<
>

Espião foi lançado por técnico argentino no River e chegou ao Grêmio indicado por Barrios

O espião contratado pelo Grêmio para levantar informações sigilosas de adversários é um produto argentino. Natural do interior de São Paulo, tem 32 anos, e começou a carreira no futebol tentando trabalhar em departamentos de análise de desempenho.

Mas foi pelas mãos de Ramon Diaz, então técnico do River Plate, da Argentina, que ele consegue entrar de vez no mercado da espionagem de treinos fechados.

O trânsito fácil com o time foi motivo de algumas postagens do brasileiro nas suas redes sociais.

O trabalho na equipe argentina abriu outras portas para o espião, que seguiu com o treinador para a seleção paraguaia, em 2014. A dupla tinha pela frente a campanha para as eliminatórias sul-americanas da Copa da Rússia. Pela Albirroja, o brasileiro chegou a posar em fotos com toda a delegação no estádio do jogo contra os Estados Unidos, na Filadélfia, pela Copa América Centenário, no ano passado.

Só que com a eliminação na primeira fase, Ramon Diaz pede demissão e o brasileiro volta ao mercado para buscar emprego.

A convivência com atletas paraguaios que atuam no Brasil foi importante para a retomada da carreira do espião. Em especial, ter conhecido Lucas Barrios, então jogador do Palmeiras e hoje no Grêmio.

A reportagem apurou que foi justamente o atacante paraguaio quem fez o primeiro contato do espião com a comissão técnica de Renato Gaúcho.

A partir daí, ele passa a oferecer as imagens obtidas de treinos fechados sem compromisso de vínculo com o clube. No início, cobrava R$ 1 mil por cada filmagem que tivesse sucesso, ou seja, que conseguisse mostrar algum segredo do adversário, além de R$ 500 para cobrir os custos logísticos - viagem.

Até que após o início do Brasileiro, em abril, com a bem-sucedida espionagem ao Vasco, em que até a escalação foi desvendada, o clube decidiu investir e passou a pagá-lo mensalmente e não mais por trabalho.

Algumas viagens, como a feita para levantar informações sobre o Godoy Cruz, da Argentina, rival das oitavas, da Libertadores, custaram caro. Levantamento feito pela ESPN mostra que ele passou 13 dias em solo argentino. Os gastos com passagens aéreas, hospedagem e carro alugado ultrapassaram R$ 18 mil. As despesas foram pagas pelo Grêmio.

Veja quais voos o espião pega para ir até Buenos Aires

De acordo com informações da Polícia Federal, às quais a reportagem teve acesso, o espião esteve na Argentina em dois períodos para gravar o Godoy.

Para o jogo de ida, no dia 4 de julho, ele sai do Brasil cinco dias antes, no dia 30 de junho. Passa a semana inteira pré-confronto monitorando os argentinos até retornar para o Brasil, no dia 5 de julho, no voo da GOL 7681, com aterrissagem em São Paulo.

Pouco menos de um mês depois, ele volta à capital argentina para fazer as gravações dos treinos do rival do Grêmio para o jogo de volta.

De acordo com os relatórios de imigração, o espião voa para Buenos Aires no dia 1º de agosto, com a Aerolíneas Argentinas, no voo 2243. A volta a Porto Alegre é feita no dia 7 de agosto, no voo 1230, da mesma companhia.

Dois dias depois o Grêmio recebeu o time argentino na sua arena.

Antes de começar a trabalhar para o Grêmio, em 2017, os relatórios de saída e entrada do país apontam que ele esteve na Espanha, Paraguai, Uruguai e Portugal. Um pouco antes de começar a gravar pelo clube gaúcho, viajou para Argentina e Chile.

Na viagem à Espanha, gravou um treino fechado do Barcelona. O vídeo foi postado na internet por ele próprio, como propaganda do seu trabalho.

Nas imagens que podem ser acessadas no vídeo acima, até Neymar teve seus dribles monitorados. As atividades da equipe catalã são via de regra completamente fechadas à imprensa.

A ESPN entrou em contato com a assessoria de Lucas Barrios, que emitiu breve comunicado: "(Barrios) Está concentrado para a final. (O caso) Não procede".