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Tifanny comenta momento da seleção brasileira de vôlei e faz alerta para Pré-Olímpico

A seleção brasileira de vôlei feminino está de volta à Tóquio, no Japão, onde conquistou a medalha de prata na última edição dos Jogos Olímpicos. As comandadas de José Roberto Guimarães, que completou duas décadas como técnico do Brasil, disputam a classificação para as Olimpíadas de Paris 2024.

A seleção brasileira entra neste pré-olímpico de vôlei, que começa neste sábado (16) e vai até o dia 24 de setembro, para competir por duas vagas disponíveis com Japão, Turquia, Bélgica, Bulgária, Porto Rico, Argentina e Peru. Outros países, como os Estados Unidos e a Sérvia, disputam outros dois torneios pré-olímpicos, que também possuem duas vagas cada um e que também serão decididos nesse mês, mas em outras localidades: China e Polônia.

As Olimpíadas de Paris terão 12 equipes disputando a chave feminina de vôlei. Caso o Brasil ou outro país não se classifique nesses pré-olímpicos, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) determinou outras 5 vagas para os países com o melhor ranking mundial em junho do ano que vem, mas dando prioridade para os continentes que ainda não tiverem representantes classificados. A França é a única seleção já garantida nos Jogos, por ser justamente o país-sede da competição.

A seleção brasileira estreia neste sábado, às 04h da manhã (horário de Brasília) contra a Argentina. Cada país vai disputar um jogo contra cada adversário do mesmo grupo e as equipes que somarem mais vitórias garantem as vagas.

Do outro lado do planeta, aqui no Brasil, o vôlei nacional continua com as disputas regionais, esquentando para a próxima edição da Superliga. Destaque de Osasco, líder do Campeonato Paulista, Tifanny Abreu está na torcida pela seleção feminina e concedeu uma entrevista exclusiva para a ESPN sobre o momento do vôlei brasileiro, representatividade e objetivos para a temporada, após participar de um treino aberto com o público organizado em São Paulo pela Adidas, patrocinadora da atleta.

A jogadora de 38 anos elogiou o as atletas e o trabalho da seleção feminina comandada por Zé Roberto, mas manteve os pés no chão na hora de projetar quem deve chegar com favoritismo nos próximos Jogos Olímpicos.

“Não acredito que o Brasil seja um dos favoritos, mas nós, como brasileiros, não desistimos nunca. Como em 2012, o Brasil também não era um dos favoritos, mas foi lá e venceu (a medalha de ouro olímpica, em Londres). O Brasil é um país muito tradicional no voleibol, mas nós estamos passando por uma fase mais crítica porque algumas equipes europeias estão bem fortes.”

Tifanny destacou o legado e o peso da seleção brasileira ser bicampeã olímpica, mas apontou Turquia, Sérvia e Itália como grandes favoritas para Paris 2024. Além disso, ela fez um alerta para uma das adversárias do Brasil neste Pré-Olímpico.

“A Turquia conseguiu montar uma equipe muito forte, juntando agora a (Ebrar) Karakurt e (Melissa) Vargas (cubana naturalizada turca). Elas já foram campeãs da VNL (Liga das Nações de Vôlei, em cima do Brasil) e agora e agora foram campeãs europeias (derrotaram a Sérvia na final).

A jogadora duas vezes campeã paulista (ganhou com Osasco em 2021 e com Bauru em 2018) ainda também analisou o momento da seleção masculina de vôlei, que pela 1ª vez na história não terminou campeã do Sul-Americano. O time de Renan del Zotto foi derrotado na 'decisão' para a Argentina em agosto e também disputa uma vaga em Paris no Pré-Olímpico masculino, que acontece no final deste mês

"Outras equipes aprenderam com o voleibol brasileiro a como jogar um lindo voleibol. A Argentina vem jogando um voleibol muito bom e estão desenvolvendo novos atletas. Nós perdemos também para a Argentina na categoria de base do masculino. Então, eles estão fazendo um trabalho de base e crescendo novos atletas. E isso aconteceu também na Europa."

"Talvez o brasileiro ainda não entendeu que as equipes aprenderam a jogar um voleibol tão forte quanto o nosso. E sim, nós vamos ganhar e perder jogos. Vamos ganhar e perder campeonatos. O que nós precisamos agora é pensar no nosso futuro. Nós precisamos investir mais no nosso campeonato, dar mais valor a nossa Superliga e investir na nossa base, para que as crianças e adolescentes tenham vontade de jogar voleibol."

Ainda assim, Tifanny mostrou confiança e também demonstrou sua torcida pela seleção masculina de volêi que vai disputar as duas vagas olímpicas com Qatar, República Tcheca, Alemanha, Ucrânia, Cuba, Irã e Itália no torneio que será sediado no Rio de Janeiro.

"Nossa seleção ainda é muito forte, porém as outras seleções estão tão fortes quanto a nossa, então, esse ganhar ou perder vai existir. Só não podemos perder sem lutar. Eu acredito que os meninos ainda vão dar a volta por cima."

Tifanny estava bem animada e destacou como gosta de participar de eventos com o público, como esse treino aberto na Avenida Paulista.

"Atleta profissional às vezes fica um sonho distante, né? A gente está treinando nas quadras e sempre na televisão. Quando a gente tem esse contato físico é muito bom para eles também sentirem que somos humanos."

Além de ser um dos grandes destaques do Osasco, Tifanny também é uma referência para outros atletas LGBTQ+ por ser a primeira jogadora trans a disputar a Superliga de vôlei.

"Elas ficam muito felizes de saber que eu abri espaço e que os sonhos delas podem sim se tornarem realidade. Muitas ainda me mandam mensagem com choro porque foram proibida de participar de algum campeonato, porque exigiram coisas que não precisavam exigir."

"Em muitos campeonatos, às vezes, tem pessoas que estão está usando coisas que não poderiam, mas estão proibindo meninas trans simplesmente por serem trans. E essa proibição é simplesmente por preconceito, simplesmente pela bandeira que a pessoa carrega, não pelo voleibol. Então, a gente tem que lutar, lutar por todas, porque é na base que a gente vai conseguir criar atletas."

Tifanny segue focada para a disputa da reta final do Campeonato Paulista, onde o Osasco já está classificado para as semifinais e sonha alto.

"Este ano a gente montou uma equipe renovada e vieram muitos reforços. Eu acredito que vamos lutar bastante pelos principais torneios. Vamos lutar de igual para igual. A gente vai tentar sim, ser campeão, tanto do Paulista, como Superliga e Copa Brasil. Sabemos que é difícil porque têm muitas equipes fortes, mas não é impossível. Por isso, nós vamos continuar treinando para vencer."