Lenda do basquete brasileiro, Janeth Arcain irá comentar todos os jogos da série final, melhor de cinco partidas, na ESPN.
A WNBA está na sua 25ª temporada, com a final entre Chicago Sky e Phoenix Mercury começando neste domingo, às 16h (Brasília), com transmissão de todas as partidas pela ESPN no Star+.
Campeã do mundo com a seleção em 1994, dona de duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000), e campeã pan-americana, Janeth foi literalmente uma das primeiras atletas a entrar na WNBA.
A brasileira foi a única das Américas, não incluindo Estados Unidos, a estar na temporada inaugural da WNBA, em 1997. Ela foi draftada pelo Houston Comets, onde foi tetracampeã e All-Star, clube que defendeu de 97 a 2003 e depois em 2005.
À ESPN, a lenda do basquete, que está no Hall da Fama, relembrou os proimórdios da WNBA.
"Não tinha liga, seria o primeiro ano da profissionalização, várias atletas foram chamadas e eu fui a única da América do Sul. Eu recebi o convite, nem sabia pra que equipe ia, que cidade ia e muito menos quanto eu ia ganhar, só queria realizar esse sonho. Chegando lá, era uma outra realidade. Eu via aquilo tudo novo, diferente, o vestiário, as pessoas que serviam como você queria, tinha alguém pra ficar pegando arremesso, ia pra academia tinha alguém, alimentação tudo no ginásio, tirava a roupa e só colocava a minha, aquela coisa de preocupar mesmo só em jogar", disse Janeth.
Mas também teve alguns "perrengues" quando ela, uma das poucas estrangeiras, chegou.
"Foi um ano que a gente teve que controlar muitas vaidades. As americanas queriam se consolidar como ídolo de uma liga que estava se estabelecendo. Foi muito desafiador, eu não falava nada de inglês, aí eu vejo essa evolução de 25 anos, fico feliz de ter alicerçado esse processo lá atrás", afirmou.
"Um deles (perrengues) era não entender o que o técnico (Van Chancellor) falava, porque ele era de Mississippi e tinha sotaque, eu virava para as meninas e algumas falavam um pouco de espanhol. Eu perguntava 'o que ele falou?'. E elas falavam às vezes 'nem a gente entendeu'. Eu simplesmente nao era a primeira a fazer os exercícios, porque eu olhava e via que os exercícios eram os mesmos, o que mudava era a intensidade. Eu sempre fui dedicada e não tive muitas dificuldades nisso", completou.
