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No Bola da Vez, Carol Solberg compara sua polêmica com ato dos homens do vôlei pró-candidato em 2018 e diz: 'Grande hipocrisia'

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No Bola da Vez, Carol Solberg compara seu caso com ato dos homens pró-candidato em 2018: 'Tudo tomou proporções muito grandes por eu ser mulher' (1:32)

Jogadora de vôlei é a convidada do Bola da Vez deste sábado (12) (1:32)

Carol Solberg, do vôlei de praia, comparou no Bola da Vez que vai ao ar neste sábado (12), às 21h55, em ESPN Brasil e ESPN App, a polêmica na qual acabou envolvida por gritar "Fora, Bolsonaro" em uma entrevista na TV com um ato pró-Jair Bolsonaro quando ele ainda era candidato à presidência da República, em 2018, feito pelos homens do vôlei. E avaliou que o tratamento e a reação ao seu caso foram totalmente diferentes por parte da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Em sua visão, por ser mulher.

"Eu acho que todos têm o direito de se manifestar, para o que quiser, mas é uma grande hipocrisia a forma como a coisa se desenhou para o meu caso, porque as deles também foram manifestações políticas após uma partida. Eles tiveram uma nota de repúdio da confederação, mas ela é extremamente diferente. Na minha, eles diziam que eu tinha manchado o torneio, que eu não agi com ética esportiva, foi bem diferente", disse no programa a atleta de 33 anos.

"Quanto a ser mulher, eu acho que qualquer pessoa que se manifeste contra esse governo [federal] tem chance de ser atacado, vai ser atacado, porque esse governo não sabe lidar com críticas. Mas eu ser mulher, isso aumenta muito! Porque é um governo extremamente machista, eles me olham e pensam 'essa atleta, menina, falando de política... fica quieta! Quem é você?' Então é isso, eu acho que tudo isso tomou proporções muito grandes por eu ser mulher, todos teriam sofrido o que eu sofri, mas não nas mesmas proporções, com certeza, não”, seguiu a carioca.

Carol Solberg, que faz dupla com Talita e é filha da ex-jogadora de vôlei de quadra e de praia Isabel Salgado, pegou o microfone de sua parceira e gritou "só para não esquecer: fora, Bolsonaro!" em 20 de setembro, em entrevista ao canal SporTV, após a realização da etapa de Saquarema, no Rio de Janeiro, do Circuito Brasileiro de vôlei de praia.

No mesmo dia, a CBV soltou uma nota oficial (veja na íntegra abaixo) repudiando o ato. Entre outras coisas, o texto dizia "etapa manchada", "ato... em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar" e "a CBV gostaria de destacar que tomará todas as medidas cabíveis".

Denunciada, a atleta foi a julgamento em 1ª instância no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBV em 13 de outubro e acabou advertida. Sua defesa recorreu, e em 2ª e última instância, em 16 de novembro, Carol Solberg acabou absolvida por 5 votos a 4.

Em 2018, no Mundial de vôlei masculino, os jogadores Wallace e Maurício Souza posaram para fotos após uma vitória do Brasil sobre a França fazendo com os dedos o número 17, em alusão ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro.

À época, a CBV também repudiou o ato, mas pegou bem mais leve no texto da nota oficial que publicou (leia na íntegra abaixo), chegando a dizer que "acredita na liberdade de expressão e, por isso, não se permite controlar as redes sociais pessoais dos atletas." Detalhe: as fotos foram postadas nos sites da própria confederação nacional e também no da Federação Internacional de Vôlei (FIVB, na sigla em inglês).

Leia abaixo a nota da CBV no caso de Carol Solberg

"CBV se expressa contra manifestação de cunho político A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), vem, através desta, expressar de forma veemente o seu repúdio sobre a utilização dos eventos organizados pela entidade para realização de quaisquer manifestações de cunho político. O ato praticado neste domingo (20.09) pela atleta Carol Solberg durante a entrevista ocorrida ao fim da disputa de 3º e 4º lugar da primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de Volei de Praia – Temporada 2020/2021, em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar.

Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação, tendo em vista que essa primeira etapa do CBVP OPEN 2020/2021, considerada um marco no retorno das competições dos esportes olímpicos, por tamanha importância, não poderia ser manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta.

Por fim, a CBV gostaria de destacar que tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados."

Leia abaixo a nota da CBV no caso de Wallace e Maurício de Souza

“A CBV repudia qualquer tipo de manifestação discriminatória, seja em qualquer esfera, e também não compactua com manifestação política. Porém, a entidade acredita na liberdade de expressão e, por isso, não se permite controlar as redes sociais pessoais dos atletas, componentes das comissões técnicas e funcionários da casa.

Neste momento, a gestão da seleção irá tomar providencias para não permitir que aconteçam manifestações coletivas”.