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Franquias no CBLoL: 'Segunda divisão' será Academy; diretor da Riot comenta

A Riot Games Brasil confirmou, em entrevista ao ESPN Esports Brasil, que a liga secundária do CBLoL em modelo de franquias será em formato Academy.

Este formato consiste na obrigatoriedade de todas as franquias no CBLoL de manterem um time além do titular, que disputará uma liga paralela ao torneio principal. O modelo é utilizado pela norte-americana LCS — nela, os times podem trocar jogadores entre o time principal e o time Academy de acordo com o desempenho.

O diretor de esports da Riot no Brasil, Carlos Antunes, afirmou que a ideia da empresa é que a liga academy tenha uma “cara própria”, assim como o Circuito Desafiante tem identidade própria atualmente. “Vai ter uma conexão maior com o CBLoL, maior que o Circuitão já teve, mas ele é para ser vivido de outro jeito”, afirma.

LIGA ACADEMY DO CBLOL

Carlos Antunes explicou que a liga Academy não terá como função apenas a de revelar nossos talentos, mas também de promover experiência de palco e vivência profissional a novos jogadores e a reservas não-ativos.

“Quando um jogador novo ou reserva entra em uma grande organização, seu desenvolvimento está 100% dependente de sua capacidade de treinar somente como um reserva ou menos que isso, fora de palco, fora de torneios”, exemplifica, afirmando que a intenção é que jogadores mais novos tenham condição de evoluir tanto quanto os dos times principais.

O diretor cita a experiência de palco do CBLoL, a sensação de ser um jogo que está “valendo” algo, a interação com diferentes técnicos, treinos com diversos times na semana como ferramentas de desenvolvimento valiosas para jogadores profissionais, que dificilmente são providas para novos jogadores.

Carlos assume que, sozinho, o Academy não “resolve os problemas do cenário”, mas que é uma ferramenta que gera eficiência na profissionalização e no surgimento de novas estrelas.

“Uma das principais funções do Academy é oferecer aos times um torneio com estrutura para que os jogadores trabalhem com preparação, com treino, para esse talento se desenvolver. O desenvolvimento de um talento que está jogando continuamente, e que está tendo uma experiência profissional e oficial, gera frutos para o time”, defende.

LIGAS REGIONAIS?

Apesar de confirmar a migração para Academy e não para ligas regionais, Carlos afirma que uma estrutura academy não implica em não realizar a regionalização do League of Legends por completo. “Nós [a Riot] estamos estudando um projeto de fomento de categoria de base, de maneira regional ou nacional. Mas ele não está vinculado, ainda, ao projeto de franquia”, crava.

“Não é uma responsabilidade dos times do CBLoL ter uma presença em uma liga regional. É outra dinâmica que a Riot precisa criar ou ver no mercado e estamos considerando nos envolver nisso, para que haja estímulo para mais jogadores, ara que cresçam as possibilidades do cenário e haja mais talentos para abastecer o CBLoL e que a liga se torne algo mais próximo ao sonhos desses jogadores”, expõe Antunes.

O diretor de esports afirmou que a Riot observa projetos independentes de esports e de League of Legends no Brasil, mas que esse cenário ainda tem grandes dificuldade de passarem de um ponto crítico de falta de audiência, receita e engajamento de times e jogadores. Ele afirma que a empresa têm a intenção de estimular este cenário, mas sem minar seus esforços no CBLoL, pois o torneio principal é a prioridade.

“[O desafio é] trabalhar o cenário regional e local sem ter de subsidiar esse cenário. Fazer a cena ser sustentável”, analisa. Ele cita o EU Masters, circuito B da LEC de ligas regionais, afirmando que ele é sustentável por conta do mercado local em cada país europeu.

“Como fazer isso no Brasil? Sim, temos ideias, conversas. O fato disso não estar associado à mecânica da franquia não quer dizer que a gente não entende esta questão e acha que tem espaços para a gente agir. Isso não está envolvido nos times do CBLoL (...), é um outro projeto que a gente precisa conversar, que envolve parceria, que envolve um diagnóstico nosso das diferentes cenas regionais.”

“É algo que a gente, em breve, pode ter algumas novidades para trazer, mas que precisa ser tocado em paralelo a franquia, para em algum momento, conectar esses universos: seja através de um draft, através de um projeto de apresentação de talentos ou qualquer coisa assim”, expõe Antunes.

O diretor, no entanto, ressalta que a ideia de regionalização e as franquias não estão conectadas ainda, e que podem se conectar no futuro. “Entendemos que um dos caminhos para alimentar e estimular esse cenário Tier 3 é conectá-lo ao principal”, disserta. Entretanto, Carlos deixa claro que a intenção da franquia é garantir estabilidade aos times, e que tudo além do que já está proposto ainda deve ser investigado.


A entrevista completa com Carlos Antunes será publicada no Chat Aberto, podcast de entrevistas do ESPN Esports.

Confira outras partes do Especial de Franquias no CBLoL da ESPN: