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CSGO: O que a saída de Zews significa para o MIBR? Bida e Nicolino opinam

Nicolino e Bida estão apreensivos com o futuro do MIBR sem o treinador BBL Esports/Clutch Circuit

A saída de Zews do comando técnico do MIBR ainda vem repercutindo depois do anúncio feito na noite da última quarta-feira (25). A notícia pegou de surpresa a comunidade de Counter-Strike: Global Offensive e agitou até mesmo o mundo do futebol. Isso porque o desligamento do coach veio exatamente no melhor momento da equipe neste ano após a vitória da primeira etapa do Flashpoint.

Além disso, Zews fez questão de falar sobre como problemas “mais complexos, pesados e enraizados” afetaram diretamente nessa decisão. Para ele, a manutenção do time se passa por “uma mudança maior em seu elenco e/ou sua cultura”.

Mas, afinal, o que representa a saída do técnico do comando do MIBR? O ESPN Esports Brasil conversou com os especialistas BiDa e Nicolino para procurar se entender o impacto do desligamento de Zews.

O RUÍDO DA SAÍDA

O grande mistério é entender o que Zews quis dizer sobre “uma mudança maior” de “elenco e/ou cultura”. O pronunciamento dele teve tom de autocrítica, mas adicionado a esse aspecto de lamento e cobrança.

“É muito complicado tentar entender o sentido do que foi dito sem saber realmente o que acontece”, ponderou Nicolino. “Mas imagino que se vai contra o que ele acredita como projeto, o melhor a ser feito realmente é chegar em um acordo pacífico e seguir para algum lugar que ele acredite estar mais alinhado às suas ideias.”

BiDa foi no mesmo raciocínio. “Ele deixou a interpretar que tinha muitas coisas que estavam erradas e que eles precisavam mudar. Mas parece que o time não concordava tanto com ele. Teve algum tipo de desacordo entre eles."

Desacordo que poderia acarretar em um clima bem pior de bastidores mais para o meio da temporada, como concluiu Nicolino. “Também imagino que se chegou a esse ponto, talvez o clima poderia piorar em algum momento e isso com certeza não seria bom.”

As suposições dos casters em cima do comunicado feito por Zews ganham novas dimensões tendo em vista o que foi dito por TACO nas redes sociais. O jogador adotou o mesmo discurso dos companheiros de MIBR em tom de agradecimentos e boa sorte ao coach, mas disse que Zews é “esforçado quando quer ser”. O comentário foi interpretado como farpa por muita gente.

No fim das contas, “é bem complicado”, como disse BiDa. “A gente tem pouquíssima informação sobre o que acontece. Até podemos ter nossas sugestões sobre o que falta no time etc, mas depois de tanto tempo com problemas, acho que se fosse alguma coisa simples eles já teriam solucionado. É complexo.”

O PROBLEMA DO TIME

A MIBR foi uma equipe que sofreu muitas críticas por ter promovido muitas mudanças de line-up em 2019. Essa dança das cadeiras acarretou na inconstância que Fallen e companhia apresentaram ao decorrer da última temporada.

Para BiDa, a saída de Zews deve ser analisada de forma semelhante quando há troca de jogador. “Mudanças de jogador é a última coisa que a equipe faz para tentar consertar os problemas. Não é levado só em consideração o que a pessoa fez no jogo oficial.”

O narrador lembrou que o público vê muito pouco do que realmente acontece dentro de uma organização. “O que o jogador faz durante a partida é muito pouco em comparação à convivência que eles têm juntos. A gente só vê o topo do iceberg.”

É assim que BiDa vê o contexto do desligamento de Zews. “A gente sabe que com certeza ele tem um impacto [na tomada de decisões e no ânimo do time], mas a questão é saber quantas vezes ele é impactante.”

Nesse aspecto, Nicolino entende que “a equipe com certeza perde, pois sabemos toda a importância do Zews por onde passa”. Mas agora que a decisão foi tomada, o caster defende que não haja mais mudanças significativas durante a temporada.

Para ele, é preciso “estabelecer a line com os cinco jogadores independente de vitória ou derrota e seguir trabalhando para achar um ritmo bom para a equipe.” E isso já se aplica para a disputa do Flashpoint caso a MIBR decepcione futuramente. “Se perder, não acredito que já deve tirar alguém.”

