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Franquias no CBLoL: Ligas regionais são a alternativa ideal para o "fim" do Circuitão

O sistema de franquias se aproxima do CBLoL. Previsto para entrar em vigor a partir da temporada 2021, o modelo competitivo fará com que os times participantes sejam sócios da liga — e que, como consequência, não haja rebaixamento direto no LoL brasileiro. O Circuito Desafiante, portanto, tem dias contados.

Ligas franqueadas podem escolher algumas opções de torneios de “segunda divisão” (e você pode entender tudo sobre elas na matéria especial sobre franquias), mesmo que eles não façam equivalência direta à vaga na liga principal. A norte-americana LCS, por exemplo, tem a LCS Academy como liga de desenvolvimento com times B das franquias.

A LEC, por sua vez, contempla o território europeu com ligas regionais em 12 países, que têm seus campeões disputando o EU Masters no fim da temporada. Com 12 ligas de desenvolvimento à disposição, a Europa tornou-se uma potência no League of Legends em menos de dois anos — com grande parte de seus jogadores destaque sendo novatos da própria região.

Na minha visão, a melhor opção para o CBLoL seria o modelo de ligas regionais.

LOL NO BRASIL

O Brasil tem um território imenso e, apesar de grande parte das atividades de esports estarem restritas ao eixo Rio-São Paulo, elas não são exclusivas dos dois estados. Algumas organizações têm, inclusive, como objetivo a expansão do LoL para além do sudeste: como a Rensga, de Goiás, e a Havan Liberty, de Santa Catarina, que têm seus centros de operações em seus respectivos estados.

Os fãs do campeonato estão disseminados ao longo do território. Isso foi provado nas diversas finais do CBLoL fora de São Paulo: as de Recife e de Belo Horizonte, em 2017; em Porto Alegre, em 2018; no Rio de Janeiro, em 2014 e 2019; o Desafio Invocadores em Fortaleza, em 2015, e o IWCQ em Curitiba, em 2016. Todos estiveram lotados por torcedores.

Boa parte dos talentos do LoL também não vêm apenas do sudeste. O top laner da PRG fNb é de Teresina, no Piauí; Titan, bicampeão do CBLoL, é de Manaus, no Amazonas. Já Ranger, jungler destaque que atua pelo Flamengo, é de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul.

Apesar de jogarem LoL em alto nível desde antes disso, os três jogadores tiveram de se mudar para São Paulo desde o início de sua carreira a fim de trilharem seu caminho rumo ao CBLoL. Mas e se houvesse, antes disso, a possibilidade de desenvolver seus talentos em sua região, e adquirir experiência competitiva em larga escala sem ir para tão longe de casa de cara?

CIRCUITO BRASILEIRO?

Faz sentido que as operações do CBLoL estejam em São Paulo, junto da sede da Riot e no coração do principal centro comercial do Brasil. A “segunda divisão” do CBLoL, no entanto, não têm essa necessidade, e a difusão do LoL competitivo ao redor do Brasil poderia reverter-se em vantagem em diversos aspectos.

A minha ideia é: imagina se tivéssemos ligas em cada região do Brasil? Uma liga no Norte, com times que centralizam suas operações na região; outra no Nordeste, outra no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul.

E isso não exclui a possibilidade de times academy, de qualquer forma. Suponhamos que Flamengo, paiN, INTZ, e KaBuM sejam aceitos como franquias, o Flamengo pode ter um time na liga do sudeste centralizado no Rio de Janeiro (o que atrai a torcida carioca, causa sentimento de pertencimento pela regionalização e desenvolve talentos locais); a paiN pode investir em um time no nordeste, a KaBuM no sul, por aí vai. Ainda existiria um “paiN Academy”, porém dentro da liga regional, ao lado de times endêmicos da região.

A medida poderia expandir a presença do LoL como esporte ao redor do Brasil, e beneficiar o mercado e a competição de diversas formas. Marcas locais de diversas partes do país teriam a chance de investir em equipes e formar novos atletas, criando campo para a aparição de talentos que podem ter o CBLoL como destino final. Televisões e veículos de mídia local também teriam motivação para transmitir e cobrir os campeonatos, visto que o sentimento de “pertencimento” existe: não é apenas um time, é o time da sua cidade ou do seu estado.

Uma liga regional com, por exemplo, seis times, já pode ser suficiente para abranger bons times de cada região. Jogadores de estados afastados de São Paulo poderiam fazer parte dos times e representar seu estado, sua cidade, através de um time de lá. Não seria excluir e dar fim ao Circuito Desafiante: seria expandi-lo, e transformá-lo em cinco campos de desenvolvimento de jogadores, técnicos, organizações, casters, etc.

