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Brasil x Argentina: Se ganhar a Copa América, onde Neymar irá se colocar no Olimpo da seleção? Veja opiniões de comentaristas dos canais Disney

Neste sábado, Brasil e Argentina duelam na grande final da Copa América, às 21h (de Brasília), no Maracanã. Será a chance do atacante Neymar, grande destaque da seleção canarinho, conquistar seu 1º título da competição continental, já que ele não esteve presente na campanha de 2019.

Brasil x Argentina, neste sábado, às 21h (de Brasília), pela final da Copa América, terá transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App

É inegável que Ney já está no "Monte Olimpo" das lendas da seleção brasileira. Afinal, o craque ganhou uma Copa das Confederações (2013) jogando bem e foi decisivo na inédita conquista do ouro olímpico, em 2016, encerrando um dos maiores traumas da história do futebol nacional.

Em termos de rendimento, sua passagem pela equipe verde-e-amarela é excepcional. São 68 gols em 110 jogos, o que o coloca como 2º maior artilheiro da história do escrete, atrás "apenas" de Pelé, que tem 77 (segundo as contas da Fifa) ou 95 (de acordo com os critérios da CBF).

Ou seja: Neymar tem todo o direito de carregar a lendária camisa 10 do Brasil.

Mas, afinal, onde ele se senta nas concorridas cadeiras do "Monte Olimpo" da seleção? Ao lado de Pelé? Mais atrás, na mesma mesa de nomes como Ronaldo "Fenômeno", Romário e Garrincha? Ou junto com Zico, Ronaldinho Gaúcho, Bebeto, Rivaldo?

Mais do que isso: se vencer a Copa América neste sábado, no mítico Maracanã, contra a Argentina de Lionel Messi, Ney muda de patamar no "Olimpo" canarinho? Quanto a possível conquista da competição da Conmebol altera em sua classificação no panteão dos deuses do futebol brasileiro?

Para saber a resposta, o ESPN.com.br ouviu os especialistas dos canais esportivos do grupo Disney, que opinaram sobre o tema.

Confira abaixo as análises:

Paulo Calçade

Comentarista

Gustavo Hofman

Comentarista, apresentador, repórter e blogueiro do ESPN.com.br

Neymar já está entre os melhores jogadores brasileiros de todos os tempos. Títulos ajudam a eternizar esses atletas na lembrança de todos.

Esta Copa América é diferente por tudo que a cerca e como foi realizada, devido à pandemia. A final entre Brasil e Argentina é esperada há muito tempo, e o confronto Messi x Neymar a torna muito especial e maior do que normalmente seria.

Se na Argentina o Olimpo possui três nomes claríssimos, com Messi, Maradona e Di Stéfano, aqui no Brasil há Pelé sobre todos. Depois, uma lista de craques que inclui Neymar pelo talento, mas abaixo de muitos que ganharam títulos marcantes com a seleção e individualmente também - para citar alguns recentes: Romário, Ronaldo e Ronaldinho.

Para alcançar esse nível, por maior que seja essa decisão de Copa América, Neymar precisa de mais.

Paulo Andrade

Narrador e apresentador

Fábio Sormani

Comentarista e blogueiro do ESPN.com.br

Glaucia Santiago

Apresentadora

Sempre gosto de levar em conta épocas, momento, ao lado de quem o jogador atuou pra fazer estas comparações.

Acho que o momento do Neymar na seleção é ótimo, é mais coletivo e parece mais centrado. É inegável que continua sendo o principal jogador e que a equipe é outra com ele, talvez seja o que sempre se esperou dele pelo Brasil.

Caso vença o título da Copa América, acho que Neymar ainda não entra nas prateleiras de Pelé, Garrincha, Ronaldo, Ronaldinho e Romário, por exemplo, mas já pode ficar a frente do Zico, Falcão, Sócrates e Kaká na seleção, pra citar alguns. Pelo protagonismo, pelo momento e pela conquista.

Além de ser o 2º maior artilheiro da história da seleção e ter já um ouro olímpico. Pra subir ainda mais de patamar, ainda acredito que a Copa do Mundo seja fundamental.

Mauro Naves

Comentarista

Pedro Ivo Almeida

Comentarista e repórter

Se ganhar a Copa América, Neymar só perderá para os campeões mundiais: Romário, Ronaldo, Pelé, etc.

Ele será o maior jogador da história da seleção brasileira que não ganhou um Mundial. Restará o selo de Copa do Mundo? Sim. Mas talvez também falte isso a Messi, Cristiano Ronaldo e tantos outros supercraques.

É preciso dimensionar o tanto que ele faz para além do fetiche eterno de Copa do Mundo. É o rosto de uma seleção há mais de 10 anos. E ainda será por mais alguns.

E não temos qualquer previsão de quando teremos alguém desse tamanho novamente.

Leonardo Bertozzi

Comentarista e blogueiro do ESPN.com.br

André Donke

Comentarista e blogueiro do ESPN.com.br

Com ou sem Copa América, Neymar já é um dos grandes da história da seleção brasileira. O fato de ser o 2º maior artilheiro da história - tanto na conta da Fifa e da CBF - é um argumento de sua importância de longa data. Inclusive, ele tem a possibilidade real de passar Pelé na estatística.

