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A importância dos torneios para o desenvolvimento do cenário feminino de Free Fire

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Nyvi Estephan comenta representatividade feminina e brasileira nos esports (6:13)

Apresentadora de esports foi reconhecida internacionalmente nos Esports Awards em 2019 (6:13)

Atualmente, Free Fire é um dos jogos mais inclusivos do cenário. Muito se deve ao fato de ser um jogo mobile, que roda em praticamente qualquer celular, por isso, ele atinge um número maior de pessoas, em praticamente qualquer lugar.

No entanto, mesmo com uma grande quantidade de jogadoras, o cenário feminino de Free Fire é pequeno, mas já começa a caminhar para uma mudança.

Campeonatos independentes dão ao cenário um gostinho de como seria jogar profissionalmente e incentivam as meninas a continuar com o sonho, por que acabam sendo a porta de entrada para muitos times.

A Liga NFA Feminina, por exemplo, aconteceu pela última vez em 2020 e teve um total de R$10 mil em premiação para as três primeiras colocadas.

Para quem acha que não existe público para um campeonato feminino, pode deixar o pensamento de lado, porque, em 2020, foram 24 equipes selecionadas. Meninas que queriam jogar e mostrar que são boas no que fazem.

Como aconteceu com Tami, jogadora da SS Esports, que foi uma revelação na NFA Feminina e foi a primeira mulher a ser campeã da Liga Brasileira de Free Fire.

Quando falou sobre seu título, Tami ressaltou que o espaço das ligas femininas é muito bom, principalmente porque mostra o potencial de todas as meninas. Ela também comentou que foi por causa de ligas femininas que a SS notou a garota, e que isso foi muito importante para a carreira dela.

MAIS CHANCES

Outros campeonatos femininos também apareceram para criar espaço para as meninas, como o Stay Strong, a Liga das Estrelas e o Camplota. Muitas jogadoras estão apenas esperando uma oportunidade para se inserir no meio profissional e é com esses campeonatos que damos essas oportunidades.

O Camplota, criado pela apresentadora Camila “CamilotaXP” Silveira, foi um campeonato inteiramente feminino que teve como objetivo dar mais visibilidade às jogadoras e às mulheres que quisessem trabalhar nos bastidores, como casters ou apresentadoras.

“Não apenas como jogadoras, sabe? Também quero dar espaço para as meninas que queiram ser analistas, comentaristas, narradoras, apresentadoras… tem lugar pra todas”, comentou Camilota.

O campeonato teve sua transmissão pela BOOYAH!, plataforma de streaming da Garena e fez bastante sucesso entre as meninas, e também outros espectadores.

Além dos campeonatos, as streamers também são uma fonte de inspiração para as meninas. Elas passam a ocupar cada vez mais o cenário, incentivando quem quiser à fazer o mesmo.

Como exemplo, podemos citar Babi, da LOUD, que começou a jogar o game quando ainda estava na fase beta. Ela tem um canal no youtube destinado para Free Fire e mostra um pouco da sua vida como jogadora profissional, além de vídeos com suas melhores jogadas e partidas com a sua equipe.

Ainda na LOUD, também temos Carol Voltan, que começou sua carreira no Free Fire em 2018, e foi descoberta pela organização por meio de guildas, participando de alguns campeonatos amadores.

SOS DEBB, streamer de Free Fire, tem um canal no Youtube onde compartilha vídeos sobre o game, fala das novidades, dá algumas dicas e mostra suas melhores jogadas.

Caso você não conheça muitas meninas do Free Fire, lá vai uma lista só com nomes incríveis, como Palominha, Uma Dani, Ingredy Barbi, Izabellaflu e outras.

CAMPLOTA 2

Com um alcance ainda maior, o campeonato feminino de Free Fire CampLota 2 será transmitido pela BOOYAH! e estará também na TV pela Loading, aos domingos, a partir do dia 28 de março.

O campeonato conta com grandes patrocínios como Motorola, Lenovo, Fusion, Logitech e Art Entretenimentos, e vai oferecer um total de R$56 mil em prêmios e 50 mil diamantes no game.

Exclusivo para jogadoras, o CampLota 2 terá 72 times divididos em 6 grupos, que terão que se enfrentar no modo Battle Royale em 7 rodadas.

“É muito gratificante ver que sou uma referência para as meninas. Pra falar a verdade, eu ainda fico chocada quando alguém me fala isso, porque eu não tenho noção da dimensão disso, mas eu fico muito feliz de chegar aonde cheguei e ser essa inspiração”, comenta Camilota.

“E com o CampLota, desde o primeiro, eu quis trazer mais visibilidade e dar mais lugar pra essas meninas, porque tem muita mina boa aí, só esperando uma oportunidade de entrar nesse cenário.”

O campeonato vai contar com a participação de meninas como Brenda Olivieri, Acerola, Babi Michelleto, Carmen Diazy e Isa como narradoras, comentaristas e apresentadoras.

QUEM É CAMILOTAXP?

Uma das personalidades mais conhecidas no cenário de esports, principalmente em Free Fire, a apresentadora teve sua carreira no mundo dos games iniciada em 2017, quando foi convidada para ser apresentadora do Circuito Desafiante de League of Legends.

“Minha relação com o videogame começou quando eu tinha uns nove anos, eu gastava meu tempo todo jogando Ragnarok, foi um jogo que me consumiu demais”, confessa. “Cara, eu jogava muito, mas aí eu precisei parar com uns 16 anos, porque eu queria seguir com minha carreira de atriz, então tinha que focar nela. Mas surgiu uma oportunidade em 2017 para apresentar um campeonato e eu topei.”

Ela conta que teve que largar sua vida de atriz, mas que valeu a pena, porque encontrou no cenário de esports o que realmente queria seguir fazendo para a vida.

Sua carreira tomou um rumo maior quando, em 2019, assumiu os palcos dos maiores campeonatos de Free Fire do mundo. “Eu amo o Free Fire, de verdade, amo o jogo, a comunidade, os campeonatos, tudo”, afirma Camilota.

Recentemente, Camilota atingiu a marca de 1 milhão de seguidores em seu Instagram.

Julia Macalossi é apaixonada por games e esports e colunista no ESPN Esports Brasil. Siga-a no Twitter e Instagram.