O tênis brasileiro teve uma semana dos "sonhos" em Paris e conseguiu a proeza de ter 100% de seus participantes classificados para disputar a chave principal de Roland Garros, o segundo Grand Slam do ano e que tem transmissão ao vivo de todas as quadras pela ESPN no Star+.
Felipe Meligeni, Gustavo Heide, Laura Pigossi e Thiago Monteiro "furaram" o quali para se juntar a Beatriz Haddad Maia e Thiago Seyboth Wild na disputa de simples. Um feito que pode até parecer pouco, mas quebra uma marca do esporte brasileiro.

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A última vez que o país teve mais de seis participantes nas chaves principais de simples foi em 1988, quando Luciana Corsato, Gisele Miró, Níege Dias e Patrícia Medrado jogaram o torneio feminino, enquanto Cássio Motta, Luiz Mattar e Marcelo Hennemann representaram os homens.
Também fazia tempo que o Brasil não botava quatro representantes na chave masculina – desde 2009, quando Thomaz Bellucci, Marcos Daniel, Thiago Alves e Franco Ferreira jogaram no saibro parisiense. Entre as mulheres, o jejum era maior e vinha desde 1990 sem ao menos duas tenistas na disputa dos simples.
Mas quem são os tenistas que furaram o quali de Roland Garros? O ESPN.com.br conta abaixo:
Felipe Meligeni
Felipe Meligeni Alves nasceu em Campinas, tem 26 anos e é sobrinho de Fernando Meligeni, um dos maiores nomes do tênis brasileiro e atual comentarista dos canais Disney. Aproveitando o sangue tenístico que corria na família, começou a jogar com cinco anos. Sua irmã mais velha, Carol Meligeni, também é profissional e ocupa a posição 372 do ranking da WTA.
Campeão de duplas do US Open juvenil de 2016, Felipe se tornou profissional no mesmo ano. No circuito de challengers, conquistou seu primeiro título em São Paulo, em 2020. Foi campeão três anos depois em Lyon, seu maior título da carreira nas simples. Como duplista, Meligeni venceu o ATP 250 de Santiago em 2022 e o de Córdoba em 2021, ambos com o compatriota Rafael Matos.
Atualmente, Meligeni é o 136º do ranking de simples da ATP, sendo que sua melhor posição foi a de 128, em abril desse ano. Em toda sua carreira, tem apenas sete partidas em nível ATP, com vitórias contra Pedro Cachin no Rio Open deste ano e em cima de Alejandro Tabilo, em Los Cabos.
Em Grand Slams, quebrou pela primeira vez o qualificatório no US Open do ano passado, quando foi além e conquistou sua primeira vitória, ao bater James Duckworth na rodada inaugural. No entanto, teve que abandonar contra Sebastian Baez na fase seguinte.
Agora, o desafio será superar Casper Ruud, adversário de estreia e cabeça de chave número 7.
Gustavo Heide
Gustavo Heide cresceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e começou a jogar com quatro anos. Agora, com 22, está prestes a disputar sua primeira partida de Grand Slam da carreira. Fez sua estreia no circuito profissional em 2018, disputando alguns Futures no Brasil, mas continuou disputando torneios juvenis por mais dois anos.
No final de 2021, Heide conseguiu quebrar a barreira do top 500 da ATP, mas foi em 2023 que viveu sua grande ascensão. O paulista começou o ano como nº 414 do mundo e terminou em 247º lugar, um salto de 167 posições. Para completar o bom ano, Heide conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, ao formar dupla com Marcelo Demoliner, e ainda foi campeão da Maria Esther Bueno Cup, que lhe deu uma vaga na chave principal do Rio Open de 2024.
Gustavo manteve o embalo nesse ano e conquistou o Challenger de Assunção, no Paraguai, após vencer o compatriota e promessa do tênis João Fonseca. Esse foi o maior título da carreira do paulista. Parte dessa evolução tem a ver com uma mudança na vida de Heide: em 2023, ele trocou o interior paulista pelo Rio de Janeiro para treinar na Tennis Route, academia dos compatriotas Thiago Wild e Thiago Monteiro.
