Todo apaixonado por tênis sabe: o fim da gira do saibro na Europa é sempre com o Grand Slam preferido de todos os brasileiros. Chegou a hora de Roland Garros, o Aberto da França cuja chave principal começa neste domingo (26), com transmissão de todas as quadras de Paris pela ESPN no Star+.
Ao longo das próximas duas semanas, o segundo Grand Slam da temporada, eternizado na memória brasileira graças ao tricampeonato de Gustavo Kuerten, o Guga, é atração na ESPN 2 e no Star+ todos os dias a partir das 6h (de Brasília) até 18h, previsão para o fim do último jogo do dia.

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Se qualquer edição do torneio francês é especial, a de 2024 tem um adendo que a torna inesquecível, pela provável despedida de Rafael Nadal. Disparado o maior campeão de Roland Garros, com 14 troféus, o espanhol vive seus momentos finais de carreira e é atração ao lado do eterno rival Novak Djokovic, número 1 do mundo, e também da nova geração liderada por Carlos Alcaraz e Jannik Sinner.
O Brasil também está representado. Beatriz Haddad Maia, tenista número 1 do Brasil, quer tentar repetir a excelente campanha do ano anterior, quando chegou à semifinal. Thiago Seyboth Wild também entra direto na chave principal e respaldado pelas lembranças de 2023, quando derrotou Daniil Medvedev, então nº 2 do ranking. Além deles, o Brasil será defendido por Gustavo Heide, Felipe Meligeni, Thiago Monteiro e Laura Pigossi, que furaram o quali.
Nas duplas, Luisa Stefani com a holandesa Demi Schuurs e Ingrid Martins com a britânica Olivia Nicholls estão confirmadas na chave feminina. Na masculina, Marcelo Melo com Rafael Matos, e Orlando Luz com Marcelo Zormann (que ainda aguardam um lugar como alternates), formam duplas 100% brasileiras. Wild, Fernando Romboli e Marcelo Demoliner também estão inscritos.
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Despedida de Nadal
O fim nunca esteve tão próximo. Aos 37 anos, Rafael Nadal provavelmente se prepara para disputar o torneio que o consagrou como o "Rei do Saibro" pela última vez.
Apesar dos 14 títulos, que o deixam com quatro de vantagem para Djokovic, Nadal não chega entre os favoritos. O espanhol convive há anos com lesões e problemas físicos que, ao que tudo indica, encaminham sua carreira para um final, como o próprio tenista admitiu em entrevistas recentes.
Rafa lesionou o quadril no Australian Open em janeiro de 2023 e ficou o restante da temporada sem jogar. Retornou às quadras neste ano, mas uma nova lesão no mesmo local fez com que disputasse apenas três partidas em janeiro. Passou mais um tempo afastado e voltou para a gira de saibro, em abril, mesmo com limitações físicas. Em Barcelona, Madri e Roma, torneios em que costumava dominar, Nadal atuou nove vezes e deixou as quadras com certo ar de despedida.
Só por isso, a atual edição de Roland Garros é marcante. Desde sua estreia, em 2005, o espanhol perdeu apenas três dos mais de 100 jogos na chave de simples. Vencê-lo era praticamente impossível, mas a situação de momento não é mais assim, até porque a estreia é ingrata.
Nadal inicia a campanha contra Alexander Zverev, número 4 do ranking da ATP. Os dois se enfrentaram pela última vez também no Aberto da França, mas na semifinal, há dois anos, quando o espanhol terminou campeão, enquanto o alemão precisou abandonar a partida em uma cadeira de rodas por uma lesão no tornozelo.
Bia Haddad retorna
Se Beatriz Haddad Maia guarda boas lembranças de um Grand Slam, esse lugar sem dúvidas, é Roland Garros. Foi no ano passado, em Paris, que a número 1 do Brasil alcançou sua primeira (e até aqui única) semifinal de major da carreira.
Antes da edição de 2023, Bia nunca tinha passado de uma segunda rodada de Grand Slam, um desempenho abaixo do esperado de alguém que ocupava o top 30 do ranking da WTA. A canhota desencantou justamente em Paris e fez uma campanha memorável, parando apenas na eventual campeã Swiatek.
