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Fã de Dani Alves, baiana do acarajé mais famoso de Salvador ama o Bahia e faz 'convite' a Messi

Pimenta, camarão seco, caruru e vatapá. Vinagrete? Às vezes. Com muita pimenta? Com pouca pimenta? Tem acarajé para qualquer gosto.

O bolinho feito de massa de feijão-fradinho, cebola e sal e frito em azeite de dendê está por todos os cantos em Salvador, na Bahia. Quem mora ou visita a cidade, já sabe: basta olhar para o lado para encontrar o mais clássico quitute soteropolitano.

A iguaria é vendida por muitas baianas, mas uma delas chamou a atenção da equipe da ESPN desde a chegada a Salvador, uma das cidades-sede da Copa América no Brasil.

Trata-se do Acarajé da Dinha. O nome foi citado diversas vezes pelo motorista Joilson dos Santos, que, durante viagens para pautas pela cidade, sempre afirmava: "É o mais famoso. Você precisa ir lá!"

A sugestão de Joilson chamou a atenção. Na manhã desta quarta-feira (12), por volta das 12h00 (de Brasília), a barraquinha da dona Dinha ainda estava desmontada no bairro do Rio Vermelho. Era só a primeira tentiva. A curiosidade permanecia grande, e a oportunidade chegaria.

Por volta das 17h00 (de Brasília), o encontro. A reportagem conversou com Erica Cristina da Silva Cruz, que, (veja só!) é torcedora fanática do Bahia, clube do nordeste mais bem colocado na tabela do Campeonato Brasileiro.

Mas Erica não é a famosa "Dinha". Em entrevista de pouco mais de 10 minutos, a baiana de 31 anos contou a história do acarajé da família, revelou ser fã de Daniel Alves e ainda falou como faria para vender o quitute a Lionel Messi, que joga com a Argentina neste sábado, às 19h00 (de Brasília), na Arena Fonte Nova.

TRADIÇÃO DA FAMÍLIA

"O destino fez ela ser bastante conhecida no Brasil todo", se orgulha Erica, neta de Lindinalva de Assis, a Dinha. A famosa quituteira de Salvador faleceu em 2008. A filha Cláudia Assis assumiu o tabuleiro e por lá ficou até 2016, quando morreu.

Erica atualmente é quem comanda e conta a história do Acarajé da Dinha, o maior legado da família, que começou com a bisavó Ubaldina de Assis, mãe de Dinha, há mais de 70 anos: "(A minha avó) foi a primeira baiana a viajar para fora à Europa para mostrar o acarajé, falar do acarajé e da história dele", explicou.

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Sobre o #tbt de hoje. Uma história de sucesso, conquistas e muito respeito a culinária Baiana. "Lindinalva de Assis, a famosa Dinha do Acarajé, nascida em Salvador, Em 1961, com apenas dez anos, a menina que nasceu no Rio Vermelho, substituiu a avó Ubaldina no mais antigo tabuleiro de acarajé do bairro, em atividade no Largo de Santana desde janeiro de 1944. Foi deste largo que Dinha se projetou nos cenários regional, nacional e internacional. A 'Rainha do Acarajé' também muito contribuiu para a valorização da classe das quituteiras de rua. Graças a sua fama e prestígio, irradiados a partir do tabuleiro no Largo de Santana, as baianas de acarajé foram deixando de ser meras vendedoras ambulantes, ou vistas apenas como exóticas figurantes nas fotos dos turistas. Elas foram se afirmando como símbolos fortes de um importante segmento da cultura baiana. #acarajedadinha #tbt

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PAIXÃO PELO BAHIA

A baiana revelou que gosta de futebol e que vive verdadeiros "clássicos" na própria casa quando o assunto é Bahia x Vitória.

"A minha tia é Vitória doente, e eu e meu pai somos Bahia doentes. Já começa dentro de casa, com aquela brincadeira de tirar sarro. O Vitória agora não tem nem como tirar sarro, não está muito bem. A gente acaba até tendo compaixão. Mas é a brincadeira que vem de casa", contou.

FÃ DO BAIANO DANI ALVES

Enquanto falava sobre o esporte mais adorado no Brasil, a sucessora de Dinha disse que é fã do lateral Daniel Alves, que é nascido em Juazeiro, na Bahia. "Ele é carismático. Além de ele ser daqui, ele demonstra ser uma pessoa simples, que toca a vida de maneira leve. Isso é importante nos dias de hoje", explicou.

A troca no responsável pela faixa de capitão da seleção brasileira foi aprovada pela soteropolitana. "Liderança é questão de reflexo, e o Neymar eu não admiro. Eu não gosto dele profissionalmente. Acho que o Dani Alves é um espelho em relação ao quesito liderança. Ele passa essa questão de leveza e seriedade dentro de campo. Ele não tem histórico ruim", analisou.

RECADO A MESSI

E se Lionel Messi, que está em Salvador, chegasse ao Rio Vermelho atrás de acarajé? Ela, em tom de brincadeira, revelou a receita para chamar atenção do craque, ensaiou um espanhol e ainda fez um aviso: é melhor não comer antes de jogos.

"Só o cheiro já chama a atenção. Não sei falar espanhol e nem inglês, mas a gente faz um 'enrolation' ali. Picante! Acarajé! Acarajé (leia 'acararré', como se fosse um portunhol)! Que ele consiga entender pelo menos que é gostoso, e aí a gente vai enrolando. Mas, olha, antes do jogo não! Ele não é acostumado (a comer acarajé). Pode dar uma zebra aí e ele acabar ficando no vestiário", disse Erica, aos risos.

O Acarajé da Dinha vende as iguariais a partir de R$ 9,00. Estima-se que 300 quitutes são comprados diariamente. A família conta com um posto no Rio Vermelho e outro na Costa Azul.