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Zews revisita história de membros do MIBR e aponta otimismo após Major: "Saímos muito confiantes"

MIBR

O MIBR estreou sua escalação totalmente brasileira no primeiro major do ano, o IEM Katowice 2019. Com pouco mais de 20 dias de treino, a equipe foi às semifinais do torneio, caindo apenas para a multicampeã Astralis, nêmesis dos jogadores na temporada de 2018.

Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o técnico Wilton "zews" Prado afirmou, após a derrota nas eliminatórias, que o resultado não entristeceu a escalação. “O time é muito novo ainda, tivemos um resultado okay. Lógico que queríamos ganhar, mas tem muito positivo pra levar disso”, argumenta o treinador.

Zews contou que o MIBR fez um bootcamp de 20 dias em treinos intensos antes do Major. “Nos dedicamos muito, e por isso vem a dor: Quando você trabalha e não vem o resultado de imediato, dói”, confessa. “Mas a gente terminou e viu que tá no caminho certo. Com pouco treino conseguimos bater de frente, chegar a um resultado expressivo, levamos os caras [da Astralis] ao limite”, relembra.

Sobre o jogo, o técnico é enfático: “Nos rounds armados, fomos os melhores naquele mapa. Perdemos os pistols, alguns rounds forçados e nos detalhes, mas mesmo assim foi 16 a 14. (...) Maior coisa que a gente leva é que se continuarmos treinando, dá. A gente sabe que dá, é uma questão de tempo. Saímos muito confiantes desse campeonato, as coisas estão se encaminhando”, crava.

ESCALAÇÃO BRASILEIRA

Questionado sobre a reunião dos membros do MIBR, que agora formam uma escalação brasileira com um treinador também brasileiro, Zews comenta que a mudança faz parte dos motivos para o bom desempenho. “O ano passado, especificamente, foi uma etapa nova para todo mundo, todos tiveram muita dificuldade”, afirma.

“Eu e o TACO, na Liquid, tivemos um ano bem legal pra quem via de fora. Mas pra a gente, ficar oito vezes no palco vendo confete sair para o outro time ser campeão machucou muito. Sempre gostamos de ser campeões, sempre pegamos os troféus. O MIBR [também] teve uma época difícil, uma adaptação com americanos, não teve os resultados de expressão que queria”, relembra o treinador.

“Por mais que machuque, acho que foi necessário pra todo mundo. Colocou a gente no chão pra dizer ‘vamos nos unir de novo’”, conta. Zews relata ainda que a “vibe” do time está muito boa: “Estamos unidos, todo mundo conversa, se entende, ri, se diverte. Acabou o jogo ontem e fomos nos divertir… Isso é importante pra uma profissão, se você gosta do que tá fazendo. Só prova que nossa pegada vai continuar”, garante.

O técnico opina que o time precisava que cada um “tomasse seu rumo” para que o caminho correto fosse esclarecido. “Parece que tudo se encaixou do jeito que precisava. Precisávamos passar por aquilo tudo para chegar onde chegamos”, diz o treinador.

EXPERIÊNCIA NA LIQUID E EXPECTATIVAS

Zews comentou ainda a experiência de, em 2018, treinar um time norteamericano — a Team Liquid, com a qual foi vice campeão diversas vezes na temporada passada, com TACO na escalação. “A língua não foi um problema porque eu cresci nos EUA, mas a cultura é muito diferente”, conta.

“Fomos nos adaptando lá. Na parte psicológica, o brasileiro é muito melhor, sabemos lidar mais com pressão. Aprendi a lidar com problemas lá que jamais precisei lidar na SK ou na LG”, revela. “Vindo da Liquid, aprendi algumas coisas que eu raramente aprenderia em uma equipe brasileira, também. Eles focam muito na parte mental, psicológica, de tirar do jogador o máximo de seu rendimento. É algo que estamos usando agora e aprendendo. Foi uma experiência muito legal ter jogado lá”, considera o treinador.

Encerrando a entrevista, o técnico comentou a final do Major, entre Astralis e ENCE, afirmando que a campanha da equipe finlandesa lembra a época de ouro da Luminosity Gaming: “A campanha deles foi uma coisa muito linda.” Sobre a dominância da Astralis, Zews concorda que a equipe seja a melhor do mundo, mas deixa recado: “Eles se provaram os melhores. Mas não vão ficar por muito tempo, porque a gente tá chegando”, finaliza.

* O jornalista foi à Polônia a convite da Intel para o Major IEM Katowice 2019