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R6: Em boa fase, Team Liquid usa PSK1 e SexyCake como armas pra superar defesa 'roubada' no meta

PSK1 (à esquerda) e SexyCake representam a boa fase da Team Liquid na temporada Divulgação/Rainbow Six Esports

A Team Liquid consolidou o bom momento pela 11ª temporada da Pro League LATAM de Rainbow Six Siege na última semana ao ter chegado na terceira vitória seguida. Com isso, a Cavalaria está apenas uma posição atrás da líder Ninjas in Pyjamas, mas com os mesmos 22 pontos somados. Houve uma mudança na postura da line-up em meio às quatro rodadas do returno da competição.

A sequência de resultados positivos se passou, dentre outros fatores, pela manutenção das funções na equipe e, principalmente, como a equipe encarou o meta - que atualmente tem favorecido que joga na defesa.

Defesa que está “roubada”, como disse SexyCake em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil. “A defesa do Rainbow nesse meta simplesmente está muito roubada, por isso fica mais fácil fazer mais rounds na defesa.”

A insatisfação tem sentido uma vez que dos 167 rounds disputados só no returno da Pro League, a defesa levou a melhor em 97. É um aproveitamento de 58% que faz diferença caso o ataque demore muito na progressão até a região dos bombs.

O coach Silence usou a derrota para a NiP no mapa Consulado como exemplo. “Se a defesa avança na lan house e você perde muito tempo tentando entrar, ali mesmo você já perdeu o round, pois não terá mais tempo de trabalhar o bomb”, analisou para a reportagem.

A primeira metade daquela partida válida pela oitava rodada do regional LATAM acabou com 3 a 3 nas parciais, mas o jogo desandou para a Team Liquid quando o time partiu para o ataque. “Consulado é um mapa que você - como um time - precisa de muita coordenação, principalmente no ataque”, refletiu. “A gente pecou muito nesses detalhes, não sabendo lidar com a defesa deles.”

Acontece que nas três rodadas seguintes, a Cavalaria passou a ter um ataque mais consistente e, aos poucos e de forma empírica, foi quebrando a defesa “roubada”. No jogo que mais exigiu concentração da Team Liquid, diante da MIBR, a mudança na postura foi devidamente estabelecida.

O confronto direto pela vice-liderança - e, por sua vez, para colar em definitivo na NiP - foi vencido por 7 a 3, sendo que cinco rodadas foram vencidas no ataque. Questionado pela reportagem se o resultado foi a prova dessa mudança de chave da equipe enquanto atacante ou se então foi por conta das características do adversário em questão, Silence destacou o aspecto coletivo da Team Liquid após a eliminação precoce pelo Six Invitational 2020.

“O time depois que voltou da Canadá fez uma reunião sobre o que deveríamos fazer para melhorar nosso desempenho, principalmente em partidas MD1”, relembrou. “Resolvemos mudar umas funções e acima de tudo mudar o estilo de jogo de cada um. Colocar o nesk mais solto, por exemplo, e deixar os jogadores jogarem mais livres para fazer ‘plays’ que sintam que é a hora de fazer.”

O discurso de Silence se comprova pelos números já que nesk soma até o momento três MVPs e foi o destaque individual logo da semana de retorno da Pro League, quando foi o jogador que mais fez abates (25) e ainda contou com o melhor KDR (1.79).

“Outra coisa que melhorou muito também foi a leitura de jogo em cima dos adversários, mas isso é assunto pra outro dia”, desviou de assunto Silence com bom humor.

PSK E SEXYCAKE

Ainda que os números de nesk comprovem essa postura mais livre da Team Liquid nas partidas, quem realmente representa a nova mentalidade são dois outros jogadores: PSK1 e SexyCake.

Silence reforçou a importância da dupla nesta temporada. “Nossos resultados estão sendo favorecidos devidas às mudanças que tivemos no time em questão de funções onde o PSK e o Sexy mudaram o posicionamento e estilo de jogo.”

O mais evidente nesse caso é PSK1, que sempre se caracterizou por ser um suporte que ancora dentro do bombsite, mas que agora se arrisca em jogadas mais agressivas - principalmente no ataque - e soma 89 kills, o mesmo número de Paluh, que tem função bem mais ofensiva.

