breve casamento de apenas três meses entre a organização e os jogadores não rendeu muitos frutos no novo cenário e resultou na separação entre as partes, mas sair de lá para voltar ao Brasil para competir em um cenário que ainda caminhava a passos lentos em direção à profissionalização era uma decisão que faria com que a equipe desse muitos passos para trás. Já estavam lá, onde poderiam treinar com os melhores. Por que voltar agora?

“Era para termos voltado, mas nós cinco falamos: ‘É uma chance única. Vamos juntar nosso dinheiro’. Juro, não tínhamos nem 70 dólares, mesmo juntando o dinheiro dos cinco. Na época, a SK ia ficar 1 semana lá nos Estados Unidos e iam para um bootcamp de dois meses na Europa. Conversamos com o dead e ele disse: ‘Se vocês conseguirem ficar 1 semana aqui nos EUA com o dinheiro de vocês, a gente consegue encaixar vocês na casa para treinar’”, relembra bem humorado do perrengue.

Durante a semana que parecia nunca acabar fizeram o que podiam: racionaram o pouco dinheiro que tinham, moraram em um hotel com dois quartos para cinco jogadores - um tinha que ficar “marotado” por serem apenas duas camas - e sobreviveram durante os dias se alimentando com um lanche para cada no almoço e um na janta junto do refrigerante (que era refil). Apenas.

Em um tom de alívio, relembra de quando finalmente conseguiram passar pela semana e chegaram na casa da SK. “Fomos para a casa da SK e a Camis cuidou da gente. Amo demais o Dead e ela, foram pais na gringa para mim. São os ‘pais’ do CS nacional. Tem muita coisa que eles fazem e ninguém conta”.

Ainda com o resto dos jogadores mas sem uma organização para representar, um mês foi o suficiente para que a free agency (quando um jogador está disponível no mercado) de Chelo fosse notada pela Luminosity. Levando NEKIZ junto para a organização norte-americana como condição para aceitar a proposta, os jogadores continuaram sem conseguir reproduzir muito do sucesso que tiveram nos meses que precederam a viagem aos Estados Unidos, com algumas boas colocações aqui e ali.

Em menos de um ano se despediu da equipe para se juntar a outros grandes nomes do cenário como bit, felps, kNg e com a ajuda de Apoka como técnico, na organização Não Tem Como, de fnx - que também atuou como jogador. “Talvez eu me arrependesse no passado depois de um tempo de ter aceitado ir. Só que hoje vejo que foi muito bom para mim. Adquiri muita experiência, então muito dessa experiência consigo passar para quem entrou no time recentemente ou para mim mesmo”.

Mais uma breve passagem que não durou nem cinco meses e sem muitos sucessos. Logo se separaram da organização com bit e fnx deixando o elenco para dar espaço à Horvy e Xand.

Existem coisas ruins que vêm para o bem. Foi como aconteceu a separação da equipe com a Não Tem Como: foram “comprados” pela INTZ, organização que revelou grandes nomes do cenário nacional ao trazerem esses de volta aos holofotes, e isso inclui Chelo e os jogadores que o acompanharam durante sua passagem pelos Intrépidos.

“A INTZ foi boa para todo mundo, de todas as organizações por onde passei, a INTZ foi a melhor, incluindo a Luminosity. Nunca deixaram faltar nada. Eles não tinham muito dinheiro, pois é complicado uma organização brasileira bancar igual uma organização norte-americana, só que tudo o que a gente precisava, eles davam: salário na conta, alimentação. Era muito bom”, lembra sobre sua passagem pelo elenco.

Um ano e meio representando a camiseta Intrépida. Um ano e meio de muita aprendizagem e evolução tanto individual quanto em conjunto, e algumas boas campanhas enquanto viajavam o mundo para competir.

Saíram da INTZ e novamente passaram perrengue na “gringa”. Dois meses sem organização, novamente tiveram que sobreviver em outro país fazendo um bem bolado com o dinheiro que havia sobrado e um rodízio para decidir quem ia pagar as compras da semana (que segundo Chelo dava em torno de 300 dólares por mês).

“Tem muita gente que reclama que não tem oportunidade, mas nas duas vezes que eu tive uma oportunidade pequena, mínima, quase impossível, eu agarrei. Dei meu sangue na época da paiN e da INTZ. Não só eu, como todo o time”, crava confiante.

Deram tudo de si nos campeonato dos quais participaram internacionalmente. Alcançaram alguns bons resultados? Sim, mas nada fantástico. Pelo menos nenhum resultado que valha a pena e possa ser comparado aos que alcançaram quando retornaram às suas origens. Era hora de voltar ao calor do brasileiro.

Passagem de volta comprada. Embarque feito. Destino: Brasil.