Rosamaria Montibeller conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021, com a seleção brasileira de vôlei feminino e foi um dos destaques do time de José Roberto Guimarães.
A jornada da catarinense de 28 anos com a amarelinha vem desde as seleções de base e a jogadora de vôlei se tornou uma figura presente no time nacional principal desde o Pan de Toronto em 2015. Ela também participou da campanha do vice-campeonato do Brasil no Mundial de 2022, nos Países Baixos e na Polônia, e também o vice da Liga das Nações do ano passado.
Jogando na Itália desde 2019, Rosamaria é uma das grandes pontuadoras da Liga Italiana e a principal estrela do seu time, o Busto Arsizio, que briga por uma vaga nos playoffs. Em entrevista exclusiva para a ESPN, a brasileira admitiu, no entanto, que deseja retornar 'em breve' para a Superliga no Brasil e já 'sonha' em trabalhar com um treinador em especial.
"Eu penso em voltar em breve para a Superliga. Eu amo estar aqui fora (na Itália), mas chega um momento que eu quero estar perto da minha família. Já são quatro anos fora, eu acredito que não na próxima temporada (23/24), mas logo logo, eu quero voltar para o Brasil. Então, é um pensamento que está bem latente na minha cabeça nos últimos meses, de voltar um pouquinho para casa. Tenho saudade da minha família e de jogar no Brasil, de sentir o calor do povo brasileiro, que é bem diferente."
"Eu gostaria de trabalhar com o Bernardo (técnico do SESC Flamengo e ex-seleção brasileira), por tudo. Seria interessante, por tudo o que ele conquistou e pelo o que ele é. Pela experiência que ele tem, acho que ele poderia me fazer crescer muito."
Bernardinho foi bicampeão olímpico comandando a seleção masculina de vôlei (2004 e 2016) e também treinou a seleção feminina nas conquistas de duas medalhas de bronze, nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 e de Sidney em 2000.
Rosamaria disputou a Superliga pela última vez com o Praia Clube de Uberlândia, quando foi vice-campeã brasileira em 2018/19 após uma derrota para seu ex-clube, o Minas, na grande final. Antes dos dois times mineiros, a vice-campeã olímpica também defendeu o Pinheiros, de São Paulo, Campinas e São Caetano. Ela foi revelada pelo Nova Trento de Santa Catarina, onde ficou até 2011.
Rosamaria e a seleção brasileira
O Brasil terá duas competições importantes em 2023 no vôlei feminino. A Liga das Nações no primeiro semestre e o Pré-Olímpico, em setembro e outubro, que vale como evento classificatório para as Olimpíadas de Paris. Rosamaria acredita que o bom momento na Liga Italiana pode ajudar a continuar entre as escolhidas por Zé Roberto.
"Individualmente falando, estou bem feliz com essa temporada. Eu consigo ver um crescimento e um amadurecimento muito importante. Estou na minha quarta temporada aqui fora (na Itália), então já é bem diferente do primeiro ano que eu me encontrei aqui. Fiz quatro temporadas muito boas, sempre entre as maiores pontuadoras."
A jogadora do Busto Arsizio também destacou o processo de renovação que a seleção está passando:
"Ainda acho que tem muita coisa para acontecer e tem muita jogadora boa surgindo. Esse ciclo olímpico é muito curto, pós-Tóquio, então é uma mudança bem intensa. O Brasil já demonstrou no ano passado que tem muita coisa boa pela frente e temos uma margem muito boa de crescimento como equipe e jogadoras muito talentosas mais novas. Eu tô bem curiosa. Nós temos seleções fortíssimas na nossa frente, mais experientes, mas o Brasil, como sempre, está fazendo um bom trabalho e está sempre no pódio. Então, acho que falta esse stepzinho (degrauzinho) para a gente mudar a cor dessa medalha, espero estar junto para poder trabalhar por isso para Paris."