“O estilo de jogo dele mudou também. Ele está mais solto pra jogar e fazer as plays”, ressaltou o coach. Ainda assim, engana-se quem acha que PSK1 deixou de ser suporte. “Na verdade, ele está jogando FULL suporte agora”, reforçou Silence. “Depois que ele plantar a bomba, que é a função dele, ele está livre pra fazer o que quiser! E bala ele tem.” Situação curiosa para o próprio PSK1, afinal, ele respondeu para a reportagem que não se vê “tão agressivo quanto deveria ser”. Inclusive, o suporte explicou o motivo de atualmente jogar de forma mais livre.

“Joguei uma temporada um pouco mais agressivo para deixar o Sexy um pouco mais recuado fazendo IGL, mas senti um pouco dele fazendo as plays mais agressivas como costumava fazer e decidi voltar para suporte”, analisou PSK1.

“Foi uma temporada ‘boa’ em relação às kills, porém, não sou muito acostumado a jogar fora do bomb. Acho que agora dividindo o suporte e tendo a ajuda do Sexy, estou mais confortável.”

E por falar em SexyCake, o pro player definitivamente virou o coringa da Team Liquid na temporada. Ele sempre se destacou por desempenhar a função de flex no time, ou seja, quem consegue atuar em várias posições com diferentes operadores quando necessário.

Ao decorrer do returno, pôde ser visto como ele teve participações mais determinantes na linha de frente, mas, em outras ocasiões, também tratou de ser o “cão de guarda” da Team Liquid. Como foi diante da MIBR em Clube.

SexyCake, que jogou apenas de Maverick, fazia seu trabalho de maçaricar as paredes reforçadas ao redor do bombsite e, quando cumpria seu papel inicial, já partia para a próxima tarefa: dar cobertura para a progressão da equipe. Se nesk era o ponta de lança, SexyCake cuidava da blindagem.

“Eu faço várias funções diferentes, depende do mapa”, comentou o flex. “Mas contra a MIBR, esse era o melhor a se fazer então eu já estava preparado pra isso.”

A missão de SexyCake, num modo geral, é atrapalhar o adversário e engessar as rotações que possam pegar a Team Liquid de surpresa. Dessa forma, criou-se a expectativa de como o jogador poderia se usufruir da nova operadora Kali, que foi adicionada ao R6 na Operação Shifting Tides, e consegue derrubar os adversários com apenas um tiro.

A atacante apareceu pouco até agora no meta LATAM e foi pickada uma vez por SexyCake em Parque Temático, diante da Black Dragons. Mesmo assim, o jogador fez mistério quanto ao uso da operadora até o fim da temporada. “Kali é uma operadora muito situacional e vai ser muito difícil ver ela por aí, podemos dizer assim”, comentou com risos.

LABORATÓRIO

A Team Liquid sempre se destacou como a equipe brasileira que mais se propõe a inovar em termos táticos. As estratégias adotadas por Silence chamam a atenção da comunidade a cada temporada.

“A gente é um time que sempre tentar inovar e buscar coisas novas dentro de jogo”, ressaltou o coach. “Desde táticas novas ou até mesmo estilos de jogo novos.”

Virtude que ganha mais força já que a temporada atual da Pro League será a última na história da competição e que, de quebra, não contará com a fase mundial por causa da pandemia de coronavírus.

Portanto, o regional latino-americano serve como laboratório, de certa forma, para que as equipes preparem terreno tendo em vista a disputa do Brasileirão de Rainbow Six (BR6). “Está chegando num ponto que em certos mapas não tem mais o que inventar, e com isso acaba se tornando uma mesmice nas partidas. Mas sempre que existe uma oportunidade, como por exemplo o novo Parque Temático, a gente aproveita pra inovar!”

Por isso, como reforçou SexyCake, é hora de aproveitar a situação para novas experiências. “Teremos e queremos inovar em vários aspectos porque a meta BR é muito boa em leitura.”

Com apenas três rodadas restantes para o término da Pro League LATAM, a Team Liquid sabe onde precisa melhorar para, caso a Ninjas in Pyjamas tropece, pular à liderança. “Trabalhar um pouco mais a team play e finalização de round”, salientou PSK1. “Estamos pegando firme nesses detalhes.”

Dessa forma, ajustando os erros, mantendo o fôlego para engatar mais vitórias seguidas e contando com a sorte, a Cavalaria foca as energias pra encerrar a Pro League em alta. SexyCake, inclusive, falou qual é a carta na manga para que o time tenha êxito. “Nossa principal virtude é a persistência e constante evolução então jogamos em cima disso pra tudo dar certo no final.’

“Se o título regional vem? Estamos fazendo de tudo pra isso acontecer. E se vier, vai ser fruto de todo o nosso esforço!”