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Abrindo caminho para promessas e talentos, cenário de Rainbow Six terá Draft e Academy

Paluh foi a maior revelação do cenário de R6 nos últimos anos Divulgação/Rainbow Six

Mesmo com o Brasileirão de Rainbow Six Siege remodelado ou então o anúncio de uma “Libertadores”, a novidade que pode chamar mais a atenção da comunidade é a implementação dos conceitos de Draft e Academy pelo novo competitivo.

Esses sistemas abrem caminho para o surgimento de novas promessas enquanto jogadores profissionais e ainda possibilitam o desenvolvimento de talentos, como streamers.

O Draft seguirá moldes semelhantes aos da NBA, a liga profissional de basquete norte-americana. De acordo com Marcio Canosa, diretor de esports da Ubisoft para a América Latina, já havia o interesse de se adotar essa prática por parte da empresa.

No que se refere ao uso de equipes B pelo sistema de Academy, é uma discussão que “já vem há muitos anos”, como revelou em entrevista exclusiva ao ESPN Esports. “A gente nunca tinha viabilizado porque entendíamos que havia um conflito [de interesses].”

O diretor, contudo, disse que a empresa foi convencida pelas próprias organizações sobre investirem nessa prática. “Eles nos convenceram com os argumentos deles de que é bom para todo o cenário competitivo você ter organizações que são profissionalizadas, que têm estrutura e condições a oferecer para exatamente investir em um time em formação.”

DA NBA PARA O R6

O sistema de Draft que a Ubisoft implementará no novo competitivo de R6 será semelhante ao visto na NBA - inclusive com direito à uma noite de gala, prevista para janeiro.

Prevista para ocorrer entre dezembro e janeiro, será a oportunidade para jogadores que não fazem parte de qualquer equipe - seja da line-up principal ou da R6 Academy - de serem escolhidos pelas 10 organizações presentes no Campeonato Brasileiro.

Primeiro, a pessoa interessada deverá preencher um formulário de inscrição e não possuir contrato válido com nenhuma organização. Depois, haverá avaliações internas por parte da Ubisoft com base no desempenho desses jogadores durante as edições de Liga Six e Série B. Inclusive, um pro player da Série A poderá participar do Draft, contando que esteja live no mercado ao término da temporada.

Com isso, 10 jogadores serão escolhidos para participarem da cerimônia de gala. Os contemplados serão anunciados em duas rodadas, em que cada organização poderá selecionar um jogador.

A ordem de escolha será determinada após sorteio com probabilidades diferentes de acordo com a respectiva colocação final no BR6.

Sendo assim, os seis primeiros picks serão destinados para os times que não conseguiram se classificar aos playoffs do BR6. Na sequência, o processo se repetirá pela segunda rodada, mas agora só com os quatro times da etapa final.

As organizações da Série A são obrigadas a fazerem um pick, mas também terão à disposição um período de testes com o jogador em questão para determinar pela efetivação ou dispensa do mesmo.

R6 ACADEMY

Além da possibilidade de se tornar um atleta profissional por meio do Draft, o jogador que desejar entrar de vez no cenário competitivo de R6 poderá tentar a sorte por meio da R6 Academy. As organizações do Brasileirão poderão investir em promessas.

Abre-se também a possibilidade de incluir streamers nesse aspecto, uma vez que o Programa Piloto exige que os times tenham criação de conteúdo sobre o FPS.

“É uma academia, é como se você estivesse passando de um programa de trainee”, argumentou Marcio. “Será saudável para todo o sistema porque isso vai permitir a formação de novos talentos, de novos atletas que vão se tornar aí futuramente grandes estrelas.”

De qualquer maneira, o diretor da Ubisoft esclareceu um ponto sobre essa iniciativa. “O time Academy não é uma obrigação. Os times da Série A têm isso como opção.”

“Eles podem investir ou não, mas gente acredita que muitos vão fazer esse investimento. Eles realmente enxergam um retorno sobre isso. Tem uma série de benefícios que valem o investimento”, projetou.

Sobre regras e conflito de interesses, Marcio também explicou que não há nenhuma possibilidade de uma mesma organização ter as lines principal e Academy disputando o BR6. Caso haja essa situação, “ela vai ter que optar entre os dois times que eles têm. Então vai ter que vender [a line-up] ou finalizar o contrato [com os jogadores]”.

E também a Ubisoft se certificou do seguinte cenário: se a organização, por coincidência, acabar com a line principal na última colocação do BR6 e ter a equipe Academy como campeã da Série B, a Série de Promoção não ocorrerá entre esses dois times.

“Isso não será permitido. Se acontecer, o time Academy que venha a ganhar essa oportunidade de jogar a Série de Promoção terá que ceder para o segundo colocado”, antecipou.

De qualquer forma, Marcio comentou que nada impede de que a prática do sistema Academy vire uma fonte de renda extra para as organizações. “Sim, ele pode tornar isso um negócio. Tudo o que ele investiu nesse time, ele pode tentar ter um retorno exatamente vendendo essa vaga.”

Por fim, as transferências entre jogadores da equipe principal da line Academy precisão respeitar o período de mercado aberto - que ocorrerá sempre entre o final de uma temporada e o início da season seguinte.

MULHERES NO CENÁRIO

Questionado pela reportagem, Marcio esclareceu que os sistemas de Draft e Academy pelo novo competitivo não são restringidos por gênero. Assim como já ocorre no cenário de Rainbow Six em todas as competições, é possível que mulheres se inscrevam no Draft ou então que sejam recrutadas para o sistema de academia.

“Isso depende só das organizações. Se eles desejarem ter um time misto também, nada impede”, comentou.

“Não existe a distinção de gênero. É aberto. Não é porque temos um Circuito Feminino que os outros campeonatos são masculinos. Os campeonatos todos são mistos”, reforçou.

Na visão do diretor da Ubisoft, os novos sistemas de Draft e Academy servem como outra frente para que mulheres consigam ser mais presentes no cenário profissional. “Não sei como isso vai se desenhar, vai depender muito da performance dessas jogadoras. E do interesse dessas organizações também em investir nessas jogadoras.”

É possível que uma organização invista em uma line Academy totalmente feminina caso. É algo que já acontece com a Black Dragons, por exemplo. Na visão de Marcio, o novo competitivo anunciado abre mais portas para essa inclusão feminina no cenário profissional.

“Se você é uma jogadora muito talentosa, e você não conseguiu formar um time feminino ou misto que te dê destaque, você ainda assim pode participar do sistema de Draft.”

RESUMINDO

O que você precisa saber, portanto, sobre os sistemas de Draft e Academy:

  • Foram mecanismos criados pela Ubisoft para contribuir no surgimento de novos jogadores e talentos; é possível que as equipes invistam, por exemplo, em streamers

  • Não há restrição de gênero: mulheres podem se inscrever no Draft; organizações podem investir em lines femininas ou mistas pelo R6 Academy;

  • Draft seguirá os mesmos moldes da NBA; passada as avaliações internas, 10 jogadores terão que ser pickados pelas organizações - que é obrigada a contratar, mas respeitando um período de teste para efetivação/dispensa

  • R6 Academy permitirá o investimento em um time B com jogadores da Liga Six e da Série B; não é uma obrigação por parte das organizações

  • Transferências entre membros do time principal para a Academy só serão possíveis durante a janela de transferências

  • Organizações não podem ter duas lines disputando a Série A do Brasileirão; será preciso vender a vaga ou se desfazer do time Academy

  • Organizações podem usar o sistema de Academy como fonte extra, vendendo aquela line-up ao término da fase