Rosamaria defendendo a seleção italiana?
Há algumas semanas, Rosamaria comemorou nas redes sociais que conseguiu um passaporte italiano, em decorrência de sua dupla nacionalidade. Alguns fãs, inclusive, pensaram que ela poderia trocar o Brasil pela Itália nas competições internacionais. A jogadora, no entanto, esclareceu a situação:
"Muita gente achou (que ela iria trocar a seleção brasileira pela italiana), mas isso não tem nada a ver com o esporte. Foi um desejo meu porque minha família tem origem italiana. Então, eu acho que esportivamente isso pode me ajudar no futuro, se de repente, eu conseguir continuar aqui no Campeonato Italiano, mas nunca foi um objetivo de mudar de seleção ou de representar a seleção italiana, muito pelo contrário, eu visto a camisa da seleção com muito orgulho. Espero pode vestir por muitos outros anos."
Para poder 'trocar de seleção', Rosamaria precisaria entrar com um pedido para a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) solicitando a mudança e comprovando a nacionalidade, além de ficar dois anos sem competir pelo Brasil para poder defender a seleção italiana em uma competição internacional.
O futuro de Rosamaria longe das quadras
Apesar de ainda estar no pico de sua carreira como atleta profissional, Rosamaria já começou a planejar como será quando pendurar as joelheiras. A ponteira/oposta de 28 anos já lançou uma coleção de joias em parceria com a marca Jamming e vê no mundo da moda um de seus possíveis destinos após encerrar sua trajetória no voleibol.
"Eu tive muita sorte e fui atrás de pessoas muito boas para estarem do meu lado, para poderem guiar o que tem que ser guiado fora de casa e me deixarem tranquila que hoje meu maior objetivo é o voleibol. E vai ser por uns bons anos. Mas é aproveitar esse momento, o que eu conheci ao longo desses anos, para pensar no pós-carreira antes dele chegar. Eu acredito que esse é o ideal, é o que eu tenho que fazer para não me encontrar, de repente, em um momento em que eu não queira mais ser uma atleta profissional e estar um pouco perdida no que fazer. Tenho muitas ideias na minha cabeça e estou tentando conhecer outros ambientes", comentou.
"Jogo vôlei desde que tenho oito anos de idade, então estou inserida nesse mundo desde sempre, o tempo inteiro. Então é importante ver pessoas de fora, ter outras informações para eu conseguir pensar num pós-carreira. Tem sido muito interessante, é uma coisa que me relaxa, me tira da pressão que a gente sofre como jogador profissional. Nos momentos que eu tenho que criar, é um lado que eu me divirto. Hoje é minha opção B, então não tenho muito pressão. O resultado espero que venha daqui alguns anos, mas, no momento, tenho boas pessoas junto comigo para poderem me ajudar no dentro de quadra".
Sobre quando a aposentadoria irá acontencer, Rosa diz que não consegue estimar uma data, mas se vê "jogando até os 36 ou 37 anos".
"É difícil falar uma data. Se hoje eu pudesse planejar, acho que até uns 36 ou 37 anos. É difícil falar porque cada ano a gente vive uma coisa diferente, tem vontades diferentes. Mas eu gosto muito desse universo da moda, que é onde estou entrando agora. Quero aprofundar um pouco mais, conhecer um pouco mais. Tenho feito tudo que é possível aqui de longe. Me vejo muito inserida nesse mundo ou no mundo da comunicação, que é outro mundo que eu gosto bastante também", revelou.
"Claro, acho que tentar levar meu legado, minhas experiências para outras meninas, que é algo que já tento fazer hoje para incentivar outras meninas. Quero continuar fazendo isso quando parar, mas é difícil dar uma data. A gente não quer que esse momento chega. Mas, infelizmente, o corpo... tenho certeza que minha mente vai querer continuar, mas o corpo vai dar uma segurada. Espero que demore um pouquinho ainda (risos)".
