Olimpíadas: Ana Marcela Cunha criou 'fantasmas' e até treinou 'no seco' fora d'água para, enfim, ser campeã olímpica

A maior das águas abertas. A inédita medalha de ouro de Ana Marcela Cunha, a primeira em Jogos Olímpicos, coloca a nadadora no Olimpo das provas de 10 quilômetros da maratona aquática.

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Pentacampeã mundial e eleita cinco vezes a melhor do mundo, a brasileira chegou a Tóquio como uma alta expectativa de subir ao pódio e, mais uma vez, fazer história. Dessa vez, para conquistar a primeira medalha em Jogos Olímpicos.

Mas, a caminhada para a disputa do título em Tóquio não foi fácil. Com a pandemia da COVID-19, precisou se reinventar, chegando a revelar que, em alguns treinos, teve de 'nadar no seco' por conta das limitações.

"Junto com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), a gente conseguiu providenciar o Vasa, um equipamento que simula os movimentos que a gente faz na água. É mais ou menos nadar no seco. A gente consegue manter um trabalho de força. Não tem como ter ganhos, mas ajuda a não perder tanto. E sempre temos de estar ligados na parte de alimentação, porque estamos acostumados a fazer exercícios de manhã e à tarde e nos alimentar de forma regrada também, com café da manhã, almoço, lanche, e ter sempre um número de refeições. Se a gente mantiver esse mesmo número de refeições e consumir o mesmo número de calorias, termina engordando".

E sobre as rotinas de treinos, a brasileira, em entrevista ao site 'Olimpíada Todo Dia', revelou que já até chegou a inventar adversárias 'fantasmas' para simular ainda mais um ambiente de prova durante os treinamentos.

"É meio que imaginária. É um diferencial para mim. Quando estou no treino e não tenho uma adversária física, eu sempre imagino que elas estão ali do meu lado. Então, é uma coisa que criei um pouco por estar tão sozinha e precisar de um apoio diferente, eu sempre imagino as adversárias do meu lado".

Filha de pai nadador e mãe ginasta, a baiana escolheu as águas. Aos 12 anos de idade, Ana Marcela Cunha recebeu a primeira convocação para a seleção brasileira, ainda nas pisicnas. Em 2006, quando os resultados expressivos começaram a aparecer, se transferiu para a Unisanta, de Santos.

A primeira disputa olímpica aconteceu em 2008, em Pequim, aos 16 anos, e conquistou o 5º lugar. Após não se classificar para Londres, em 2012, chegou aos Jogos Olímpicos em 2016, no Rio de Janeiro, com a expectativa de uma medalha, já que era a atual campeã mundial.

No entanto, por conta de um problema para se alimentar durante a prova, terminou a prova apenas na 10ª colocação, deixando a prova chorando.

Mas, o pódio estava reservado para Tóquio. Durante toda a prova, Ana Marcela Cunha figurou no pelotão da frente, alternando entre primeira, segunda e terceira colocação. No fim, terminou com o ouro após uma merca de 1h59m30s8.

Sharon van Rouwendaal, da Holanda, ficou com a prata com 1h59m31s7. Fechando o pódio, Kareena Lee, da Austrália, ficou com o bronze com o tempo de 1h59m32s5.

Recordista em medalhas nas competições da Federação Internacional de Natação (FINA) - 33 de ouro, 16 de prata e 17 de bronze -, Ana Marcela Cunha terminou a última maratona com uma declaração em que faz um pedido a quem sonhe, assim como ela sempre fez.

“O que eu posso dizer é acreditem nos sonhos, deem tudo de si”.