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Chat Aberto: 'O Free Fire em si não ataca ninguém', diz Cerol sobre preconceito com o jogo

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Jogo que vem dando o que falar desde que entrou para o competitivo principalmente pelo aspecto de inclusão, o Free Fire mais uma vez foi assunto dentro dos esportes eletrônicos. Nas últimas semanas, o battle royale de celular desenvolvido pela Garena virou manchete por conta do acordo entre LOUD e Twitch, além de ter feito Gaules se posicionar contra o preconceito que o jogo sofre.

Falem bem, falem mal, fato é que Free Fire divide opiniões nos esports.

Ainda assim, não parece algo que abala a comunidade desse battle royale - pelo menos nas palavras de Cerol, convidado do Chat Aberto desta semana. “A comunidade do Free Fire não está ligando pra isso.”

O streamer do Corinthians participou do podcast de entrevistas do ESPN Esports Brasil e, dentre os assuntos debatidos, se abriu quanto ao preconceito sofrido pelo Free Fire.

“Quando você fala assim, 'Ah, o meu jogo é melhor do que esse', é porque você quer dizer que você não joga algo ruim. Você quer dizer que o seu é melhor falando mal do outro. O que isso vai te somar?”, criticou.

“O problema que o Free Fire tem hoje é como se a minha carreira não fosse nada. Como assim? O cara pega e fala: 'Ah, pô, eu tenho 10 anos de profissão aqui e chega um cara com um ano de profissão, só porque ele tem mais números do que eu, ele vai ser melhor?’ Isso choca as pessoas que não fazem parte.”

Os números de audiência de lives de streamers e campeonatos de Free Fire, assim como o engajamento que os agentes do meio promovem nas redes sociais, e tudo isso em tão pouco tempo de vida de competitivo, fazem com que o jogo vire alvo de ataques na visão de Cerol. “O Free Fire em si não ataca ninguém. O que vem é de fora”

O streamer indagou sobre o que se passa na cabeça de muitos que atacam o jogo. “Eu tô vendo que os caras estão crescendo, crescendo... Eles estão em destaque. Eu vou atacar que é para eu também aparecer ali na foto.”

O PODER DO FREE FIRE

No podcast do ESPN Esports Brasil, Cerol bateu muito na tecla sobre o poder que Free Fire possui por conta do seu alcance - algo que, como ele mesmo reforçou, só é permitido porque o jogo é feito para ser leve e inclusivo para rodar nos celulares.

Segundo o streamer, isso faz com que ele e outros influenciadores do meio estejam em contato com uma parcela de fãs que está normalmente marginalizada dos streamers que se popularizaram em games feitos para computador.

"Eu acabei entrando no jogo que ele me dá uma oportunidade que talvez pouquíssimos streamers vão ter, que é eu estar num sinal de rua, aí abaixar o vidro para poder comprar a bala de um moleque que tá ali tentando ganhar um dinheiro, e o moleque fala assim: 'Caraca, é o Cerol!' Aquele moleque ser o meu fã. E eu falar assim: 'Caraca, mané, olha o prazer que eu estou conseguindo dar a esse moleque que tá ali talvez sem nenhum futuro, sem nenhuma esperança, e pelo menos eu poder alegrar o dia dele tirando uma foto com ele, e ele estar pensando assim: 'Caraca, esse moleque é um exemplo, e eu posso ser também'.”

“É esse moleque que eu consigo atingir que as pessoas não entendem”, reforçou. “Isso pra mim é ser o melhor, é uma coisa que me deixa feliz. É eu poder estar trazendo a felicidade de um moleque que, cara, tu nem imaginaria que ele te conhece e ele está ali com você no dia a dia."

A RESPONSABILIDADE DO STREAMER

Durante o bate-papo no Chat Aberto, Cerol também falou sobre as responsabilidades que um streamer precisa ter no geral. "Estamos muito presentes na vida de quem nos assiste."

"A vida do streamer é muito mais do que só jogar, entendeu? A gente tem uma participação muito importante”, refletiu.

Para Cerol, o mais importante é “você demonstrar para os outros o que é certo e o que é errado”. "Eu preciso dar um exemplo bom ali para que a pessoa cresça e fale: 'Pô, eu aprendi de uma forma top, que eu vou ser uma pessoa honesta, um ser humano íntegro e com valores'. Sempre falo para a pessoa fazer o certo."

No fim do dia, Cerol entende que o streamer pode ser a base de muitas pessoas que estão desamparadas do outro lado da tela do computador ou do celular. “Às vezes, quando você não tem uma base muito boa, você começa a se questionar e isso acaba afetando.”

Ouça mais sobre o que Cerol teve a dizer via SoundCloud ou então Spotify.