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"Isso não é esporte", afirma senadora Leila em sessão sobre PL que visa regulamentar os esports

Senadora é contrária a regulamentação dos esports Edilson Rodrigues/Agência Senado

Uma das maiores personalidades esportivas do Brasil, a senadora Leila Barros (PSB-DF) não é favorável ao reconhecimento dos esports como modalidade esportiva. Em audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, na qual o PL 383/2017 entrou em debate na terça-feira (2), a congressista se mostrou veemente contra a regulamentação da profissão.

“Isso não é esporte”, proferiu a senadora, que chegou a comparar as modalidades. "Eu acho que me sinto uma legítima representante do esporte. Eu queria deixar bem claro que, como o senador disse, são ‘jogos eletrônicos’. Quando a gente assiste às Olimpíadas, vocês vão ver lá Cuba de um lado e Estados Unidos [do outro], competindo dentro de uma quadra e cessando todo tipo de conflito. É na hora e naquele momento das manifestações esportivas que a gente vê que a paz reina. Esporte se tem uma preparação também”.

A congressista questionou se a comunidade foi ouvida e deu a própria opinião sobre o assunto: “Nós estamos falando sobre as questões éticas, morais dos jogos eletrônicos, mas quando se fala de esporte, tem que ser ouvida a comunidade esportiva porque existe uma preparação para ser atleta, para se entrar em quadra e representar um país, uma liga ou uma empresa. O alto rendimento é isso. É uma entrega”.

“Eu não sei o que as pessoas fantasiam quanto ao esporte, mas as pessoas abdicam de sua vida pessoal para representar o país”, continuou a senadora. “Eu queria que as pessoas entendessem que quando a gente fala sobre jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro e esportes, são coisas distintas”.

O discurso da senadora aconteceu após a definição de uma revisão num item do projeto que busca o reconhecimento federal da atividade, buscando regulamentar a profissão dos praticantes dos esportes eletrônicos.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) requisitou que fossem retirados os jogos de tiro da regulamentação, algo que não foi acordado pelo relator, o senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Leila deu voto não ao projeto, que segue para turno suplementar. Sendo aprovado na Comissão, o PL será enviado para o Senado e, posteriormente, à Câmara dos Deputados antes de ser apreciado pelo Presidente da República.

JOGOS VIOLENTOS ENTRAM NA DISCUSSÃO

A sessão voltada ao projeto sobre a regulamentação dos esportes eletrônicos começou com o senador Eduardo Girão mostrando um vídeo que continuam cenas de GTA V, Counter-Strike: Global Offensive, Mortal Kombat e outros títulos.

Enquanto os senadores presentes na Comissão assistiam o vídeo, o congressista pediu no discurso "que esse tipo de jogo que estamos vendo aqui não seja regulamentado para campeonato". Enfático, o congressista afirma que "isso é tudo, menos esporte" e que "esse tipo de jogo presta um desserviço para o termo esporte, que só vem a enobrecer a trazer a união de povos".

O senador disse ainda existir “estudos que mostram o impacto na violência", fazendo ligação aos tipos de jogos mostrados nos vídeos ao massacre que assolou Suzano, em São Paulo, em março deste ano. Categórico, o congressista afirma que os responsáveis pela chacina na escola “estava assistindo esses jogos, tava jogando isto".