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Opinião: O que Fifa poderia aprender com Free Fire para se tornar um jogo de sucesso nos celulares

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Fifa Soccer surgiu em 1993 pela mãos da EA para ser o game definitivo do esporte mais popular do globo. De lá para cá, o game teve seu altos e baixo, mantém um luta ferrenha com Pro Evolution Soccer pela soberania entre os jogadores e vem tendo sucesso: tem grandes ligas e torneios debaixo de suas asas, além de ser fonte de muita renda para sua desenvolvedora.

Com a ascensão dos smartphones e tablets, a EA logo viu uma nova oportunidade para sua franquia. Nascia então em 2016 o game Fifa Mobile, uma versão mais adequada à nova plataforma, mas que buscava migrar dos consoles para o bolso dos jogadores.

Free Fire é bem mais jovem, criado em 2017 pelo estúdio 111dots Studio e promovido pela Garena. Desenvolvido para plataformas móveis, o jogo tem solidificado uma base de jogadores graças a sua acessibilidade.

Free Fire ainda está seus primeiros passos, bastante firmes, junto aos jogadores. Fifa é o jogo mais vendido após ano, mas sua verão mobile não é tão bem sucedida. São nomes fortes, mas o battle royale tem uma vantagem grande: seu cenário competitivo, área que Fifa e EA ainda não decolaram.

Então, uma conversa bastante comum em reuniões da alta cúpula da EA deve ser: como ser bem sucedido no mundo mobile como Free Fire?

NÚMEROS IMPORTANTES

Números positivos saltam de uma lado para outro quando comparamos Fifa e Free Fire. O game de futebol nos consoles é um sucesso, o mais vendido ano após ano. Nos dispositivos móveis, esse sucesso não é tão retumbante. Basta comparar com Free Fire.

Em 2019, um estudo da App Annie, empresa especialista no mercado mobile, apontou que Free Fire foi o game mais baixado de 2019. Fifa nem aparece no Top 10.

Se levarmos em conta só o cenário nacional, Free Fire segue mostrando o caminho. O game é jogo que mais cresceu no cenário nacional em 2019, inclusive nos esports. Em média, 300 mil espectadores simultâneos acompanham aos finais de semana as partidas da Liga Brasileira de Free Fire, torneio de três divisões e diversos times.

No outro lado, nem mesmo o Fifa padrão possui algum sinal de cenário nacional, deixando que times, jogadores e equipes lutem não só dentro, mas fora de campo por um lugar ao sol na Global Series. Se a conversa for mobile, só os entusiastas do game de futebol experimentam (ou passam raiva) jogar o Ultimate Team da versão portátil.

CAVALO PRETO COM LISTRAS BRANCAS OU...

É a velha história da zebra: a EA não investe no Fifa Mobile por que não se desenvolve ou o game não se desenvolve por que a EA não investe?

Fifa Mobile é um game de alta qualidade. Trata-se de uma versão com uma experiência fiel ao game principal, com um dois degraus abaixo quanto a tecnologia. Tem a concorrência de PES também aqui, mas que não chega a ser do mesmo nível que PUBG Mobile emprega contra Free Fire. Então, o que a Garena pode ensinar para a EA?

Vamos conferir o que Free Fire faz de correto. O game roda bem mesmo em dispositivos medianos, fazendo com que mais gente jogue. Seu cenário é pulsante, possui uma comunidade ativa e, no campo dos esports, grandes organizações (e times de futebol) já fazem parte. O Brasil, em especial, tem a vantagem de contar com equipes vencedoras de grandes torneios, como Corinthians e FURIA.

Então, como Fifa Mobile ainda não possui números impressionantes? Trata-se de um game que faz parte da franquia mais popular do mundo, do esporte mais popular do mundo.

A EA se preocupa com Ultimate Team e seus Fifa Points. Nos últimos dois anos, o Global Series também se tornou foco e o Global Series tem ganhado força. Os Fut Championships e mundiais (clubes, nações e o torneio decisivo do ano) têm gerado um barulho que se espera do game.

Agora, Free Fire (e o mundo mobile) tem mostrado a importância de sua plataforma. É um jogo acessível quanto a hardware, não custa caro como comprar um Fifa todo ano, e sua desenvolvedora atua diretamente para seu sucesso.

Fifa Mobile já existe e pode sim se tornar mais popular. Possui as licenças e muito da jogabilidade de seu “irmão mais velho”. Quem sabe uma maior integração entre as plataformas, um jogador no console poder enfrentar um de celular ou mesmo o Mobile ser uma extensão do que temos no console, possam ajudar.

Na sequência, e tal qual Free Fire, a EA consiga fazer de Fifa Mobile algo importante também no competitivo. A franquia já chama a atenção de clubes de futebol e organizações de esportes eletrônicos. Ter mais uma arena para que seu jogo brilhe (e renda dinheiro) não é uma má ideia.