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Senadora Leila se desculpa por ter desmerecido os esports; preocupação é incentivar jogos violentos

Senadora quer conhecer mais sobre os esports Geraldo Magela / Agência Senado

Protagonista na sessão da Comissão de Educação, Cultura e Esporte destinada a discussão do PL 383/2017 por ter se declarado contra o reconhecimento dos esports como modalidade esportiva, a senadora Leila Barros (PSB-DF) quer conhecer mais o tema e, para isto, promoverá uma audiência pública no Senado.

Em nota enviada ao ESPN Esports Brasil, a parlamentar disse que “tem interesse em conhecer visões diferentes” e, por isso, realizará audiência sobre o tema na Subcomissão de Esporte, Educação Física e Formação de Categorias de Base.

A senadora complementa dizendo que “entende a relevância do mercado de jogos eletrônicos e respeita patrocinadores, clubes, equipes e todos que investem tempo e dinheiro nesta atividade”.

Leila Barros aponta que defende “um debate amplo com entidades esportivas, atletas e gamers sobre a regulamentação dos “esportes eletrônicos” e “se preocupa com o possível incentivo a competições de jogos extremamente violentos”, sendo este ponto “uma preocupação legítima e que merece ser trazida ao processo de construção da regulamentação”.

A parlamentar também fez um vídeo onde pede desculpas aos “profissionais que dedicam sua vida e representam o País lá fora”. A senadora reconhece que “alguns comentários meus foram interpretados de forma equivocada”.

“Nesses mais de 20 anos que eu exerci minha profissão como atleta e que estive em formação, eu vivi muito o espírito esportivo. Vou dizer pra mim o que é o esporte. O esporte pra mim é perseverança, é foco, é resiliência, é espírito de equipe e é o fair play. Sei que nesses campeonatos a gente vai encontrar isso entre as equipes, entre os profissionai e entre aqueles que estão em competição”, aponta Leila

Contudo, a congressista fala que “minha preocupação maior é que a mensagem do esporte de forma geral é vida. Eu não preciso matar ou aniquilar o meu oponente quando o jogo se dar por encerrado. Eu venci a competição, existe o juiz e ele termina. Não precisa nem matar, nem aniquilar. Mas vocês vão me dizer ‘a Leila, isso é um jogo virtual, é uma situação virtual’. Até que ponto isso influencia na formação ou na vida de nossos jovens. Até que ponto existe esse limite e é isso que estou aberta a esse debate”. Assista ao vídeo da Senadora logo abaixo.

NO OLHO DO FURACÃO

De autoria de Roberto Rocha (PSDB/MA), o PL 383/2017 foi votado na terça-feira (2), sendo aprovado com unanimidade com o parágrafo que exclui os games violentos. O texto segue para turno suplementar e, em nova aprovação, será enviado para o Senado e, posteriormente, à Câmara dos Deputados antes de ser apreciado pelo Presidente da República.

Comparando as modalidades tradicionais com as eletônicas, a senadora disse categoricamente que o esport "não é esporte". A preparação para a realização da prática esportiva foi um dos argumentos os quais Leila se baseou para mostrar que não reconhece o esport.

Eu não sei o que as pessoas fantasiam quanto ao esporte, mas as pessoas abdicam de sua vida pessoal para representar o país”, disse senadora. “Eu queria que as pessoas entendessem que quando a gente fala sobre jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro e esportes, são coisas distintas”.

Leila reconheceu que “deu declarações que podem ser interpretadas como um desrespeito aos esportes praticados com armas e aos gamers”, porém afirma “que seria desonesta se afirmasse enxergar os jogos eletrônicos como esportes”.