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Coordenador da Taça das Favelas fala sobre inclusão e descoberta de novos talentos no Free Fire

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Em parceria com a Garena, a CUFA (Central Única das Favelas) anunciou a Taça das Favelas Free Fire, torneio exclusivo para jovens moradores de favela de todo o país.

A Taça das Favelas teve início com o futebol - sua primeira edição foi realizada em 2012 - e é o maior campeonato de futebol entre favelas do mundo. Ela foi responsável pela revelação de novos talentos para o esporte, como Patrick de Paula, meia do Palmeiras.

“Esse ano, estávamos com o planejamento para fazer uma Taça das Favelas (Futebol) Nacional, que seria um evento para reunir o campeão de cada estado e promover uma grande final nacional, mas com a entrada do novo coronavírus, os planos foram frustrados, então a gente precisava preencher a lacuna que isso havia deixado com algo que também tivesse grande adesão na favela, e foi onde pensamos no Free Fire”, disse Marcus Vinicius Athayde, diretor de inovações da CUFA e coordenador geral do Projeto.

“É um jogo leve e que roda praticamente em qualquer celular, então tem uma adesão muito grande na favela, é tudo online e não precisaríamos reunir ninguém, aí entramos em contato com a Garena e eles gostaram bastante da ideia, e foi daí que surgiu a Taça das Favelas Free Fire”, completa.

CHANCE PARA TODOS

Enquanto outros jogos não são tão inclusivos, o Free Fire segue trazendo a inclusão para dentro do esports, realizando sonhos e motivando muitas pessoas que procuram por oportunidades de se encaixar no cenário e mudar de vida. “Uma das coisas que queremos mostrar, não só para os jogadores, mas também para os pais desses jogadores e para toda a favela, é que jogar profissionalmente já é uma realidade e que muitas pessoas já estão mudando de vida por causa disso”, comenta Marcus Vinicius.

"É um jogo leve e que roda praticamente em qualquer celular, então tem uma adesão muito grande na favela" Marcus Vinicius Athayde, diretor de inovações da CUFA

E é pra isso que a Taça das Favelas veio: mostrar pro mundo que os jogadores da favela tem valor, que eles tem talento e que é preciso sempre mais iniciativas como essa para que consigamos, cada vez mais, vencer a disparidade que existe no cenário de esports.

A gente sabe que a luta por igualdade não é uma corrida de 100 metros, mas sim uma maratona. E ainda tem muito chão para correr, muito caminho para trilhar e muito paradigma para quebrar, mas a Taça das Favelas Free Fire vem para ajudar e dar mais visibilidade para os moradores da periferia.

EM BUSCA DE ESPAÇO

“É claro que com a Taça das Favelas se consagrando no meio, a gente vai pensar em expandir isso para outros jogos”, menciona Marcus “mas temos um desafio enorme que é o aparelho celular desses jovens e a banda larga de internet, né? O Free Fire é perfeito porque roda em qualquer aparelho celular, mas outros jogos não são tão inclusivos assim, eles precisam de um pouco mais de dados, às vezes, e alguns rodam só em PC”, diz o coordenador.

O campeonato tem a característica de transformar vidas e revelar talentos futuros, e é isso que eles querem levar para o cenário do esporte eletrônico. Ainda que com algumas dificuldades no caminho, o sonho dos realizadores do projeto é ver jovens da periferia sendo as verdadeiras estrelas desse show.

“O que a gente precisa para tentar mudar cada vez mais o cenário é que os jogadores profissionais que vem da favela sejam vistos, a partir do momento que eles têm condição de mostrar o seu valor, as empresas começam a enxergar isso, e enxergar também todo o público das favelas, que também é o público que consome o produto deles”, Marcus Vinicius comenta também sobre o que as empresas podem fazer para ajudar a criar o espaço que esses jovens precisam.

"O que a gente precisa para tentar mudar cada vez mais o cenário é que os jogadores profissionais que vem da favela sejam vistos" Marcus Vinicius Athayde, diretor de inovações da CUFA

“A partir do momento em que esses jogadores ganham essa visibilidade que a Taça das Favelas tá trazendo agora, por exemplo, eles conseguem mudar esse círculo de inclusão, eles conseguem expandir isso para outros meios”, explica.

UNIÃO DAS FAVELAS

É esperado que o sucesso que a Taça das Favelas fez no futebol seja feito também nos esportes eletrônicos, dando chance para que os jovens da periferia tenham a oportunidade de seguir seus sonhos e transformar suas vidas.

“O campeonato vai criar uma grande mobilização e união da favela em prol de uma causa. No futebol, quando temos um time que nos representa, a favela se une para apoiar esse time, e vai ser assim no Free Fire também. Isso cria neles um espírito de reconhecimento, onde eles se orgulham em ser moradores da favela, e isso cria uma autoestima necessária”, completa.

Ver que existem ídolos e pessoas que vieram do mesmo lugar que você conquistando espaços e abrindo caminhos é inspirador, e isso gera nos jovens um sentimento de pertencimento, e faz com que, cada vez mais, eles queiram lutar e correr atrás dos seus sonhos, aumentando ainda mais a inclusão dentro do cenário de esports.

Julia Macalossi é apaixonada por games e esports e colunista no ESPN Esports Brasil. Siga-a no Twitter e Instagram.