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CBLoL: Pilar da KaBuM reedificada, Dynquedo garante: "pode hypar"

Dynquedo, mid laner da KaBuM, durante campanha no Mundial de LoL 2018 Riot Games Brasil

“A primeira derrota contra a DFM [Detonation FocusMe], a gente sentiu muito”, revisita Dynquedo. O mid laner da KaBuM não precisa pensar muito para lembrar-se da fase de entrada do Mundial de 2018, o último campeonato internacional de League of Legends que participou.

“A gente se recuperou, ganhou o outro jogo e falou ‘não, a gente é melhor que os caras’. Mas quando a gente perdeu no desempate, aí, séloco [sic], afetou muito. Porque a gente não esperava que fosse perder. A gente deixou os caras na zona de conforto deles, falhamos em draft… e sentimos muito. Foi aí que a gente viu que o time dificilmente ia ser bom de novo se continuassem os cinco juntos”, crava.

Matheus Rossini, conhecido como Dynquedo, é jogador profissional desde 2016, mas atingiu o topo em 2018, quando conquistou o CBLoL duas vezes pela KaBuM e participou de dois torneios internacionais. Em 2019, viu o quinteto que dominou o ano anterior desmantelar-se — e participou, também, da reconstrução do time, que retorna às eliminatórias do CBLoL na segunda etapa com a troca de três peças.

Em outubro de 2018, a KaBuM de Zantins, Ranger, Dynquedo, Titan e Riyev chegava ao limite. Em agosto de 2019, a de Wizer, Ranger, Dynquedo, Dudstheboy e Ceos traça seu caminho no retorno ao topo.

O FIM DO QUINTETO

“A gente queria mudar o time inteiro depois do Worlds”, revela Dynquedo, sem peso no tom de voz, um ano depois. O dia frio parecia tornar o ritmo da gaming-house da KaBuM, em São Paulo, mais lento — seus companheiros ainda acordavam enquanto o mid laner recordava as últimas campanhas do time.

“A reformulação que a gente fez agora, a gente queria fazer lá. A gente mudou o Zantins, o Riyev e o Titan e, não é que a gente quisesse tirar eles, mas a gente precisava de mudança. Precisava de pelo menos dois jogadores novos para mudar o clima do time, mudar a situação”, analisa.

“A maior mudança que a gente queria fazer era o Titan, porque estava desgastado. A gente fez a solicitação [à organização] e falou o que ia acontecer. Não ouviram, e aconteceu”, afirma.

“A gente falou que o time não ia dar mais certo juntos, que, se continuasse, ia dar merda. E deu merda”, relembra, dando de ombros. “Ficou em sexto e por pouco não dropou. Foi ruim pro time, pra KaBuM e pra gente”, diz. “O próprio Titan… O Ranger e o Zantins tinham muitas desavenças dentro de jogo, era uma mudança que a gente contava”, exemplifica.

Ele se ajeita na cadeira. “Não vou falar que a gente se odiava. A gente era amigo e continua sendo, até hoje sou amigo de todos. Mas não ia dar certo juntos, mais”, enfatiza.

“Eles [organização] tinham muito isso de: ‘por que a gente vai mudar se tá dando certo?’”, conta Dynquedo. “O pensamento não tá errado, mas, querendo ou não, a gente vive aqui, e eles não. Se eu chegar neles e falar que não vai dar certo”, ele bate na mesa com o dedo, dando ênfase, “eles têm que dar um voto de confiança”, crava.

“A gente já sabia que ia dar merda, mesmo. Quando a gente viu que não viriam as mudanças, a gente deu uma desanimada boa”, confessa.

PRIMEIRO SPLIT

Dynquedo sabia que o quinteto não era mais a equipe campeã do ano anterior — mas as seis derrotas consecutivas no início do campeonato foram, de qualquer forma, uma surpresa.

“Quando a gente tomou o 0-6, a gente deu uma acordada”, aponta o mid laner. “Por mais que estivesse todo mundo puto, a gente sabia que se a gente fodesse esse split, ia dar ruim pra todo mundo. Então a gente tentou dar uma acordada”, confessa.

A novidade no time era o técnico chinês Tabe, que substituía o coreano Hiro. Apesar de trazer um “clima novo” à equipe, seu método de trabalho foi um choque para os jogadores, o que trouxe mais desgaste à formação.

“O Riyev teve um pouco mais de problema com o Tabe. Ele pegava um pouco mais no pé e cobrava um pouco o que não era certo”, avalia Dynquedo. “O Titan é um cara muito agressivo e, quando ele era punido, o Riyev levava a culpa por não ser tão agressivo”, exemplifica.

“Hoje, a gente concorda muito com o pensamento dele de que, se você nao for agressivo, dificilmente vai conseguir ser um jogador bom, expressivo, que faz a diferença. Eu entendo ele, mas não tava dando certo pra a gente”, conta. “Quando o Hiro chegou, ele filtrou o que não tava dando certo e melhorou o ambiente.”

Questiono se foi um alívio sair da zona de rebaixamento, e Dynquedo suspira, com um sorriso. “O ser humano é foda, a gente é assim. Quando a gente tá lá em cima, a gente só quer ganhar. Mas a gente tava em um nível que, se a gente só não for pro relegation, a gente já tava relaxadíssimo”, ele confessa, e eu rio.

