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25 anos do tetra: onde estão os campeões de 1994 e o que eles mais se lembram da conquista

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É tetra! Teste sua memória e relembre o título brasileiro na Copa de 1994 (1:36)

Confira o 'túnel do tempo' e relembre o mundial nos Estados Unidos (1:36)

Há exatos 25 anos, em 17 de julho de 1994, uma conquista marcou gerações de torcedores da seleção brasileira pelo planeta.

Para aqueles que haviam vivido a conquista do tri, em 1970, foi a chance de experimentar novamente, seis copas depois, a sensação de estar no topo do mundo. Uma boa maneira de aliviar um pouco as frustrações, em especial a da Copa do Mundo de 1982.

Para os mais jovens, foi a oportunidade de finalmente compreender o orgulho e o ufanismo que pais e avós sempre tentaram transmitir quanto à seleção, mas cuja compreensão certamente escapava à maioria, pela falta de algo palpável que pudesse concretizar tantas histórias e sentimentos.

A Copa disputada nos Estados Unidos foi marcante por vários motivos.

É dela, até hoje, o recorde de público em um Mundial, por exemplo. Foram 68,9 mil pessoas por jogo, em média. Foi também a primeira Copa a ser decidida nos pênaltis, após um 0 a 0 no tempo normal, no estádio Rose Bowl, em Los Angeles, entre Brasil e Itália.

Por fim, marcou também o primeiro tetracampeonato mundial de uma seleção, que poderia ter sido tanto a italiana quanto a brasileira, como acabou sendo.

Méritos para os jogadores e a comissão técnica do Brasil, que conquistaram um título tão simbólico.

O ESPN.com.br 'rastreou' o paradeiro dos 23 personagens mais importantes daquele título e ouviu de alguns deles qual foi o momento mais marcante da campanha - além, é claro, da consagração da conquista propriamente dita.

Veja abaixo o que eles disseram:

GOLEIROS

1 - TAFFAREL

O que faz hoje: Preparador de goleiros da seleção brasileira

Momento mais marcante:

"Tirando aquele momento especial, que é o da conquista do título, acho que o momento mais emblemático são as quartas de final contra a Holanda. Porque as coisas estavam indo bem, a gente ganhava por 2 a 0 e, de repente, as coisas mudaram e eles empataram o jogo. Houve ali um momento de muita preocupação, porque a equipe holandesa era muito forte, com grandes jogadores. Nós nos preparamos muito para aquela partida, estávamos bem e eles chegaram ao empate. Ai, surgiu o gol do Branco, de falta, que nos deu tranquilidade e nos trouxe a vitória e vaga na semifinal."

12 - ZETTI

O que faz hoje: Empresário (dono escola de goleiros 'Fechando o Gol' e comentarista dos canais ESPN)

Momento mais marcante:

"Um momento muito marcante para todos nós foi no jogo contra a Holanda, quando o Bebeto faz o gol e embala o filho dele, faz aquele gesto do "nana nenê", para homenagear o Mateus, que ainda não tinha nascido. Claro que ocorreram muitos momentos festivos, nos ônibus, a nossa festa quando ganhamos. Mas o gesto foi importante porque se tornou uma maneira de nos comunicarmos com a torcida. Porque, nos EUA, a gente tinha uma torcida diferente, muitos mexicanos, muitos latinos. E quando a gente ia para os locais dos jogos, conforme nossos ônibus passavam, as pessoas faziam aquele gesto. A comunicação era o gesto. Você passava na rua com o ônibus, e eles estavam na rua, em cima do carro, embalando o Matheus. Essa cena foi muito marcante."

22 - GILMAR

O que faz hoje: Foi agente de jogadores, trabalhou na CBF e é presidente do conselho de uma rede de farmácias que é patrocinadora da seleção brasileira

Momento mais marcante:

"Foi o jogo contra a Holanda, quando vencíamos por 2 a 0, até com certa surpresa e, de repente o jogo mudou: 2 a 1, 2 a 2. O Branco, então, faz aquele gol antológico, e o Parreira coloca em campo o Raí, um jogador técnico, de toque de bola. E, por necessidade, ele teve uma sequência de dois ou tês carrinhos, bem em frente ao nosso banco, mostrando uma garra, uma vontade. Ali, a gente percebeu que o time estava credenciado para o título, estava preparado. Foi um momento muito interessante, muito emocionante para todos nós."