É uma tarefa bem complicada e sou sempre avesso a comparar jogadores de contextos históricos tão diferentes ao longo da história do futebol, considerando a diferença do jogo e tudo que o envolve, assim como o calendário e a mudança do peso de competições.

De qualquer forma, me arrisco a dizer que Neymar corroboraria seu posto no "pódio" do Brasil, com Pelé no ponto mais alto e sozinho, ao passo que nomes como Ronaldo Fenômeno, Garrincha e Romário, entre outros, apareceriam com prata.

Neymar é um bronze e, com 29 anos e a camisa 10 nas costas, tem capacidade de mudar a cor dessa medalha.

Zé Elias

Comentarista

Breiller Pires

Comentarista

Vitor Birner

Comentarista e blogueiro do ESPN.com.br

A possível conquista da Copa América terá pouco impacto para Neymar. Deve ser muito criticado se for vice. Caso seja campeão, receberá elogios voláteis, que devem durar no máximo até o Mundial, que é onde os jogadores de nosso país definem seus rankings na história da seleção.

Já vi craques que atuaram em alto nível serem questionados, pois não ganharam a Copa, e atletas razoáveis sendo reverenciados. Há exceções, mas foram de clubes daqui, em outro tempo, e que participaram de seleção que encantava.

A de Tite é competitiva, mas não prima pelo volume de jogo ofensivo que, em regra, é o mais apreciado pelas torcidas. Neymar é craque. Representa o que há de mais almejado pelos admiradores da arte em campo. Isso já lhe pertence. O lugar no Olimpo dependerá da próxima temporada.

Se tiver sucesso, vai para o time de Pelé, Garrincha, Didi, Rivellino, Gerson, Rivaldo, Romário, dos Ronaldos, Tostão e de outros poucos.

Se for derrotado continuará aonde está. Será lembrado pelas estáticas com a camisa verde e amarelo, como o melhor dos nascidos aqui nesta época, porém com portas fechadas no rol dos maiores do futebol.

Felipe Facincani

Comentarista

Ubiratan Leal

Comentarista e blogueiro do ESPN.com.br

A possível conquista da Copa América não muda muito o patamar do Neymar na seleção. Acho que ajuda a ser um bloquinho a mais numa construção que ainda precisa finalizar. Falta ainda construir os últimos andares para ele chegar um patamar de lenda da seleção.

Se a gente pensar na "geração de ouro" do futebol brasileiro, de Pelé e Garrincha, eles não ganharam Copa América. A geração dos anos 90, que acabou não sendo "dourada" em títulos, mas sim em qualidade e na memória, de Zico, Sócrates, Galcão, Cerezo, Júnior, também não ganhou Copa América. Então, ganhar Copa América não mudaria tanto as coisas para o Neymar

O que mudaria o patamar do Neymar de vez na seleção, para começar a colocar junto com os mitos - e não vou falar em Pelé, porque é sacanagem, e também em Garrincha -, mas Zico, Sócrates, Gerson, Tostão... Para o Neymar começar a entrar aí, ele tem que fazer uma baita Copa do Mundo.

Ele tem que fazer uma grande Copa, mesmo que não ganhe. Um Mundial que ele empolgue, e que saia do torneio estabelecido como alguém que realmente definiu o futebol brasileiro nesta era atual, de forma indiscutível e que as pessoas reconheçam isso de forma quase unânime.

Isso ainda não acontece com o Neymar porque ele polariza muito as opiniões. E acho que isso ainda precisaria acontecer.

Acho que a Copa América não muda essa questão. Mas, se ele conseguir uma grande Copa, sendo campeão ou vice, jogando bem, sendo artilheiro ou melhor jogador da competição, e, junto com isso, tiver uma Copa América em cima do Messi, aí vão lembrar no futuro: "Além da Copa do Mundo, o Neymar também ganhou aquela Copa América em cima do Messi". Aí ganha um peso a mais. Mas não acho que o título em si vai mudar o patamar dele. Ele precisa fazer uma grande Copa do Mundo, mesmo que não ganhe.

Em 2014, ele fez um jogo espetacular na estreia contra a Croácia, depois foi oscilando até ter a lesão contra a Colômbia e não poder jogar contra Alemanha e Holanda. Em 2018, ele jogou baleado, com problemas físicos, e claramente não estava em seu melhor. Por isso, não fez uma grande Copa. Teve alguns bons momentos, principalmente contra o México, mas não foi o líder técnico da seleção, até porque não tinha condições. E ainda ficou com a marca de ficar rolando no chão.

Ele precisa ainda de uma "super Copa do Mundo". Não para estar com Pelé e Garrincha, pois é fora de questão, mas para entrar com os jogadores de 1982, com Romário de 1994, com Ronaldo de 1998 e 2002. Até mesmo com o Rivaldo. O Neymar é mais jogador que o Rivaldo, mas, na cabeça das pessoas, o Rivaldo ainda é visto como maior, porque tem duas Copas espetaculares, e foi campeão em 2002. O Neymar não fez nenhuma das duas coisas.