Times de futebol e outros esportes tradicionais que não entrarem como franquias do CBLoL podem ser bem vindos nesse formato. Imagina um Flamengo Academy jogando contra o Cruzeiro, de Minas, na liga do sudeste? Ou o Grêmio contra a Redemption POA, ou Bahia e Ceará no LoL pelo nordeste?

Na minha visão, utilizar apenas uma liga academy das franquias aceitas pelo CBLoL é desperdiçar o potencial competitivo que um país tão extenso, apaixonado pelo League of Legends e rico em número de jogadores como o Brasil tem. Regionalizar os esports no Brasil é uma tarefa complicada, mas que já está em processo: e trazer o modelo de ligas regionais para o CBLoL adiantaria boa parte do processo.

Já é interessante o suficiente ter esses times jogando entre si, desenvolvendo os atletas, atraindo torcida e criando suas próprias rivalidades em cada região do Brasil. Mas seria ainda mais legal se, ao final da temporada, uma final entre as regiões fosse disputada, no modelo da EU Masters, para definir qual região e qual time foi o melhor da segunda divisão naquela temporada.

É claro que o alto nível e o prestígio estaria no CBLoL, pois ele concede vaga para os torneios internacionais e reúne os melhores atletas do Brasil. Por isso, a final brasileira — e todas as ligas antes dela — são um show a parte, tal qual o Circuitão atualmente. Além do título desta final, os jogadores teriam como motivação adicional a ciência de que, se se destacassem, poderiam atrair os olhos de alguma franquia do CBLoL na próxima temporada.

TRANSMISSÃO E ESTRUTURA

Nesta hipótese, o League of Legends brasileiro não teria mais apenas dois campeonatos para acompanhar e investir (três, com o “Tier 3”). Contando com o CBLoL, caberia à Riot gerenciar cerca de seis campeonatos, preocupando-se com transmissão, elenco, qualidade e tudo que envolve a realização de um campeonato.

Com isso, eu não vejo a necessidade de, pelo menos por enquanto, fazer com que os campeonatos sejam presenciais e com calendário extenso. Vejo algumas opções:

1) Utilizar a estrutura de parceiros (como BBL, GamersClub, Webedia, TVs locais ou outras empresas que podem aparecer com o formato) para realizar os torneios regionais, descentralizando as operações da segunda divisão na Riot;

2) Fazer operações presenciais, mas tornar os campeonatos regionais esporádicos, acontecendo entre poucas semanas da Etapa competitiva;

3) Transmitir apenas as eliminatórias e ter uma operação dedicada apenas na final brasileira entre regiões, poupando recursos do próprio CBLoL.

Todas as ligas precisariam de transmissão, de qualquer forma. Até isso, na minha visão, é positivo: poderia atrair novos patrocinadores locais para a liga, desenvolveria os bastidores do cenário de esports além do eixo Rio-São Paulo e formaria novos casters, apresentadores e analistas.

CONTRAPONTOS

Até agora, a ideia parece quase utópica. Um contraponto fácil de ser apontado, no entanto, é que os patrocinadores e times das ligas regionais podem recuar em investir no campeonato principal, e a diluição do investimento pode ser, de alguma forma, prejudicial, se não for proporcional à do CBLoL.

Isso, no entanto, depende diretamente da escolha das franquias e da competência das organizações escolhidas para o CBLoL franqueado. Se outros times fora da liga principal estão fazendo um trabalho melhor de captação de recursos financeiros do que os da liga de maior prestígio, faz sentido mantê-los nela?

Outro contraponto, na minha visão, é a dificuldade de estabelecer esse tipo de estrutura no mesmo ano em que a Riot expande as operações de seus outros jogos. TFT deve ter seu cenário competitivo consolidado em 2021, e VALORANT deve dar seus primeiros passos no mesmo ano. Seria um plano ambicioso assumir outras tantas ligas de LoL ao lado dos torneios dos dois jogos — considerando que até lá sejam só dois jogos, hehe.

CONCLUSÃO E PROJEÇÃO DE CONSEQUÊNCIAS

Com isso, acredito que a consolidação de ligas regionais que abranjam o território brasileiro — mesmo que não sejam realizadas exatamente da forma como propus, rs — podem ser extremamente benéficas para o campeonato a médio-longo prazo.

A medida propicia um campo muito grande de desenvolvimento de talentos para o CBLoL (quem sabe a gente deixe de precisar de imports com o tempo?), democratiza o jogo e o cenário ao redor do Brasil e traz entretenimento para fãs de todo o Brasil além das rodadas competitivas do CBLoL.

Eu não acho que o Circuitão tenha que acabar e valorizo muito o campeonato como entretenimento, como paixão da comunidade e como torneio irreverente paralelo ao CBLoL. A disseminação desse torneio e o desmembramento para algo que abranja muito mais gente pode ser positivo de várias maneiras.


Confira outras partes do Especial de Franquias no CBLoL da ESPN:

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