LATERAIS

2 - JORGINHO

O que faz hoje: Técnico, atualmente na Ponte Preta

Momento mais marcante:

"O jogo mais marcante e inesquecível foi o jogo contra a Suécia, na semifinal. A gente estava tentando de todas as formas conseguir furar essa defesa deles, porque ela era muito forte fisicamente, alta e organizada. Eu tentei, de todas as maneiras, com bolas rasteiras, em velocidade, cruzando para trás, e a coisa não estava acontecendo. A gente não estava conseguindo chegar por dentro, e o único jeito era pelo cruzamento. Foi quando recebi um passe do Dunga e consegui achar o Baixinho (Romário), porque o Raí chamou a defesa, vindo para o primeiro pau, e distraiu a marcação. Foi um golaço e foi o último gol da Copa do Mundo, porque a final foi 0 a 0. Ele subiu muito e a gente conseguiu vencer aquele jogo. Foi fundamental. Aquele cruzamento foi fundamental para que a gente chegasse à final. Foi muito marcante na minha vida, foi um um jogo inesquecível."

6 - BRANCO

O que faz hoje: Supervisor de seleções de base da CBF

Na Copa: Foi o autor de um dos gols mais comemorados pelos brasileiros naquele Mundial, nas quartas de final, contra a Holanda. Branco não apenas bateu a falta, de muito longe, mas também a cavou. O 3 a 2 decretado pelo seu chute encheu a seleção de confiança para a semifinal e a decisão contra a Itália. Na decisão por pênaltis, converteu sua cobrança.

14 - CAFU

O que faz hoje: Presidente da Fundação Cafu e embaixador da Copa do Mundo de 2022, no Catar

Na Copa: Disputou dois jogos muito emblemáticos no torneio. Nas oitavas de final, após a expulsão do lateral esquerdo Leonardo, embora destro, entrou na sua vaga e deu conta do recado. Na final, entrou em campo ainda na primeira etapa no lugar de Jorginho, que deixou o campo lesionado.

16 - LEONARDO

O que faz hoje: Diretor de Futebol no Paris Saint-Germain.

Na Copa: Ficou marcado por um lance de enorme indisciplina, talvez um dos mais feios da história dos Mundiais, ao dar uma violenta cotovelada no rosto do meia Tab Ramos, da seleção norte-americana. A cotovelada desacordou o jogador ianque e custou uma suspensão de seis jogos a Leonardo, que se estendeu até a Copa de 1998, na França.

ZAGUEIROS

3 - RICARDO ROCHA

O que faz hoje: Comentarista da Fox Sports e consultor no Criciúma

Momento mais marcante:

"Ah, é o pênalti do Baggio, mesmo, não tem outro. Ninguém imaginava que ele iria errar, primeiro pela categoria dele. Quando ele vai bater, um cara com um nível técnico excelente, a gente não esperava. Mas é muito difícil bater pênalti em decisão. É uma pressão enorme. Dois caras como Baresi e Baggio? Quem imagina que justo eles vão errar. Na hora do pênalti dele, eu estava olhando para o campo, mas nem sei o que eu fiz depois, quem foi o primeiro que abracei. A gente saiu correndo, todo mundo, para abraçar o Taffarel."

4 - RONALDÃO

O que faz hoje: Dirigente esportivo. Seu último trabalho foi na Ponte Preta, em 2018.

Na Copa: Foi chamado às pressas para substituir Ricardo Gomes, cortado às vésperas da estreia. Não entrou em campo.

13 - ALDAIR

O que faz hoje: Joga futevôlei

Na Copa: Ganhou a posição após a lesão de Ricardo Rocha na estreia e foi um dos grandes pilares da conquista.

