Primeira campeã mundial brasileira na ginástica artística, Daiane dos Santos abriu o jogo em entrevista à revista Marie Claire e revelou ter sofrido racismo em sua época de atleta, tanto em clubes como na seleção brasileira. A ex-atleta revelou que as pessoas não queriam usar o mesmo banheiro que ela.
"Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queriam usar o mesmo banheiro! Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação. Banheiros para brancos e banheiros para pessoas de cor. Teve muito isso dentro da seleção. E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde. Ou seja: ela é tudo o que a gente não queria aqui", disse.
A questão do racismo abalou a ginástica brasileira nos últimos anos. Em 2015, um vídeo nas redes sociais mostrava Arthur Nory e mais dois atletas fazendo ofensas racistas ao ginasta Ângelo Assumpção no que diziam ser uma brincadeira.
Nos anos seguinte, Ângelo ainda denunciou racismo dentro do seu clube, o Pinheiros. Em meio a isso, ele não conseguiu se manter na seleção brasileira de ginástica e ainda acabou demitido do clube. Há dois anos, ele sequer consegue um novo espaço para treinar.
Os episódios voltaram à tona nesta semana, antes de Nory competir em Tóquio. Muito criticado nas redes sociais, ele foi mal em suas disputas e não conseguiu se classificar a nenhuma semifinal. Depois, assumiu mais uma vez seu erro nos episódios de racismo do passado e desabafou contra os haters da Internet.