Agora, Heide ocupa a 174ª posição do ranking e é o 4º melhor brasileiro na ATP. Vai enfrentar o argentino Sebastian Baez, cabeça de chave número 20.
Laura Pigossi
Laura Pigossi Herrmann de Andrade tem 29 anos e ocupa a posição 119 do ranking de simples da WTA. Atual número 2 do Brasil, a paulista começou a praticar a modalidade aos seis anos e chegou a figurar no top 50 durante a carreira de juvenil. Fez sua transição para o profissional em 2012 e conseguiu furar o top 500 na temporada seguinte.
Chegou a entrar até figurar entre as 250 melhores do mundo nos primeiros anos, mas enfrentou uma oscilação de resultados que a fez ter uma mudança de vida: mudou-se para a Espanha em 2016 para treinar na academia ADI, sob a orientação do técnico Marc Gimenez.
Em 2021, a tenista brasileira teve um ano espetacular, subindo 200 posições no ranking e terminando dentro do top 200 pela 1ª vez na carreira. Ainda fez história ao conquistar a primeira medalha do tênis nacional nas Olimpíadas, com o bronze ao lado de Luisa Stefani nas duplas em Tóquio.
No ano seguinte, Pigossi alcançou o 100º lugar do ranking da WTA, sua melhor colocação, e se tornou apenas a 8ª brasileira a conseguir esse feito desde que a lista foi criada em 1974. No mesmo ano, Laura foi vice-campeã do WTA 250 de Bogotá. O maior título veio em 2023, com o WTA 125 de Buenos Aires, somado às duas medalhas de ouro no Pan-Americano de Santiago (nas simples e nas duplas com Stefani).
Em Grand Slams, a paulista disputou as chaves principais de Wimbledon, em 2022, e o Australian Open em 2023, após também furar o quali. Agora, depois de bater na trave em duas ocasiões, Laura está pronta para debutar também no Aberto da França contra a ucraniana Marta Kostyuk.
Thiago Monteiro
Thiago Monteiro é o tenista mais experiente dos quatro. Nascido em Fortaleza, o canhoto tem 29 anos e ocupa a 84ª posição do ranking da ATP. Começou a jogar aos oito anos e dividiu-se entre a raquete e o futebol até os 14 anos, quando decidiu seguir a carreira de tenista.
No juvenil, chegou a ocupar a vice-liderança do ranking mundial e disputou suas primeiras partidas como profissional em 2008, até completar sua transição três anos depois.
Em 2016, Thiago Monteiro ganhou um convite para disputar sua primeira chave principal de um torneio ATP, o Rio Open, e venceu o francês Jo Wilfried Tsonga, então nº 9 do mundo, para surpresa de todo o mundo do tênis. O canhoto, que começou o ano no modesto 463º lugar do ranking, teve uma temporada espetacular, acumulou bons resultados e terminou 2016 dentro do top 100.
Desde então, Thiago sempre conseguiu se manter entre os 150 melhores do ranking, frequentemente como o brasileiro mais bem ranqueado. Em 2022, conseguiu 18 vitórias em 24 duelos de Challengers na temporada, incluindo o título de Gênova, e chegou ao ser o nº 61 do mundo, seu melhor ranking da carreira.
No ano passado, Monteiro conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, e está próximo de se classificar para a segunda Olimpíada da carreira, após Tóquio.
Em Grand Slams, Thiago disputou a chave principal de todos os majors e caminha para sua 6ª participação em Roland Garros. Seu melhor resultado foi uma 3ª rodada, em 2020. Monteiro está embalado e muito confiante após na atual gira de saibro chegar a 3ª rodada do Masters 1000 de Madri, pela 1ª vez na carreira, inclusive com uma vitória sobre o top 10 e saibrista Stefanos Tsitsipas.
O cearense agora enfrenta o sérvio Miomir Kecmanovic na 1ª rodada do major parisiense.