Nicolino acredita que o momento é de “manter um grupo fechado pra que as coisas voltem a funcionar como antes”. “O fator união é muito importante nessa hora. Não adianta nada manter seis pessoas juntas que por algum motivo não se dão bem.”

Ainda assim, o caster palpitou. “Na minha opinião, ficar sem um coach nesse momento é um passo pra trás.”

Já BiDa enxerga de outra forma. “Não acho que seja um passo pra trás não. Eles continuam buscando soluções. As coisas não estavam indo nada bem. Qualquer coisa que estivesse vindo já era solução. Já era uma resposta positiva.”

“Eles tirarem mais uma peça de sua line significa que estão inquietos, que continuam trabalhando pra melhorar dentro de jogo. A gente não vai saber o impacto que Zews tinha."

Ainda assim, BiDa foi firme ao criticar algo que parece ter tomado conta da MIBR nos últimos tempos: a nostalgia. “Aquele saudosismo que tínhamos sobre ter o Zelão, quando ele era o coach do time e os caras foram campeões de dois Majors. Mesma coisa com TACO e felps no início de 2019. Uma line-up que já foi muito campeã em 2017 e a gente achou que isso seria a solução.”

“Não necessariamente essa nostalgia leva a um time campeão”, prosseguiu o narrador. “A gente sabe que os tempos mudaram bastante. Não é um passo para trás, mas não é necessariamente um passo pra frente."

SEM TANTA EMPOLGAÇÃO

E ainda com base nesse fator nostálgico, BiDa fez um balanço sobre a MIBR versão 2020. “Eles precisam entender que não são mais aqueles caras de antes. Acho que já caiu essa ficha e agora eles precisam encarar os jogos como se fosse a última oportunidade.”

Esse processo, nas palavras do narrador, é passo fundamental para Fallen e companhia voltarem a brilhar no cenário de CSGO. “Não é hora da gente esperar que eles saiam com título de todos os campeonatos ou só de um.”

Respaldado nesse pensamento, BiDa até se permitiu a usar a nostalgia para contextualizar a MIBR nos dias de hoje. “Temos que voltar para aquela mentalidade lá de 2014, quando uma vitória era muito feliz. E se eles acabassem perdendo jogos com placar apertado não ficávamos tão insatisfeitos. É hora de ter calma e deixar mais tempo.”

Ainda assim, ele sabe que é preciso de resultados. “A gente fala tanto de dar tempo, dar tempo e aí já faz mais de um ano que a gente pede tempo. Mas se nem eles conseguem dar tempo para eles próprios, afinal, eles têm essa questão de querer resolver. Sempre tem uma pressão em cima deles, seja deles mesmos, ora da torcida, ora da própria organização."

Mesmo com o bom desempenho pelo Flashpoint, é preciso conter a empolgação. É como pensa Nicolino. “Eu acredito ser cedo sim para se empolgar, mas acaba sendo inevitável!”

“Nós somos apaixonados por CS e muito acostumados a ver esses jogadores no topo. Então sempre que vemos jogos tão bons assim e conseguimos ver a equipe jogando agressiva, fazendo as coisas funcionarem, vamos acabar empolgando e tomara que dessa vez por um bom tempo.”

BiDa brincou como a falta de bons resultados afetou a torcida. “A galera já vê uma vitória e manda um 'O campeão voltou', né? Qualquer coisa positiva. Na verdade, qualquer coisa diferente do que estava acontecendo já era significado para comemorar muito.”

Ainda assim, o caster confia que a MIBR possa voltar a performar em alto nível caso siga a cartilha em não viver mais no passado. O potencial tem de sobra na visão dele. Prova disso é a postura das próprias equipes que enfrentam o time de Fallen.

“A gente já escutou entrevista da Astralis falando sobre a MIBR ser um dos times mais difíceis que enfrentaram no passado. Muita gente conhece os jogadores. Eles são notórios e são respeitados até hoje por conta daquele passado. Normalmente os times tendem a atingir um nível muito alto contra a MIBR porque respeitam.”

De qualquer forma, 2020 está aí. E, como reforçou BiDa, “não dá para começar a preparar fogos de artifício pra comemorar título ainda. Mas é bom que as coisas comecem a surgir.”