Desde então, Bia se firmou entre as 15 melhores do mundo, a ponto de entrar na chave principal como cabeça nº 13. Só que repetir o desempenho não será fácil, ainda mais pela oscilação na atual temporada. São apenas 15 vitórias em 30 jogos no ano, em que a campanha no Aberto de Madri, há duas semanas, quando chegou nas quartas de final, foi um ponto isolado.
A brasileira caiu na 3ª rodada em Roma, Miami e Indian Wells, além de perder logo na estreia em Dubai e Doha e ser eliminada por uma tenista fora do top 100 no Australian Open.
Para defender seus pontos no ranking, uma boa campanha será necessária para Bia, que vai estrear contra a italiana Elisabetta Cocciaretto, nº 52 do ranking da WTA. Se avançar, a brasileira pode encarar a americana Coco Gauff, nº 3 do mundo, em uma possível disputa de oitavas de final. Mais à frente, um reencontro com Swiatek também é possível.
Wild embalado, Brasil com 100% no quali
Thiago Wild, número 1 do tênis brasileiro masculino, volta para Roland Garros com grandes lembranças. No ano passado, o paranaense furou o qualificatório e derrotou Daniil Medvedev, então nº 2 da ATP, na quadra Philippe-Chatrier, em sua 1ª vitória de major da carreira. A excelente campanha de Wild foi até a 3ª rodada, quando acabou eliminado por Yoshihito Nishioka.
O tenista de 24 anos agora ocupa a 58ª posição da ATP após campanhas sólidas em diversos Masters 1000 neste ano. Wild venceu Khachanov em Indian Wells e depois, em Miami, bateu Taylor Fritz, então nº 13 do mundo. Na gira de saibro, chegou até a 3ª rodada de Madri, sendo derrotado por Alcaraz, e avançou até a 2ª rodada de Roma, quando foi superado pelo argentino Tomas Etcheverry. Na última semana, no ATP 250 de Genebra, abandonou na 2ª rodada após torcer o tornozelo, mas chega saudável para a chave principal de Roland Garros.
Além de Wild e Bia, o Brasil teve 100% de aproveitamento nesta edição do qualificatório. Felipe Meligeni, Thiago Monteiro e Gustavo Heide vão fazer companhia ao paranaense na disputa masculina de simples, enquanto Laura Pigossi vai se juntar à Bia Haddad para "debutar" no Aberto da França feminino.
Wild estreia contra o francês Gael Monfils e, se avançar, pode encarar Djokovic em um eventual duelo de 3ª rodada. Felipe Meligeni enfrenta Ruud, cabeça n º7, Thiago Monteiro enfrenta o sérvio Miomir Kecmanovic, atual 55 do mundo e, por fim, Heide joga contra o argentino Sebastian Baez, cabeça nº 20, sua primeira partida de Grand Slam da carreira. Já Laura vai enfrentar a ucraniana Marta Kostyuk, cabeça de chave nº 20.
Djokovic em baixa. Quem é o favorito?
Atual campeão e número 1 do mundo, Novak Djokovic entra para disputar sua 20ª chave principal de Roland Garros com uma desconfiança poucas vezes vista. O sérvio de 37 anos, que recentemente encerrou a parceria com o técnico Goran Ivanisevic após seis temporadas e 12 títulos de Grand Slam, não vive bom momento. Prova disso é a eliminação no ATP 250 de Genebra, torneio de nível mais fraco da elite do tênis. Após o resultado, Nole admitiu certa preocupação com o desempenho no ano.
O líder do ranking não venceu nenhum torneio sequer na temporada, algo que havia acontecido pela última vez em 2018. Na atual gira de saibro, o número 1 do mundo foi eliminado por Casper Ruud na semifinal do Masters 1000 de Monte Carlo e pela zebra chilena Alejandro Tabilo na 2ª rodada de Roma, além de, por opção, não ter disputado o Aberto de Madri.