“Deu um alívio quando a gente descobriu que não ia pro relegation. Foi um split muito desgastante, e estava todo mundo muito cansado. Só de ver que não fomos pra uma pior, deu uma relaxada boa”, assume Dynquedo.

O mid laner gesticula como se lembrasse do peso saindo de suas costas. “Do primeiro split para o segundo, foi um descanso, porque a gente sabia que ia ter mudança. A gente já pensava em quem queria sair, quem queria ficar, quem ia vir. Nessa janela, a gente se recuperou”, aponta.

MUDANÇAS

“O Zantins e o Titan tinham muita vontade de sair”, Dynquedo esboça as movimentações do fim da escalação bicampeã. “Já o Riyev, foi mais porque a gente tinha que trocar o AD, e a bot lane influencia muito. Se você colocar um cara que não tem sincronia ou que não quer jogar com outro jogador, não vai dar certo. Então a gente tinha que pensar em outro cara”, conta.

Com isso, o time foi reconstruído com base em Ranger e Dynquedo. “A gente queria muito o Ceos e o Duds”, comenta, exaltando a bot lane ex-Redemption. “Eram boas opções pra a gente e deu certinho. O Wizer veio um pouco depois, mas o Hiro já estava querendo um player coreano”, afirma.

“A gente pensava no Stark, que joga no Vietnã”, revela o mid laner, referindo-se ao top laner da Team Flash, que tem passagens pela EVOS e pela GIGABYTE Marines. “A gente cogitou o Jisu [top laner ex-Flamengo, que destaca-se na segunda divisão sul-coreana], também. Trocamos ideia, ele tinha interesse, mas não rolou, acho que mais por termos contratuais”, conta.

“O Hiro queria muito o Wizer, porque ele é coreano. A gente arriscou, mas não foi um chute tão grande, porque ele já era da Sandbox. Sabíamos que ele era, no mínimo, um bom jogador. A gente tava confiante nele”, aponta Dynquedo.

Questiono se ele ficou mais tranquilo ao saber que esse seria o time. “Nossa, muito mais”, diz, ainda com o tom de peso tirado das costas. “Foram os nomes que a gente solicitou. (...) Não tinha porque ficar desanimado ou não hypar, porque a gente tinha o time que a gente queria. A gente conseguiu esquecer todas as tretas pra focar no time novo”, asserte.

A NOVA KABUM

Dynquedo muda de tom de voz ao falar sobre a campanha no segundo split de 2019. O time dividiu a liderança com o Flamengo durante boa parte do campeonato, dominando boa parte da fase de pontos, finalizando em segundo lugar e cada vez mais próxima de retornar ao topo do Brasil por meio das eliminatórias.

“Atingiu as expectativas”, avalia o mid laner ao falar da equipe reformulada. “Dos jogos que a gente perdeu, poderíamos ter ganhado grande parte com detalhes, um pouquinho mais de básico bem feito, um pouquinho mais de foco. Acho que nosso time está em um nível bem alto e com uma convivência muito boa”, considera.

“O foco é o Mundial de novo, esse ano?”, questiono.

“Com certeza”, ele asserte. “A gente tá com o foco nisso. Mas é focar cada vez em um jogo, porque a gente pode pegar os dois times que saíram positivo contra a gente na fase de pontos, a INTZ e o Flamengo. Se a gente ganhar, vai deixar claro que a gente foi o melhor time do Brasil, que a gente ganhou de todo mundo”, crava.

Como Dynquedo afirma, o time dará um passo de cada vez rumo à grande final, no Rio de Janeiro. O próximo será a disputa da semifinal contra a INTZ, no próximo domingo.

“Na última vitória contra a INTZ, a gente ganhou em um jogo relativamente fácil, bem clean”, relembra. “Mas a gente perdeu os outros dois em jogos dominantes, também. Eu espero que seja uma série bem difícil”, aponta o jogador.

“O ponto forte da INTZ é sempre a preparação deles, como eles se preparam especificamente para cada time. Eles venceram assim na última final e podem usar isso contra a gente. Então, eu acho que vai ser difícil jogar contra eles. Mesmo que a gente ganhe de 3 a 0, seria um 3 a 0 difícil. Eles são um time bem parrudo”, diz.

Imaginando uma possível campanha bem sucedida nas eliminatórias, não deixo de perguntar a Dynquedo sobre a possibilidade de representar, outra vez, o Brasil internacionalmente.

“Eu acredito que, esse split, se for a gente ou o Flamengo, se nós formos os dois melhores times… Nesse split, eu acho que pode haver uma mudança para o Brasil. Eu espero que dê certo e que, caso a gente vá, a gente consiga fazer uma campanha totalmente diferente”, divaga.

“Todo mundo aqui tem o mindset de… claro, pensando em um jogo de cada vez, mas se a gente for lá pra fora, a gente vai com vontade de ganhar. De passar pelo menos para a fase de grupos. Porque a gente tem muita capacidade pra isso”, garante.

“Eu e o Ranger já conversamos muito sobre as outras experiências que tivemos lá fora. A gente vive falando que, se a gente for de novo, tem tudo pra ir melhor do que nas outras.”

“Pode hypar, então?”, pergunto, com um sorriso.

“Pode hypar”, finaliza.