14 - MÁRCIO SANTOS

O que faz hoje: Empresário, tem um shopping em Balneário Camboriú

Momento mais marcante:

"O jogo mais atípico foi contra os Estados Unidos. Em todo jogo, um dos patrocinadores da seleção distribuía camisas amarelas e, sempre que entrávamos em campo, nos sentíamos em casa, o estádio sempre verde e amarelo. Naquele dia, não. O americano ama sua bandeira normalmente, tem na casa do cachorro, na casa do passarinho. Eles estavam muito empolgados, gritavam 'U S A!' sem parar. Americano quando entra em competição é para ganhar. Mesmo sem tradição em futebol - eu até brinco que esporte pra eles é só da cintura pra cima. Eu nunca achei que não fôssemos ganhar, tinha muita confiança. Mas foi um jogo muito diferente. Sempre me perguntam, também, se eu fiquei preocupado depois de perder o pênalti na final. Mas não fiquei, porque o Baresi tinha errado o primeiro. O meu, era o pênalti que dava para perder. E o pior é que eu bati no canto direito, que não era o meu canto de costume, porque na preleção comentaram que ele falhava do lado direito. E é verdade. Tanto que ele quase tomou o maior frango das finais das copas naquele chute do Mauro Silva. Mas não fiquei nervoso, não".

VOLANTES

5 - MAURO SILVA

O que faz hoje: Vice-presidente da Federação Paulista de Futebol

Momento mais marcante: "O momento mais marcante da Copa foi, sem dúvida, o pênalti do Baggio. Exceção a este momento, pessoalmente, e falando sobre a decisão, me marcou demais a bola na trave, a defesa do Pagliuca. Brinco que até hoje que torço para aquela bola entrar. E falando da Copa de modo geral, o gol do Branco (contra a Holanda, nas quartas). Aquele gol ajudou demais. A coisa estava muito complicada, quando a Holanda empatou, senti que a vitória poderia escapar. O gol dele foi fundamental."

8 - DUNGA

O que faz hoje: Técnico de futebol, atualmente sem clube

Na Copa: Capitão após Raí perder a condição de titular, teve papel fundamental em campo e fora dele, já que era colega de quarto de Romário. Líder, foi tecnicamente perfeito como volante de contenção e distribuição, com lançamentos e desarmes. Cobrou um dos pênaltis da decisão.

17 - MAZINHO

O que faz hoje: Agente dos jogadores Rafael Alcântara (Barcelona) e Thiago Alcântara (Bayern), seus filhos.

Na Copa: Ganhou a posição de Raí nas oitavas de final, contra os Estados Unidos, e seguiu até a final, atuando como um terceiro volante, auxiliando Zinho na armação e fazendo a cobertura dos laterais - em especial de Branco, pela esquerda.

MEIAS

9 - ZINHO

O que faz hoje: Comentarista da Fox Sports

Momento mais marcante: "Houve vários grandes momentos. Teve o jogo contra os EUA, as quartas contra a Holanda. Contra os EUA, era 4 de julho, a data mais importante do calendário para eles. O Brasil era amplo favorito, mas jogamos com um homem a menos desde o primeiro tempo (depois da expulsão do Leonardo). Eu fiquei muito feliz de ter jogado, porque já tinha essa expectativa desde as eliminatórias. Eu já tinha bagagem de seleção. Uma passagem interessante foi a questão da camisa, porque sempre usei a 11. Mas, no último jogo das eliminatórias, o Parreira convocou o Romário e ele tem essa essa superstição com o número. Então, ele pediu para o Parreira e ele disse para o Romário conversar comigo. Aí, ele veio falar comigo e eu na hora aceitei. 'Eu quero é jogar a Copa, pouco importa o número da camisa. Se você se sente melhor psicologicamente com ela, ela é sua'. Daí, eu fiquei com a 9. Outra coisa que marcou foi o gesto do Bebeto, mesmo, de embalar o filho. Ficou marcado mesmo. Não tinha esse negócio de internet. Mas pela televisão, isso viralizou quando as coisas nem viralizavam. Até hoje o Bebeto é lembrado por isso."

10 - RAÍ

O que faz hoje: Diretor de Futebol do São Paulo

Na Copa: Começou o Mundial como capitão e titular, mas foi caindo de rendimento e perdeu a vaga para Mazinho nas oitavas de final. Entrou contra a Holanda, nas quartas e ainda contra a Suécia, na semifinal, tendo participado do gol de Romário, puxando a marcação para a primeira trave, para que o Baixinho ficasse livre na área para cabecear em meio aos altos zagueiros suecos. Fez um gol contra a Rússia, na estreia, de pênalti.

18 - PAULO SÉRGIO

O que faz hoje: Empresário, embaixador da Bundesliga no Brasil e comentarista da Rede TV.