Esse indício de que o dono de 24 títulos de majors não está vivendo seus melhores dias faz com que Roland Garros comece sem um grande favorito na chave de simples masculina depois de muito tempo. Djokovic ou Nadal, por vezes acompanhados por Roger Federer, sempre ocuparam esse posto nos últimos 20 anos.
Além do líder do ranking, seus principais concorrentes Carlos Alcaraz e Jannik Sinner também chegam a Paris com questões físicas mal resolvidas. Carlitos, que já venceu dois títulos de Slam e foi eliminado por Djokovic na semifinal de Roland Garros no ano passado, disputou apenas Madri na gira de saibro e caiu nas quartas de final para Andrey Rublev. Já o italiano, atual campeão do Australian Open, abandonou as quartas de final do Masters 1000 espanhol, mas chegou a fazer uma semifinal de Monte Carlo no início de abril.
Sem os grandes favoritos, os especialistas de saibro tender a sonhar com La Coupe des Mousquetaires (O Troféu dos Mosqueteiros, em tradução livre do francês). Ruud, que chegou nas duas últimas finais, Zverev, que acaba de ser campeão em Roma, e Tsitsipas, que levantou o título em Monte Carlo, aparecem como os principais candidatos que adoram a terra batida.
O sorteio colocou Djokovic e Zverev no mesmo lado da chave com um possível encontro na semifinal. Do outro lado, estão Alcaraz e Sinner. O tenista sérvio estreia contra o francês Pierre-Hugues Herbert e pode pegar Ruud em uma eventual quartas de final. Já o alemão estreia contra Nadal e pode pegar Daniil Medvedev nas quartas. O italiano estreia contra o americano Christopher Eubanks e pode encarar Hurbert Hurkacz em uma eventual quartas de final. Por fim, Carlitos encara J.J. Wolf na estreia e, se avançar, pode chegar até quem sabe Rublev nas quartas.
Triologia à vista no feminino
Se na chave masculina não há um grande favorito, Iga Swiatek é o grande nome a ser batido na chave feminina. A tenista polonesa de 22 anos é a atual bicampeã do Aberto da França e lidera o ranking da WTA com sobras diante de suas concorrentes mais próximas.
Se o domínio de Iga no circuito é impressionante, no saibro ele fica ainda mais absoluto. Foi na terra batida em que ela construiu grande parte uma sequência de 37 vitórias em 2022. Neste ano, além dos títulos dos WTA 1000 de Doha e Indian Wells, ela também foi campeã em Madri e Roma nas últimas semanas, os dois principais torneios na superfície antes do major francês. Portando, Swiatek chega para sua 6ª participação em Roland Garros como grande favorita para levar seu 4º troféu.
Quem está ansiosa para desbancar Iga é a bielorrussa Aryna Sabalenka, atual número 2 do mundo e que, por algumas semanas no final do ano passado, conseguiu "roubar" a liderança do ranking. As duas se enfrentaram 11 vezes no circuito da WTA, com oito vitórias para a nº 1. Nas últimas semanas, ambas se enfrentaram nas finais dos torneios de Roma e Madri, e Sabalenka prometeu, em um tom bem-humorado, se "vingar" das duas derrotas em uma eventual "trilogia" na decisão de Roland Garros.
As duas formam a maior rivalidade do tênis feminino atual com seus estilos de jogos bem distintos. A polonesa tem velocidade e trabalho de pés impressionantes, enquanto Aryna aposta na sua potência e força. Swiatek esconde bem as emoções e é mais discreta, enquanto a bielorrussa deixa os sentimentos à mostra na quadra e é uma jogadora extrovertida e engraçada nos bastidores.
As duas cabeças só podem se encontrar em uma eventual final, mas Iga terá um caminho duro pela frente com a francesa Leolia Jeanjean na estreia. Se avançar, pode pegar Marketa Vondrousova em uma eventual quartas de final e está do mesmo lado da chave da nº 3 do mundo e finalista de Roland Garros em 2022 Coco Gauff. Já Sabalenka pega a jovem russa Erika Andreeva na 1ª rodada e, se avançar, pode encarar Maria Sakkari nas quartas e a cazaque Elena Rybakina em uma eventual semifinal.