Na Copa: Entrou aos 30 do segundo tempo contra Camarões, na vitória brasileira por 3 a 0.

ATACANTES

7 - BEBETO

O que faz hoje: Deputado Estadual no Rio de Janeiro pelo PODE

Momento mais marcante: "Aquele gol contra os Estados Unidos foi mesmo diferente, por tudo que o jogo representava, pela nossa situação, de jogar com um a menos, de ser o dia da independência dos EUA. Foi muito marcante, talvez um dos mais marcantes da minha carreira e daquela campanha" (Nota da Redação: extraído de entrevista concedida em 7 de de dezembro de 2018, na Arena Corinthians, no jogo de despedida de Emerson Sheik).

11 - ROMÁRIO

O que faz hoje: Derrotado na eleição para governador do Rio de Janeiro pelo PODEMOS

Na Copa: Foi "o cara" da Copa, apontado, inclusive pela Fifa, como Bola de Ouro do torneio. Fez cinco gols (Rússia, Camarões, Suécia, Holanda e Suécia novamente, na semifinal). De quebra, ainda deu assistência primorosa para Bebeto fazer o gol da classificação contra os EUA, nas oitavas, quando o Brasil passava por sufoco. Não por acaso, foi também escolhido melhor do mundo ao fim da temporada. No auge das formas física e técnica, era o craque da época.

19 - MÜLLER

O que faz hoje: Comentarista da TV Gazeta

Na Copa: Embora tenha sido um dos jogadores mais importantes da seleção nas Eliminatórias, perdeu a posição para Romário na última partida, contra o Uruguai, e não o reconquistou mais. Entrou na terceira partida do time, no lugar de Raí, contra Camarões, aos 36 da etapa final.

20 - RONALDO

O que faz hoje: Empresário em diversos setores, é proprietário do Valladolid, da Espanha

Na Copa: Caçula do grupo, aos 17 anos, foi para a Copa como uma espécie de estagiário, a fim de se preparar para os evidentes muitos anos que teria com a camisa amarela - como de fato aconteceu em 1998, 2002 e 2006. Não entrou em campo, mas foi um dos que mais comemorou o tetra.

21 - VIOLA

O que faz hoje: Aposentado, atua em partidas de exibição e amistosos de ex-jogadores.

Na Copa: Entrou no segundo tempo da prorrogação e fez uma jogada sensacional, passando por quatro atletas antes de rolar para Romário, que chutou prensado e desperdiçou a jogada. Uma pena. Se fosse pelo Corinthians, ele certamente teria batido a gol.

Técnico: Carlos Alberto Parreira

O que faz hoje: Aposentado, é palestrante

Na Copa: Muito criticado nas eliminatórias, deu a volta por cima com a conquista e entrou para a história. Criticado pelo pragmatismo de sua equipe, hoje já é visto por muitos como um técnico hábil que soube extrair organização e eficiência de uma seleção muito disciplinada taticamente. Encontrou uma dupla de zaga segura, um volante recuado quase como terceiro zagueiro (Mauro Silva) e dois meias que apoiavam muito a parte defensiva (Zinho e Mazinho), algo incomum à época mas praticamente obrigatório atualmente. Apostou na velocidade de Bebeto e na genialidade de Romário para dar a quarta estrela ao Brasil.

Campanha do Brasil na Copa de 1994:

20/6 - Brasil 2 x 0 Rússia (primeira fase) - Stanford Stadium, Palo Alto - Romário e Raí

24/6 - Brasil 3 x 0 Camarões (primeira fase) - Stanford Stadium, Palo Alto - Romário, Márcio Santos e Bebeto

28/6 - Brasil 1 x 1 Suécia (primeira fase) - Pontiac Silverdome, Detroit - Kennet Andersson (SUE) e Romário

4/7 - Brasil 1 x 0 Estados Unidos (oitavas de final) - Stanford Stadium, Palo Alto - Bebeto

9/7 - Brasil 3 x 2 Holanda (quartas de final) - Cotton Bowl, Dallas - Bebeto, Romário e Branco. Winter e Bergkamp (HOL)

13/7 - Brasil 1 x 0 Suécia (semifinal) - Estádio Rose Bowl, em Pasadena - Romário

17/7 - Brasil 0 (3) x 0 (2) Itália (final) - Rose Bowl, Pasadena